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domingo, 5 de julho de 2009

Desmoronamento ritual

Assim, num gesto impulsivo,
um vislumbre, um repente.
Percebo que não consigo
seguir em frente.

Daí, num momento afobado,
ridículo e muito impreciso
percebo que não acabo
nem aviso.

Sucede um desastrado gesto
inconcebido, perturbado;
percebo que manifesto
um desagrado.

Nessa clausura abro um postigo
e, cego, não vejo nada.
Talvez seja um amigo
esta cela abandonada.

Até que num gesto irrefletido,
um improviso, ousadia,
percebo que não desisto
ainda que acabe o dia.

E sem saber como ou direito,
eu desabafo, abro o peito
e fico assim meio sem jeito
neste verso mal feito...

[Adhemar - São Paulo, 31/07/2008]

2 comentários:

... disse...

Com o sempre dom de ir fundo em sensações...
"Até que num gesto irrefletido,
um improviso, ousadia,
percebo que não desisto
ainda que acabe o dia.

E sem saber como ou direito,
eu desabafo, abro o peito
e fico assim meio sem jeito"
Lindos versos... como o vento no rosto numa manhã silenciosa.

Adh2bs disse...

Comentário por TATIANA REZENDE — sexta-feira, 10 de julho de 2009 (10:30:30)
Que verso mal feito que nada…
Beijos!