Emergência, urgência, premência...
Pressa, atraso, angústia.
Desalinhamento.
Olhar crítico sobre a posição do quadro.
Olhar analítico sobre a posição de tudo,
impossivelmente convencido e posudo.
Irremediavelmente obtuso.
Análise, diagrama, esquema.
Um projeto detalhado ou um problema?
Diante do desastre a contemplar extasiado,
o olhar meio espantado,
meio poema...
Afirmativamente abestalhado,
atrapalhado abantesma...
Objetividade, produtividade e lucro.
Correr atrás do próprio rabo
como se fôra um cachorro meio xucro.
Deprimente olhar esbugalhado,
estabelecido e delicado,
delirantemente distraído;
deliberadamente espalhado.
Afirmativo, positivo e avançado,
talvez flagrado em posição de impedimento.
Desconsolado, descolar um fingimento,
valentemente, segurar no fio desencapado.
Balançar a cabeça num fingido entendimento
do incompreensível, resumido e detalhado.
Piada de um palhaço engraçado,
contraditória em trajetória desviada.
Alçar os braços num gesto de vitória
mesmo perdendo na saúde e na doença.
Paralisado em alta velocidade,
acelerado e parando ao mesmo tempo;
se dividindo, se desintegrando
em tantas partes que contar já é história.
Cintilando cada fragmento,
em órbita no espaço divagando;
vai transformando em estrela, cada pedaço,
mais intenso, mais perdido e mais brilhando.
Futuro, experiência e esperança.
Planejamento impreciso e falhando.
Num momento voltar a ser criança
e sentir-se, outra vez, recomeçando!
[Adhemar - São Paulo, 08/02/2009]