Impressões pessoais e a sutileza que entremeia diferentes expressões destas artes: a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida. (Imagem: Perspectiva do Labirinto - Foto: Adh2bs)
domingo, 30 de agosto de 2009
Subvertido!
só que errei o tema:
encaixei Lampião - e uma ladra -
que de ninguém tem pena.
Olhe, pus Ronald Bigs!
Um belo ladrão - oh! Sim!
E, sem querer, pus aqui
Mancha Negra e Arsène Lupin.
Só faltou mesmo Robin Hood
nesta quadras confusa,
ou bandidos de Hollywood...
Coisa que não se usa...
Enfim, saí mesmo da trilha
e quadra virou "quadrilha"!
[Adhemar - novembro/1981]
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
HISTÓRIAS
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Cenário
esconde os olhos claros, tão profundos.
O semblante tão sereno até suspira
sonhando certamente, outros mundos.
tão suave no seu leve murmurar.
O dia clareando esquece o ontem
preparando emoções que vão passar.
mostra, discreto, as emoções da noite.
O sol, nem tão discreto, a apontar
aos passarinhos o rumo da fonte.
do matutino torpor, tão natural.
A brisa entra silenciosa a perfumar
enquanto o dia promete uma paz total...
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
ASSIM DO NADA...
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sábado, 22 de agosto de 2009
Carta de amor
Amada.
Por que e pra que são as únicas perguntas. Lembrar de você, pensar e desesperar num nó: esquecido por ti me pergunto por que. Por que tua obsessiva presença nos meus sonhos? E nos meus pensamentos? A razão da procura está em cada canto onde passo.
Músicas sensíveis me retiram da realidade e me fazem procurar-te no mais alto onde tu possas estar. Depois, o pensamento se desvia, eu fico triste, registro no bloco os pensamentos opressivos - nesse calor que tua lembrança me traz... Mais uma vez estás aqui, tão viva que já nem posso ver a tua flor.
Sinto vontade de escrever, chorar, escrevo e choro numa esperança insana de te comover; choro pela tua flor morta nessa minha inépcia de te amar desesperadamente...
E é só o que posso fazer.
P/BSF
[Adhemar - São Paulo, 12/10/1987]
Flor morta
Originalmente poesia, este texto foi "ajeitado" para ser enviado ao blog "Duelos Literários". Passem por lá!
Adhemar, 22/08/2009.
domingo, 16 de agosto de 2009
Torpor
Véspera de gripe.
Assar os dedos na testa.
Um anseio aflito pra tossir.
Um globo ocular dolorido,
o outro doido pra dormir.
Um frio enorme,
agasalhado,
num tremor muito suado.
Coriza e iceberg.
Ossos vibrados.
Cabeça grande,
o resto entregue.
Véspera de gripe;
crise de vitamina.
Uma fome nauseada
e muito creme por cima.
Dói até o cabelo,
um espirro muda o clima.
Conforto no desassossego
a se indispor no aconchego.
Entrecortar o soluço
e sufocar com remédio...
[Adhemar - São Paulo, 28/07/2008]
Suína?
Escrito muito antes de aparecer a tal da gripe suína, esse texto surgiu numa véspera de gripe. Aliás, quando aparecem os sintomas, resisto obstinadamente em "aceitá-los", mentalizo que não vou adoecer e fico me repetindo isso como um "mantra". Aprendi isso com minha mãe e quase sempre dá certo... É lógico que essa providência vem devidamente acompanhada de precauções e, raramente, por remédios. Mas voltando pra "influenza"; hoje, um espirro não só muda o "clima" como pode provocar um linchamento...
Desejo a todos muita saúde e, sem pânico, alguns cuidados a mais!
Adhemar, 16/08/2009.
sábado, 15 de agosto de 2009
SELOS!!!
Ah, é...

Fui generosamente agraciado pela Nina - do blog "O que sobra do bagaço" com um selo - Vale a pena ficar de olho nesse blog - criado por Sandra Françoso (cujo blog não tive oportunidade de visitar ainda). É preciso que eu diga que custei a entender essa coisa de selo, porque a princípio achava que era "fetiche de blogueiro", brincadeira ou uma espécie de identidade entre blogs que tratassem de assuntos semelhantes. Então comecei a fuçar a história de selos colocados em blogs até chegar a seguinte conclusão: é uma forma de reconhecimento entre as pessoas que acabam apreciando o conteúdo de outros blogs com os quais se identificam. Eu mesmo aderi a essa história de blog como um teste para o interesse que aquilo que escrevo possa ter para para outras pessoas... E acabei descobrindo um mundo interessantíssimo, encontrando gente como a gente que expressa o que pensa ou o que inventa de maneiras muito legais, onde a gente aprende bastante sobre a gente mesmo e sobre os outros. E deixei de encarar o blog como uma mania (inclusive minha) e passei a ver esse tipo de comunicação como um fórum livre, onde formam-se redes de amigos virtuais atraídos pelo assunto ou pela forma como que escrevem.
Enquanto isso, eis que me presenteiam com outro selo, dado simultaneamente por dois blogueiros no "Arquitetura e poesia: Literatório 2": Master Blog, oferecido por Finityster do blog "Eu quero que você leia" e por Shintoni, do "Duelos Literários" do qual já participei algumas vezes.
Para finalizar, gostaria de expressar meu agradecimento pela distinção e de esclarecer que, vaidoso e convencido que sou dessas coisas, aceitei os dois selos e suas respectivas regras com meus indicados. E declaro que, só não estão postados ainda porque não consigo importar as imagens! Assim que meu asessor para assuntos de informática me ensinar eles estarão aqui e lá; aliás, estou tentando juntar o conteúdo mais antigo para este blog e ficar com um só.
Grande abraço,
Adhemar.
domingo, 9 de agosto de 2009
Encontro sonhado
Precisei imaginar, forjar uma imagem possível: meu pai. Me esperando num canto de um lugar onde nunca esteve antes, sorriu e me abraçou, me deixou beijá-lo; embora lembrando-me que não éramos muito disto. Deu uns conselhos para que eu administrasse melhor a situação. Recomendou-me o que não sou capaz de fazer: prudência e determinação! Está alegre com os netos (meus filhos e os de meu irmão), com a inteligência de todos e o desenvolvimento de cada um. Preocupa-se com o que leva seu nome pois é quase igualzinho ao pai... Alertou para a atenção aos demais, todos muito levados e atrevidos. Comentou nosso time lamentando por um passado que não volta mais. E fez um pedido antes de iir embora: "menino, cuida de tua mãe..."
[Adhemar - São Paulo, 10/05/2003]
Visão forçada
Quis tanto sonhar com meu pai que, em não conseguindo, inventei esse aí. Na época do texto, ainda não estavam conosco a filha de meu irmão caçula, nem os filhos de minha irmã. Mesmo onde esteja, por certo o pai está inchado de orgulho com a netaiada (são oito, atualmente...). Enfim, sempre muita saudade, ainda mais nesses dias evocativos.
A todos, um grande abraço pelo dia dos pais, ainda que eles estejam ausentes fisicamente, pois estarão sempre presentes na vida da gente; e para aqueles que tiverem os seus ainda por perto, curtam o seu velho pois quando ele não está por aí faz uma falta danada... Seja qual for o relacionamento que cada um tem com o seu; por pior que alguém ache que seu pai é, lembre-se que ao menos um espermatozóide legal ele tinha de bom!
Adhemar, 09/08/2009.
sábado, 8 de agosto de 2009
RODA
O homem inventou a invenção,
a mentira bem intencionada,
a lorota deslavada
e a inocente omissão.
O homem inverteu a inversão,
a fúria descontrolada,
a ira desgovernada
e a angústia do coração.
O homem emocionou a emoção,
a maneira bem educada,
a despedida chorada
e o aceno de mão.
O homem racionalizou a razão,
a filosofia desesperada,
a morte bem educada
e o adeus na negação.
O homem rezou a oração
na senda mais que sagrada,
abençoado na estrada
e santo na imensidão.
O homem nasceu campeão
na sua senda trilhada,
passo a passo palmilhada
e rica de intenção.
O homem criou a criação,
uma beleza ensaiada,
um "big bang", mais nada,
e cresceu na imensidão...
[Adhemar - Santo Antonio do Amparo - MG, 08/07/2006]
Quadrado
Estarei ausente mais do que de costume; um novo desafio se apresenta, um trabalho instigante e - espero - recompensador. Enquanto me provo capaz (sabe-se lá!), talvez falte tempo pra cá. Grande abraço,
Adhemar, 08/08/2009.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
PALOMA (Colomba)
A pequena coisa branca abriu as asas, se molhou, se sacudiu e voou. Voou só um pouquinho, para saber se já podia. Voltou à fonte e ficou a olhar em volta. Saltitou, depois bebeu. Vislumbrou perigo nuns olhos felinos e mansos. Mansos demais.
Alçou-se mais acima e não parou, pois reptilmente a esperavam noutro galho. Então quedou-se muda e silenciosa, batendo as asas num ponto seguro do ar, acima da fonte.
Pressentiu apenas sob o imenso céu azul a intenção rapina de um ponto que crescia velozmente. Rapidamente decidiu-se num vôo mergulhado e ágil enquanto s esgueirava dos perigos. Foi quando viu os olhos inocentes lhe acenando. Infantil, pensou-se segura e aproximou-se. Mal deu tempo de identificar o estampido: apenas viu o lindo sorriso, sua última visão do mundo que sumia.
Ficou caída, toda branca e gotejada de vermelho, doce símbolo da paz.
[Adhemar - Aracaju, 28/01/1988]
sábado, 1 de agosto de 2009
Impressões
Sair para tomar um ar, respirar e... Ver o céu estrelado. Cidade grande não tem céu estrelado. Na cidade grande a gente também não tem tempo de olhar para cima.
Continuar com a mesma ansiedade de antes, agora por saber não poder prolongar a estadia no ar puro, sob o céu estrelado. Calor sem pressa, céu azul - claro de dia, marinho à noite.
Entroncamento de caminhos para um pouco de história: base de bandeirantes aqui perto (Porto Feliz), formação geológica específica mais adiante (Itu)... Enfim, o epicentro de uma paz perfeita. Mas como tudo o que acontece de mau jeito quando a gente leva uma vida errada, fim, acabou. Temos de ir embora.
Retorna a ansiedade angustiada, cresce o mau humor, afloram nossas fraquezas na rotina corrida. Adeus, tranquilidade, até a vista bem viver e bem curtir a natureza...
[Adhemar - Boituva, 21/04/1999]