domingo, 15 de outubro de 2017

OPÇÕES

          Assim, na continuidade do cotidiano irrefreável, um descontrolado choro de saudade do que não aconteceu; uma extraordinária saudade do futuro!

          Assim, viver o amanhã esquecendo hoje; a fome de hoje, o sono de hoje. Viver as delicadas relações sociais apenas para plantar, plantar e plantar. Mas o amanhã nunca chega; deixa-se apodrecer no pé tudo o que foi cultivado enquanto se pensava pra frente. Daí não se vê o entorno, o atual, as peculiares e maravilhosas circunstâncias de se viver o hoje, o agora, o aqui.

          Assim, é possível decidir entre mergulhar nessa pressa insana e doentia ou haurir em grandes sorvos cada momento; colher a tempo cada bendito fruto do que foi feito antes, com atenção e amor. Absorver os duplos e triplos sentidos das situações; desprender do tempo inalcançável o nosso perfil de viver. Somos muitos, há muita gente para fazer o mundo; não precisamos fazer tudo e nem sozinhos. O que começou lá pode bem acabar aqui. O que não está começado não tem pressa. Leia, o próximo escrito, amanhã.


[Adhemar - Santo André, 30/08/2005]

sábado, 7 de outubro de 2017

"MATRISTIZES"

Luz transversa.
Afinidades forçadas.
Procuradas entrelinhas.
Platão absoluto,
resoluto, outras vidas.

Vidro opaco.
Vidraça aberta.
Garrafa derrubada de outras vinhas.
Cadeira que sentada,
uma estrada e muitas linhas.

Olhos turvos.
Lágrimas secando ressentidas.
Porta fechada.
Pedra surda,
muda a vida.

Verso inverso.
Afinidades inventadas,
desesperadas e mortinhas;
qual a esperança,
desencanto e mão vazias...

[Adhemar - São Paulo, 22/02/2017]

domingo, 1 de outubro de 2017

PROFISSÃO: PRESTIGITADOR

Assim como tantos, deixei-me aprisionar pelo convencional, pela formalidade implícita nas relações comerciais. Assim como tantos, descobri que essa realidade é a máxima dedicação empregando o máximo conhecimento que pudemos acumular para bem servir a troco de um mínimo - costumeiramente - de remuneração. "É o mercado", dizem sempre os beneficiados.

Assim como tantos, aprendi que o "mercado" são outros tantos profissionais desesperados, oprimidos e necessitados que acabam competindo às avessas nesse leilão invertido em valores na demanda de serviços. Assim como tantos, precisei viver como um mágico para sobreviver pagando contas e reinventando truques para me manter e à família.

Assim como tantos, estou precisando tirar um elefante da cartola.



[Adhemar - São Paulo, 25/09/2017]

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

ANÚNCIO / APRESENTAÇÃO

Prezados;

                Meu nome é Adhemar Braga de Souza, arquiteto. Tenho a enorme satisfação de apresentar minha experiência em fazer projetos arquitetônicos detalhados e estudos de produtos imobiliários residenciais, comerciais e industriais. Além disso, tenho grande facilidade em redação, criação de textos e inventar histórias! Ou seja, uso a imaginação e a criatividade com bom humor e grande empenho de produção.

Estou tentando fugir do comum, mas... O que é o comum?! Procuro os mais variados ângulos ao me defrontar com uma tarefa, ou um problema. Analiso o que estou fazendo com base no que se passou antes, no que é neste exato instante e nas infinitas possibilidades do que pode acontecer ou se transformar. Todo quadro já foi uma tela em branco, não é mesmo? Além do mais, aprender coisas que não sei para incluir ou ajudar no que estiver fazendo é um enorme prazer pra mim.

Escrever, projetar e viver são as coisas que mais gosto de fazer; acho até que as faço razoavelmente... O que não sei fazer é cozinhar, em geral, e churrasco (embora tente amiúde, para desespero dos meus circunstantes); nas demais tarefas do lar até que me saio bem, mesmo não sendo exatamente um entusiasta delas... Detesto frequentar órgãos públicos (qualquer um, por qualquer motivo) e hospitais. Mas quando é inevitável, respiro (ou suspiro?) fundo e encaro. Adoro viajar. Não sou muito bom em consertos domésticos embora meu pai tenha ensinado muita coisa e eu tenha passado muito tempo em obras; mas, uma lâmpada queimada em casa leva semanas para ser trocada. Ruim pra ser dito num anúncio, mas infelizmente é verdade! Falando em obras, não tenho mais paciência e nem saúde pra elas. Doravante, prefiro manter delas uma respeitosa distância. Caso interessar possa, gosto de dirigir com segurança, economia e rapidez (nessa ordem); minha carteira de motorista, aliás, é categoria D.

Entre meus objetivos de vida estão, principalmente, proporcionar uma base sólida de formação aos meus três filhos, para enfrentarem o mundo. Tarefa quase cumprida já, só falta o caçula acabar o colégio e se encaminhar no que quiser fazer depois. Aí, formar uma condição mínima de conforto financeiro para os anos vindouros a fim de viajar muito com minha esposa e ter uma vida simples, sem sobressaltos (se for possível...), com tempo pra cuidar dos netos, caso eles venham e os pais, precisando, quiserem confiá-los ao avô. Adoro estar com os parentes mais próximos e com amigos, seja em reuniões familiares, confraternizações ou estádio de futebol (apesar do trabalho que dá ir ao jogo). Dentre os animais, o que mais aprecio é o tigre. Sei lá porque me lembrei disso... Não me vejo um aposentado, sem trabalhar. Gostaria de poder ficar escrevendo eternamente.

Para finalizar: considero-me um aventureiro focado! Caso possa ser útil em alguma função, estou à disposição! Agradeço a oportunidade de me apresentar.

Cordialmente,

Adhemar Braga de Souza
arquiteto
Tel. (11) 99800-7772

Facebook: https://www.facebook.com/adhemar.bragadesouza.3

[Adhemar - 28/09/2017]

Profissão: prestidigitador 

Este texto faz parte de um processo que resolvi participar para redefinir rumos profissionais. Pra reafirmar - ou desmentir - certos pendores... A quem se interessar, recomendo o trabalho interessante de Janaína Paula, encontrável em:
 http://www.repensesuacarreira.life/ e http://www.facebook.com/repensesuacarreira/.
#janainapaula
#reflexaoeacao
Se alguém, lendo este post, tiver alguma sugestão, pode fazê-la nos comentários abaixo. Será um grande prazer saber a sua opinião.

Muito obrigado, 

Adhemar

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

PROXIMIDADE

Coração.
Se tens asas, voa.
Voa pra longe
de uma fonte que secou.

Coração.
Se tens velas, enfuna-as.
Velejar pra longe
te consolará.

Coração.
Se tens amor, ama.
Cada um entregará de si
o que tiver pra dar.


[Adhemar - Corumbá, 25/07/1987]

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

CONSTELAÇÃO ARTIFICIAL

Fui lançado pro espaço
abraçado a uma ogiva nuclear
de forma definitiva,
formidável e espetacular...

Fui explodido
em centenas de milhões de pedaços;
radioativos, atrevidos,
brilhantes, cintilantes, comovidos.

Fui promovido a constelação
desprovido de quaisquer humanos fatos;
orbitando inconsciente novos astros,
Via Láctea, Via Sangue...

Fui voando,
tal cometa em suas rotas orbitando;
erroneamente me perdendo, 
empolgado e brilhando.

Fui fixado
num mapa estelar classificado;
os astrólogos interpretando
meus pedaços espalhados pelo espaço.

Fui ficando no Universo
influindo numa zona de zodíaco:
estrelas-palhaço,
constelação Circo...


[Adhemar - São Paulo, 25/05/2015-22/02/2017]

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

APOSTAS FEITAS...

Olhares diretos,
pensares enviesados.
Cartas distribuídas, 
blefe na mesa.

Risos forçados.
Ar de fumaça e álcool.

De repente, um tiro!
Música parada,
uma cadeira caída;
silêncio e escuridão.


[Adhemar - São Paulo, 31/07/2008]

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

COLCHETES

Ingrediente suave e saboroso
Um rumor de vento
de folha de tempero
prato primoroso

Ponto e nota
atento num gesto vigoroso
Ciclo e giro inteiro
Vento, num sopro rigoroso

Abraço e busca
na circunavegação completa
O mundo nos pedais
na rota de uma bicicleta

O aceno está no ar
num gesto que se solta
no sabor do tempero
- e do amor
que ora está de volta!


[Adhemar - São Paulo, 05 a 07/07/2017]

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

SENTENÇA

Não sei por quais excessos
fomos condenados,
ou por quais faltas...

Fomos condenados por cometer poesias inúteis, talvez?!
Fomos condenados por faltar com a verdade
oferecendo ilusões... em versos?!

Enfim, não sei,
condenados,
por quais faltas ou excessos.

Excesso de otimismo?!
Excesso de um romantismo cafona,
fora de moda?!
Ou por paixões fora de hora?!

Talvez tenhamos sido condenados
por amar a tanto tempo impunes...
Ou por doação ilegal do próprio coração...

Por quais motivos de opressão terrena
carregaremos essa cruz de sofrimento e dor?!
Será que foi porque nos devotamos
indevida e cegamente ao amor?!

Quem nos julga?!
Como vivem?!
Não se comovem diante da fraqueza
ou da fortaleza que nos transformou?!

Beijos roubados, 
abraços claros,
lágrimas sinceras...

O que consta nos anais dessa condenação?!
Qual a pena?!
Danação no inferno
pelo pouco que nos resta desta vida eterna?!


[Adhemar - São Paulo, 24/07/2017]

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

FLUTUAÇÃO

História vermelha recontada.
Revelada, roubada, inventada;
história vermelha e ousada
perdida num balanço, anoitecer.

Estrelas temidas recolhidas,
tímidas, furtivas e molhadas.
Orvalho da madrugada orgulhosa
e brilhos no alvorecer.

Migalhas pequeninas espalhadas,
cobiçadas por quem quer esquecer.
Reveladas, orgulhosas e furtadas
numa nesga do amanhecer.

História, vermelha e requentada,
pernas cruzadas, inquietas, a tremer;
bocas fechadas a sorrir secretamente
de tudo que, como o dia, vai nascer...


[Adhemar - São Paulo, 18/04/2016]