quinta-feira, 8 de outubro de 2009

ANSIEDADE

O vento cíclico da pressa se abate sobre o vivente logo após um período bem vivido. Um período vivido de fato, com tempo para olhar coisa por coisa, observar calmamente a paisagem e aprender - revivendo - um pouco de história. Período de hiato na conturbada vida urbana. Período infelizmente finado, bruscamente interrompido para quem estava praticamente parado!

De volta ao malfadado cotidiano, pouco a pouco aceleramos o ritmo, quase imperceptivelmente. Quando nos damos conta, fomos colhidos no vento cíclico da pressa. Realizamos as tarefas como autômatos, nunca desafogando a pilha de coisas por fazer e sequer analisando se o que é feito é realmente necessário. Perdido o crivo crítico, estamos totalmente engolidos pelo ciclone apelidado de vida moderna. Não prestamos mais atenção aos filhos, aos fatos, à conquista do campeonato, ao disse-que-disse, quem foi que disse, por que é que disse. Esquecemos de telefonar pra mãe, de visitar a vó e de dar um oi aos amigos. O trabalho se avoluma, o dinheiro escasseia e um abraço pra quem fica.

Nesse ponto os nervos já estão em frangalhos, o cérebro cansado e as reações automáticas. O sono já não repousa, ignoramos dores físicas e morais. Muitos sucumbem nessa fase. Um coração estourado, aneurisma, acidente de carro. Parar?! Só esticado no próprio velório. "Tão bom, coitado, tão dedicado..." Que nada! Era só mais um idiota estressado! Um ideal de vida esquecido, uma luta obstinada por nada. Esquecido dos pés no riacho, esquecido do céu estrelado; esquecido o sorriso sincero, a graça de um momento de convívio... Presente nessa lembrança torturante só mesmo a covardia de não fazer nada para mudar a própria história...

[Adhemar - São Paulo, 15/08/2006]

Um comentário:

Adh2bs disse...

Comentário por Gaby — sexta-feira, 9 de outubro de 2009 (10:14:44)
Olá !!!!
Eu sei bem o que essa tal de ansiedade
que me levou a rounds incriveis o esgotamento
total do corpo e da mente.
Até que um dia parei em meio a este tumulto mental
e me perguntei se era istó que queria para minha
vida poxa 24 anos assim ??? imagina eu com 44 anos??
Lutar contra a ansiedade e a todo momento viver
melhor mais saudavel e sabe de uma coisa agora desconto
está ansiedade nas minhas aulas de aerobica e saio
de lá bem mais tranquila.
E assim que combato ela todos os dias. o meio que encontrei…
Abraços ´bom feriado!!!

Comentário por Tatiana — sábado, 10 de outubro de 2009 (11:24:42)
O grande problema do vento é que ele sempre nos leva para o passado e para o futuro. Sei lá, de repente seria melhor apenas uma brisa, a que nos deixa no presente…
Bjs,
Tati.

Comentário por Selma Barcellos — sábado, 10 de outubro de 2009 (16:39:16)
Adhemar, nessas horas é sempre bom ter por perto os sapatos encantados. Daqueles que calçou… partiu! Para trás ou para frente. Em busca das boas lembranças ou do que sonhamos adiante. Sei que me entende: calcemos poesia.
Abraços de Selma.