No conforto de casa, na acomodação, a vida passa - aparentemente - mais devagar. Até os pássaros vistos da janela parecem parados no céu. Até o sol que entra pela mesma janela nos deixa aquecidos por um interminável instante. E me deparo com a incrível teoria de um estranho, de que o tempo não existe: não existe! Ironia ou revelação? Tento convencer os meus cabelos brancos da simpática teoria. Tento imaginar o espaço, único e monodimensional; tudo ao mesmo tempo agora! A suprema revelação: todas as decisões podendo ser reformuladas, tudo podendo ser revivido de forma alternativa, mais aporfeiçoada - quem sabe? E o verdadeiro dilema ético: arrepender-se ou não, de tudo, ou nada?! e optar por não voltar atrás; ser pretensamente original e viver a própria vida uma vez só, evoluindo e transformando cada ação num eterno momento presente - consciente - conspirando para que a matéria da qual somos feitos mais a energia que atraímos e acumulamos retorne, ou melhor, se transforme em algo cada vez mais interessante; ou, pelo menos, mais útil.
Digamos não às vidas paralelas, àquilo que poderíamos ter sido.
Digamos sim ao que somos e ao que seremos nessa estranha inexistência do tempo!
[Adhemar - São Paulo, 11/08/2005]
NATAL, 2006
Texto escrito em 2005 (aproveitado como cartão de natal em 2006) sobre as considerações de um físico indiano, Amit Goswami, de que o espaço, a matéria e o tempo só existem na nossa consciência. Acho que não entendi bem o que ele quis dizer - talvez sendo até melhor do que se tivesse entendido - porque meu QI de pedra de um maldito materialista custa a admitir a hipótese, por mais fascinante que pareça. E o assunto ainda me intriga, a ponto de, vez por outra, mergulhar nele de novo...
Adhemar, 27/12/2009.
