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sábado, 31 de janeiro de 2009

Diálogo de novela

(ou DO AMOR E OUTROS SUSPENSES)

Por que as mulheres não se contentam com o momento?
Por que são românticas, paradas, "expectantes"?
Por que não o risco, a incerteza, a emoção?

Eu não sei o que é uma sinceridade intensa
ou uma sincera intensidade;
Por que não vou embora?
Por que não a emoção da espera?
O "será que ele volta?"
"Será que ele liga?"
Ou:
"Será que ela gostou de mim?"
"Será que achou uma porcaria?"

Por que os casais fazem tudo tão perfeito no início?
Por que tudo é tão maravilhoso
e cada um preenche o seu papel de príncipe e princesa?
Por que ninguém pensa:
"será que ele mija em pé?"
"Será que ela escova os dentes?"
E a toalha molhada na cama,
a roupa suja espalhada
e os bifes queimados?!

Por que o amor é tão bobo e tão descarado?
(Por que tomar banho juntos para 'quebrar o gelo'?)

Casa redecorada, armário rearrumado.
Por que o amor é tão sério e tão desorganizado?
Por que os papéis correspondem
e depois o trem descarrilha?
Por que encaixamos tão bem
e depois cada um numa trilha?
Por que um sonho tão bom
é tão predestinado?
Por que começa tão bem
e acaba tão errado?
Por que a melhora e a cura
para o que será enterrado?

O par perfeito é a resposta,
pra tudo,
até o que não foi perguntado.
"Você é a mulher dos meus sonhos",
"você é o meu sapo encantado".
Aí, o futebol, os amigos,
os chás, o shopping, trabalho.
A princesa era a fada má;
o príncipe acorda um canalha.

Então, malas feitas, adeus.
Adeus, saudades, mais nada.
Até no rompimento, o cinismo,
o amor que se avacalha.
Período de vida indelével
que se sufoca, se esconde mas não se apaga.

Por que os homens não são mais atentos,
persistentes e cavalheiros?
Por que o amor é um tudo?
E quem não amou não viu nada...

E tudo começa de novo,
com os mesmos, com outros, sei lá.
Felizes dos que, teimosos,
não correm riscos por nada...

[Adhemar - São Paulo, 24/09/2003]

Um comentário:

Adh2bs disse...

Comentário por shintoni — sábado, 31 de janeiro de 2009 (13:10:34)
Adhemar:
Valeu pela participação e pelos elogios!
Como pode perguntar se vai fazer feio? Você é está entre os melhores autores do blog!
E ainda quebra o galho indicando a categoria dos seus posts! Agradeço muito por isso! Às vezes fico quebrando a cabeça para encaixar os textos na(s) categoria(s) mais adequada(s)…
E esta sua poesia é ótima! Já tá lá!
Abração!

Comentário por Gabriela — sábado, 31 de janeiro de 2009 (16:45:31)
Aii qtas vezes essas dúvidas já não assolaram minha mente!!! Mas fazer o q se a gente é teimoso msm!!!
=D

Comentário por Priscill@ — segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009 (10:05:06)
Soneto do Amor
Este infinito amor de um ano faz
Que é maior do que o tempo e do que tudo
Este amor que é real e que contudo
Eu já não cria que existisse mais.
Este amor que surgiu insuspeitado
E que dentro do drama fez-se em paz
Este amor que é túmulo onde jaz
Meu corpo para sempre sepultado.
Este amor meu é como um rio; um rio
Noturno, interminável e tardio
A deslizar macio pelo ermo…
E que em seu curso sideral me leva
Iluminado de paixão na treva
Para o espaço sem fim de um mar sem termo.
Autor: (Vinícius de Moraes)
Foi retirado pelo site:

http://www.ziipi.com/result?pesquisa=poesia+de+amor

Comentário por Daisy — segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009 (12:39:46)
Amor, para mim, é a triste alegoria do impossível, quando nos remete ao mundo físico!
Amor, para mim, está nas entranhas da sutil realidade possível, quando voga o respeito pela individualidade.
Amor, para mim, é surreal quando dele se espera príncipes ou princesas.
Nem príncipes, tampouco princesas, mas reis e rainhas.
E estes, sempre tentam reger seu próprio concerto!
Grande beijo.
Daisy