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domingo, 30 de agosto de 2009

Subvertido!

Quis fazer uma quadra,
só que errei o tema:
encaixei Lampião - e uma ladra -
que de ninguém tem pena.

Olhe, pus Ronald Bigs!
Um belo ladrão - oh! Sim!
E, sem querer, pus aqui
Mancha Negra e Arsène Lupin.

Só faltou mesmo Robin Hood
nesta quadras confusa,
ou bandidos de Hollywood...

Coisa que não se usa...
Enfim, saí mesmo da trilha
e quadra virou "quadrilha"!

[Adhemar - novembro/1981]

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

HISTÓRIAS

O tempo despista os perseguidores; acelera-se ou se retrai marcando os segundos, os minutos e as horas. Daí para dias, semanas e meses é um pulo. Quando nos dermos conta, já foram anos, lustros ou décadas; nós, que atravessamos uma mudança de século! E o tempo sempre adiante, segue em desabalada carreira fazendo-nos dizer asneiras dada a nossa pressa urgente. Hipnoticamente. Com as pálpebras cansadas vemos o tempo despistar seus perseguidores e vemos envelhecer o universo dentro do mesmo tempo, incontido e cruel.
[Adhemar - Boituva, 29/07/2005]

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Cenário

*
Linda, nua e adormecida
esconde os olhos claros, tão profundos.
O semblante tão sereno até suspira
sonhando certamente, outros mundos.
*
A janela, de tão ampla, mostra a fonte
tão suave no seu leve murmurar.
O dia clareando esquece o ontem
preparando emoções que vão passar.
*
O quarto bagunçado - tudo por guardar -
mostra, discreto, as emoções da noite.
O sol, nem tão discreto, a apontar
aos passarinhos o rumo da fonte.
*
Enfim, a vida aos poucos parece despertar
do matutino torpor, tão natural.
A brisa entra silenciosa a perfumar
enquanto o dia promete uma paz total...
***
[Adhemar - São Paulo, 22/05/1987]

domingo, 23 de agosto de 2009

ASSIM DO NADA...

Uma perturbadora sensação, tão de repente,
advinda de um perfume, um sorriso, uma risada.
Perder o rumo, desorientado viajante,
sem bagagem, sem lembrança, sem mais nada.
*
Na meia-luz da meia-noite num instante
salta aos olhos a aflição desesperada.
No ôco do coração desimportante
sem passado, sem perdão, desconsolada.
*
No brilhar de escuros olhos, um flagrante
na voz tonitroante e ensolarada,
envolvente, sussurrante, aveludada.
*
Nem promessas, nem futuro, nem a alma entusiasmada;
somente uma visão pessimista e intrigante
de ser o amor uma besteira e o coração um farsante!
***
[Adhemar - Santo André, 07/11/2008]

sábado, 22 de agosto de 2009

Carta de amor

Amada.

Por que e pra que são as únicas perguntas. Lembrar de você, pensar e desesperar num nó: esquecido por ti me pergunto por que. Por que tua obsessiva presença nos meus sonhos? E nos meus pensamentos? A razão da procura está em cada canto onde passo.

Músicas sensíveis me retiram da realidade e me fazem procurar-te no mais alto onde tu possas estar. Depois, o pensamento se desvia, eu fico triste, registro no bloco os pensamentos opressivos - nesse calor que tua lembrança me traz... Mais uma vez estás aqui, tão viva que já nem posso ver a tua flor.

Sinto vontade de escrever, chorar, escrevo e choro numa esperança insana de te comover; choro pela tua flor morta nessa minha inépcia de te amar desesperadamente...

E é só o que posso fazer.

P/BSF
[Adhemar - São Paulo, 12/10/1987]

Flor morta

Originalmente poesia, este texto foi "ajeitado" para ser enviado ao blog "Duelos Literários". Passem por lá!

Adhemar, 22/08/2009.

domingo, 16 de agosto de 2009

Torpor

Véspera de gripe.
Assar os dedos na testa.
Um anseio aflito pra tossir.
Um globo ocular dolorido,
o outro doido pra dormir.

Um frio enorme,
agasalhado,
num tremor muito suado.
Coriza e iceberg.
Ossos vibrados.
Cabeça grande,
o resto entregue.

Véspera de gripe;
crise de vitamina.
Uma fome nauseada
e muito creme por cima.
Dói até o cabelo,
um espirro muda o clima.

Conforto no desassossego
a se indispor no aconchego.
Entrecortar o soluço
e sufocar com remédio...

[Adhemar - São Paulo, 28/07/2008]

Suína?

Escrito muito antes de aparecer a tal da gripe suína, esse texto surgiu numa véspera de gripe. Aliás, quando aparecem os sintomas, resisto obstinadamente em "aceitá-los", mentalizo que não vou adoecer e fico me repetindo isso como um "mantra". Aprendi isso com minha mãe e quase sempre dá certo... É lógico que essa providência vem devidamente acompanhada de precauções e, raramente, por remédios. Mas voltando pra "influenza"; hoje, um espirro não só muda o "clima" como pode provocar um linchamento...

Desejo a todos muita saúde e, sem pânico, alguns cuidados a mais!

Adhemar, 16/08/2009.

sábado, 15 de agosto de 2009

SELOS!!!

Ah, é...

Fui generosamente agraciado pela Nina - do blog "O que sobra do bagaço" com um selo - Vale a pena ficar de olho nesse blog - criado por Sandra Françoso (cujo blog não tive oportunidade de visitar ainda). É preciso que eu diga que custei a entender essa coisa de selo, porque a princípio achava que era "fetiche de blogueiro", brincadeira ou uma espécie de identidade entre blogs que tratassem de assuntos semelhantes. Então comecei a fuçar a história de selos colocados em blogs até chegar a seguinte conclusão: é uma forma de reconhecimento entre as pessoas que acabam apreciando o conteúdo de outros blogs com os quais se identificam. Eu mesmo aderi a essa história de blog como um teste para o interesse que aquilo que escrevo possa ter para para outras pessoas... E acabei descobrindo um mundo interessantíssimo, encontrando gente como a gente que expressa o que pensa ou o que inventa de maneiras muito legais, onde a gente aprende bastante sobre a gente mesmo e sobre os outros. E deixei de encarar o blog como uma mania (inclusive minha) e passei a ver esse tipo de comunicação como um fórum livre, onde formam-se redes de amigos virtuais atraídos pelo assunto ou pela forma como que escrevem.

Enquanto isso, eis que me presenteiam com outro selo, dado simultaneamente por dois blogueiros no "Arquitetura e poesia: Literatório 2": Master Blog, oferecido por Finityster do blog "Eu quero que você leia" e por Shintoni, do "Duelos Literários" do qual já participei algumas vezes.

Para finalizar, gostaria de expressar meu agradecimento pela distinção e de esclarecer que, vaidoso e convencido que sou dessas coisas, aceitei os dois selos e suas respectivas regras com meus indicados. E declaro que, só não estão postados ainda porque não consigo importar as imagens! Assim que meu asessor para assuntos de informática me ensinar eles estarão aqui e lá; aliás, estou tentando juntar o conteúdo mais antigo para este blog e ficar com um só.

Grande abraço,

Adhemar.

domingo, 9 de agosto de 2009

Encontro sonhado


Precisei imaginar, forjar uma imagem possível: meu pai. Me esperando num canto de um lugar onde nunca esteve antes, sorriu e me abraçou, me deixou beijá-lo; embora lembrando-me que não éramos muito disto. Deu uns conselhos para que eu administrasse melhor a situação. Recomendou-me o que não sou capaz de fazer: prudência e determinação! Está alegre com os netos (meus filhos e os de meu irmão), com a inteligência de todos e o desenvolvimento de cada um. Preocupa-se com o que leva seu nome pois é quase igualzinho ao pai... Alertou para a atenção aos demais, todos muito levados e atrevidos. Comentou nosso time lamentando por um passado que não volta mais. E fez um pedido antes de iir embora: "menino, cuida de tua mãe..."

[Adhemar - São Paulo, 10/05/2003]

Visão forçada

Quis tanto sonhar com meu pai que, em não conseguindo, inventei esse aí. Na época do texto, ainda não estavam conosco a filha de meu irmão caçula, nem os filhos de minha irmã. Mesmo onde esteja, por certo o pai está inchado de orgulho com a netaiada (são oito, atualmente...). Enfim, sempre muita saudade, ainda mais nesses dias evocativos.

A todos, um grande abraço pelo dia dos pais, ainda que eles estejam ausentes fisicamente, pois estarão sempre presentes na vida da gente; e para aqueles que tiverem os seus ainda por perto, curtam o seu velho pois quando ele não está por aí faz uma falta danada... Seja qual for o relacionamento que cada um tem com o seu; por pior que alguém ache que seu pai é, lembre-se que ao menos um espermatozóide legal ele tinha de bom!

Adhemar, 09/08/2009.

sábado, 8 de agosto de 2009

RODA

O homem inventou a invenção,
a mentira bem intencionada,
a lorota deslavada
e a inocente omissão.

O homem inverteu a inversão,
a fúria descontrolada,
a ira desgovernada
e a angústia do coração.

O homem emocionou a emoção,
a maneira bem educada,
a despedida chorada
e o aceno de mão.

O homem racionalizou a razão,
a filosofia desesperada,
a morte bem educada
e o adeus na negação.

O homem rezou a oração
na senda mais que sagrada,
abençoado na estrada
e santo na imensidão.

O homem nasceu campeão
na sua senda trilhada,
passo a passo palmilhada
e rica de intenção.

O homem criou a criação,
uma beleza ensaiada,
um "big bang", mais nada,
e cresceu na imensidão...

[Adhemar - Santo Antonio do Amparo - MG, 08/07/2006]

Quadrado

Estarei ausente mais do que de costume; um novo desafio se apresenta, um trabalho instigante e - espero - recompensador. Enquanto me provo capaz (sabe-se lá!), talvez falte tempo pra cá. Grande abraço,

Adhemar, 08/08/2009.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

PALOMA (Colomba)

A pequena coisa branca abriu as asas, se molhou, se sacudiu e voou. Voou só um pouquinho, para saber se já podia. Voltou à fonte e ficou a olhar em volta. Saltitou, depois bebeu. Vislumbrou perigo nuns olhos felinos e mansos. Mansos demais.

Alçou-se mais acima e não parou, pois reptilmente a esperavam noutro galho. Então quedou-se muda e silenciosa, batendo as asas num ponto seguro do ar, acima da fonte.

Pressentiu apenas sob o imenso céu azul a intenção rapina de um ponto que crescia velozmente. Rapidamente decidiu-se num vôo mergulhado e ágil enquanto s esgueirava dos perigos. Foi quando viu os olhos inocentes lhe acenando. Infantil, pensou-se segura e aproximou-se. Mal deu tempo de identificar o estampido: apenas viu o lindo sorriso, sua última visão do mundo que sumia.

Ficou caída, toda branca e gotejada de vermelho, doce símbolo da paz.

[Adhemar - Aracaju, 28/01/1988]

sábado, 1 de agosto de 2009

Impressões

Sair para tomar um ar, respirar e... Ver o céu estrelado. Cidade grande não tem céu estrelado. Na cidade grande a gente também não tem tempo de olhar para cima.

Continuar com a mesma ansiedade de antes, agora por saber não poder prolongar a estadia no ar puro, sob o céu estrelado. Calor sem pressa, céu azul - claro de dia, marinho à noite.

Entroncamento de caminhos para um pouco de história: base de bandeirantes aqui perto (Porto Feliz), formação geológica específica mais adiante (Itu)... Enfim, o epicentro de uma paz perfeita. Mas como tudo o que acontece de mau jeito quando a gente leva uma vida errada, fim, acabou. Temos de ir embora.

Retorna a ansiedade angustiada, cresce o mau humor, afloram nossas fraquezas na rotina corrida. Adeus, tranquilidade, até a vista bem viver e bem curtir a natureza...

[Adhemar - Boituva, 21/04/1999]