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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Vida Nova

Existem coisas que não tem explicação. Acontecimentos como ondas, ao sabor da maré. Este blog completaria, em 24 de março próximo, 12 anos, contando o ano e pouco em que começou no "terra". Cumpriu seu propósito de tornar semi-público alguns pensamentos, opiniões e criações pretensamente literárias deste autor... Foi - ou ainda é - depósito de poesias, de viagens, de paixões, ou pelo menos, de alguns retratos delas... Pois então que é hora de acabar, de mudar de dimensão. Ou parto para publicar os benditos livros, ou tranco toda esta tralha emocional no baú do esquecimento, da memória do supérfluo embora tão carregado de partículas íntimas... Talvez, se houver tempo pra tanto, ainda poste alguma poesia no "Duelos Literários", um outro blog no qual sou apenas um participante.

Minha vida mudou muito nos últimos quatro anos. Um casamento acabado, uma fossa colossal de dois anos, outros dois pra levantar a cabeça e ceder lugar a um sentimento novo e inesperado, que se juntou ao novo projeto de vida que eu havia traçado. Filhos criados, viver pra mim. E esse "pra mim" acabou que não é. Nova razão, novo rumo, muita energia desperta pra realizar um projeto pelo e para o cara que morava aqui dentro e que nem eu mesmo conhecia direito. Este blog é muito individual; agora, a minha vida é plural. Aprendizado, descoberta de novos prazeres e satisfações, mudanças em geral: de ares, de atitudes no trabalho, de cuidar e de assumir essa personalidade mais autêntica ainda; e da saúde do corpo e da alma que a embala... A chave é uma sombra que está em saltos...

Aos leitores, se ainda os há, deste blog, o meu muito obrigado. Ele ficará por aqui até a data marcada para completar 12 anos, depois será encerrado. Agradeço a quem passar deixar um comentário ou só o próprio nome. No rodapé da página está meu e-mail; quem quiser conversar sobre poesia, estarei sempre às ordens.

Grande abraço,

Adhemar.
adh2bs@gmail.com

São Paulo, 27 de fevereiro de 2020.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

B&A

Não me casei por um triz
Mas, o que mais me importa
depois de conhecer-te, marota,
é que não te faria feliz...

Hoje sou mais um matiz,
desbotado arremedo de amor
Quando curasse essa dor
não te faria feliz...

Passageiro como um traço de giz,
vou e volto no tempo
Meu verdadeiro papel foi no vento,
representar não te faria feliz...

Mas mesmo com tudo assim contra,
meu coração ainda diz
mil vezes ou mais já sem contra:
gosto de ti, minha atriz...


[Adhemar - Pedro Juan Caballero, 27/07/1987]

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

SALTOS

Sombra (Foto: Adh2BS)


Vire a página.
Pule uma folha.
Tome pouco sol,
na hora certa.
Olhe para o azul
- do céu sem nuvem -
observe o movimento
- fique atento -
espere próximo da sombra.

Respire fundo.
Pule o estreito curso d'água.
Vá para onde sopra o vento,
mas ainda sob o sol.
Olhe para o azul
- do céu sem nuvem -
como um direcionamento
- fique atento -
acompanhando a sombra...


[Adhemar - Diadema, 30/08/2018]

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

LAÇAMENTO

Palavras escorregadias
ideias desamarradas,
fugidias...

Uma expectativa ampla dissolvida
O poeta vê significado em tudo,
nas coisas mais insignificantes...

As palavras escorregam pra sentidos desamarrados,
"inconcebidos",
Uma expectativa ampla atendida...

São sucessivos cansaços,
olhos ardidos,
que as palavras escorregam atendendo,
vibrando nos ouvidos atentos,
aturdidos...

São os significados violentos
que as palavras untadas assumem
deixando os olhos comovidos
e que tantos corações não ouvem...

Palavras lisas, "impegáveis",
significados dissolvidos
em misturas homogêneas,
impublicáveis,
cujo alento está perdido...

O poeta tem os braços doloridos.
Palavras suadas,
suaves em seu alegre colorido
que disfarçam a dor e o fingimento.

Palavras escorregadias.
Ideias desamarradas,
fugidias,
para além de todos os sentidos,
para além de todos os dias...

O poeta as persegue,
considerado e esbaforido,
numa neura dessa captura,
perseguição interminável...

Palavras deslizantes,
voadoras e zunindo;
braços abertos batem palmas
a essa expectativa ampla,
animada e bem com a vida.


[Adhemar - São Paulo, 27-30/09/2019]

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

ERROS

Na solidão encontro tantos erros...
Erros de gestão.
Lavo as mãos,
para ter a cabeça entre elas.

Na solidão o olhar se perde
na profundezas do finito.
É;
há um fundo atrás dessa bruma,
um beco no precipício.
As mãos - limpas - soltam a cabeça.
O entorno não gira,
por mais que pareça.

Na solidão
uma rima perdida dá um ar de poesia
na prosa careta.
No silêncio,
que é a solidão da música,
há um quê de solene,
há uma frieza tão funda
que não inaugura uma nota sequer.
Os erros gritam;
surdamente,
pra enlouquecer essa solidão
de incompetência e tristeza.

Na solidão
o fracasso possível se torna certeza.
Um abraço de aço,
um aperto tão forte,
respiração suspensa.
Coração, por favor,
aguenta a pressão,
a pancada e a sentença.

A solidão é essa condenação;
sem julgamento e intensa.
O silêncio é um irmão,
a verdade compensa.
A vaidade inexiste,
a ambição é suspensa.
Cada erro, então,
é uma ingrata surpresa.
O silêncio é um chão
de uma rara dureza.

Na solidão...
encontro tantos erros.
Sem conserto, sem sorte, 
sem rendição.
Sem vida, sem morte,
sem direção.
Sem barulho, sem mote,
sem diversão.

Na solidão
encontro o silêncio,
barulhento e forte.
Nas mãos encontro instrumentos
para abafar o silêncio.
No silêncio
encontro o escuro da noite,
o cintilar das estrelas
e o luar dos acertos.
Na escuridão 
encontro as soluções do futuro:
enterrar os erros.

Solidão...
Folhas molhadas de umas poucas lágrimas.
Jogo fora o mapa dessa fuga
para a solidão silenciosa
e volto para a luz do dia,
acompanhada e ruidosa.


[Adhemar - São Pauilo, 18/08/2018]

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

CERTEZAS

Vou marchando resoluto,
meio puto,
mas cheio de certezas;
dessas que vacilam muito,
não têm arte nem beleza...

Vou seguindo um improviso,
sem aviso,
mas agora vou em frente.
Vou sem freio, sem juízo,
decidido e ardente.

O destino eu desconheço,
não tem preço,
mas uma vaga ideia;
chuva ou frio, sem adereço,
mas a força é velha...

Vou ao sol, ou ao relento, 
rabugento...
Mas, pedi a Deus um guia;
um guia, um alô, um elemento
que me acompanhe nessa vida...


[Adhemar - São Paulo, 29/12/2018]



CRENÇAS

É o texto mais "light" encontrado dentre os escritos há cerca de um ano. Profético: Deus atendeu ao pedido.

Adh, 24/12/2019

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

"METAMORFASES"

Então, foi assim.
Morri um pouco.
Mundo caído,
Sonhos desfeitos,
Projetos interrompidos.
Paixão extinta.

"Semidespertei"
Abri um olho,
Tomei decisões.
Vacilantes.
Hesitantes.
Naquele momento,
Ainda presas a um passado querido...

Iniciei uma busca.
Várias experiências:
Algumas vexatórias,
Outras hilariantes;
Mas a maioria foi muito humana.
Me disseram de novo
O que eu precisava ouvir.
Mas não ouvia.
Foram muitos modos diferentes,
sempre interessados em mim.
No meu resgate.

Até que alguém fez
Quase eclodir;
Que não se deu por uma ironia do tempo,
Uma suave assincronia...
Ainda faltava algo...

Enfim, RENASCI.
Trazido novamente à luz
Após um um impulso repentino.
Inesperado.
Após um movimento instintivo,
Involuntário,
Que me colocou na tela de um radar antenado.
Que sorriu pra mim.
Que me viu profundamente.
Falou de novo tudo o que eu já havia escutado.
Mais intensamente. 
Mais decidida.
Me empurrou fortemente.
Impertinente porque assustada
Com tanto potencial desperdiçado em mim
Que ela enxergava na minha apatia,
Na minha indiferença comedida.
Salto sem paraquedas.
Só que o apoio estava presente,
de mãos estendidas.

Pra que não restassem dúvidas,
Se expôs completamente.
Situação, intenções,
planos pro futuro.
Meu futuro passou a ter mais razões então.
O coração irradiado de uma nova energia,
De uma nova luz.
Amando plenamente outra vez!
Agora voa em pleno dia,
Sem medo, sem amarras:
Veloz.


[P/ ACC]
Adhemar - São Paulo, 10/12/2019

sábado, 30 de novembro de 2019

RASTEIRA

Lá se foi a minha santa paciência
Lá se foi minha ciência
Lá se foi a minha falta de vontade,
minha verdade,
Lá se foi toda a pouca qualidade...

Lá se foi a minha inexperiência
Lá se foi a minha pouca idade
La se foi a minha consciência
vendida num bazar da caridade

Lá se foi a minha diligência
Lá se foi meu velho oeste
Lá se foi minha indecência
minha sobriedade
Lá se foi James West...

Lá se foi a minha pouca complacência
Lá se foi a minha jura
minha cura
Lá se foi minha falência...

Lá se foi toda minha experiência
Lá se foi meu gesto
Lá se foi a minha imprudência
minha bagagem extraviada
Lá se foi minha saudade atrasada

Lá se foi meu avião
meu recurso, habeas corpus
Lá se foi a minha imunidade
Lá se foi a minha impunidade

Lá se foi o meu sonho em vão
Lá se foi o meu plano de futuro
Lá se foi meu coração
minha correnteza de certezas
Lá se foi minha emoção

Lá se foi o meu aplauso
minhas palmas num concurso de beleza
Lá se foi a minha "miss"
Lá se foi minha musa em procissão...

Lá se foi a minha profissão
Lá se foi a minha fé
Lá se foi a minha fome
Lá se foi meu tira-gosto
pois que derrubei o meu café...


[Adhemar - São Bernardo do Campo, 29/09/2016]

domingo, 24 de novembro de 2019

"DIMINUINTE"

Abandonei pensamentos no caminho.
Ou foram eles que me deixaram.
Ecos no vazio da mente.
Gritos ocos, sem voz, dementes.
Palavras desconexas, misturadas,
balbuciadas, fracas, correntes;
detidas entredentes...

Entrementes, telepatia.
Anotações em código no espaço.
Muito espaço sobressalente.
conexão do mar, vento e corrente.
Água submersa em água,
movimentação impaciente.

Abandonei os estudos, a ciência.
Ou fui abandonado pela consciência.
Inconstante, infiel, doente.
De tantos desabafos no papel,
mãos dormentes.

Panoramas desoladoramente lindos...
Acabrunhados e silentes.
Paisagismo imaginário, dominante;
coisa de cenário...

Abandonei a alegria irradiante,
aurora do sol nascente;
luz do céu, surpreendente.

Nesse caminho sem fim, solitário e errante.
Ou foi a rota que me abandonou...?!

... Na última linha da poesia decrescente...


[Adhemar - São Paulo, 25/09/2018]

domingo, 17 de novembro de 2019

MATINAL

São seis horas da manhã chuvosa
Espaço cinza
massa cinzenta sob cabelos brancos
Falta um vento
Falta um oxigênio
Falta um ponto no horizonte
indivisível, pleno

São, serão...
Talvez umas seis e cinco
O ruído que vem de fora é ameno
Existe uma certa surdez
aos ruídos que vem de dentro
Vem com a fome,
indiferente ao tempo
Ao tempo!

Seis e nove,
os ponteiros em contínuo movimento
Os minutos pós seis horas?
Aleatórios. 
Inventados. 
Velhacos.

São seis e treze da manhã chuvosa
que é como se chorando
Lágrima cristalina sobre a face lisa
Falta uma barba mal feita
Falta um soluço, uma rima
Falta um olhar altivo,
incrível, sereno...

São seis e quinze da manhã chuvosa,
cinzenta e sem vento
onde o relógio desacelera
Onde falta uma letra em cima da cama;
onde falta uma razão
para ficar mais tempo em cima dela.


[Adhemar  - São Paulo, 16/11/2019]