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sábado, 11 de julho de 2009

GRAVIDADE

Sou apegado ao chão; um salto já significa um afastamento demasiado ousado da terra. Subir uma escada só se justifica a partir de uma lógica absolutamente irretorquível e inescapável. Voar, então, nem se fala! Asas delta, pára-quedas, aviões, foguetes e satélites são um produto do delírio e da pretensão humana em se igualar a Deus.

Claro que há exceções: por exemplo, quando a gente salta da margem para nadar num rio, ou no mar; quando o pulo, originado por um forte impulso, resulta numa bela cabeçada ao gol; e até na mesmo para defender a bola se o saltador em questão for um goleiro.

Voar para os braços da amada, estar nas nuvens e levitar de felicidade são exemplos de metáforas permitidas, aceitáveis. Flutuar, principalmente a alma desprendida do corpo é a última das metáforas, o melhor dos impasses e, quem sabe, o mais belo ângulo de contemplação da terra e do espaço.

[Adhemar - São Bernardo do Campo, 27/12/2005]

2 comentários:

Gabriela Domiciano disse...

eu, se pudesse, qria voar!!!
=)

Adh2bs disse...

Comentário por TATIANA REZENDE — quarta-feira, 15 de julho de 2009 (10:02:18)
O problema é quanto falta o chão…