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sábado, 11 de abril de 2009

Ocorrência

As palavras se perderam cantadas ao vento,
escorridas pelo ralo do chuveiro
ou pelos ecos do pensamento...

As palavras se perderam foragidas, exiladas,
refugiadas do seu próprio sentido,
estranhas e mortificadas.

As palavras se perderam caladas,
embriagadas de desentendimento,
frustradas, entediadas pelo divertimento.

As palavras se perderam consagradas a um momento,
a um amor , uma paisagem,
uma passagem no portal do tempo.

As palavras se perderam confundidas,
misturadas aos gritos da torcida...

As palavras se perderam, se encontraram
e resolveram não dizer mais nada.

[Adhemar - São Paulo, 10/04/2009]

terça-feira, 7 de abril de 2009

LUA

O espaço infinito dividido em astros.
O coração é como espaço infinito,
infinitos astros.

Nós, que não somos nada,
temos um infinito espaço guardado em nós,
vibrante, pulsátil.

Lembre sempre
- e nos momentos mais angustiosos -
que és a Lua nesse meu cosmo interno.
Um pequenino mas brilhante astro,
lindo de se ver em todas as fases,
influente nas marés, nos ventos,
nas tempestades...

Inspiradora de canções, poemas,
amor e... Saudades!

P/ SM
[Adhemar - 24/05/1999]

sábado, 4 de abril de 2009

ATROPELAMENTO

Emergência, urgência, premência...
Pressa, atraso, angústia.
Desalinhamento.
Olhar crítico sobre a posição do quadro.
Olhar analítico sobre a posição de tudo,
impossivelmente convencido e posudo.
Irremediavelmente obtuso.

Análise, diagrama, esquema.
Um projeto detalhado ou um problema?
Diante do desastre a contemplar extasiado,
o olhar meio espantado,
meio poema...
Afirmativamente abestalhado,
atrapalhado abantesma...

Objetividade, produtividade e lucro.
Correr atrás do próprio rabo
como se fôra um cachorro meio xucro.
Deprimente olhar esbugalhado,
estabelecido e delicado,
delirantemente distraído;
deliberadamente espalhado.

Afirmativo, positivo e avançado,
talvez flagrado em posição de impedimento.
Desconsolado, descolar um fingimento,
valentemente, segurar no fio desencapado.
Balançar a cabeça num fingido entendimento
do incompreensível, resumido e detalhado.

Piada de um palhaço engraçado,
contraditória em trajetória desviada.
Alçar os braços num gesto de vitória
mesmo perdendo na saúde e na doença.
Paralisado em alta velocidade,
acelerado e parando ao mesmo tempo;
se dividindo, se desintegrando
em tantas partes que contar já é história.

Cintilando cada fragmento,
em órbita no espaço divagando;
vai transformando em estrela, cada pedaço,
mais intenso, mais perdido e mais brilhando.
Futuro, experiência e esperança.
Planejamento impreciso e falhando.
Num momento voltar a ser criança
e sentir-se, outra vez, recomeçando!

[Adhemar - São Paulo, 08/02/2009]