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domingo, 1 de novembro de 2009

Implicâncias desérticas

No auge do trajeto, pouso forçado.
Deserto.
Uma inundação de nada,
absoluta e refratária.

Nos olhos,
um brilho dolorido por todos os lados.
Uma única fumaça sai da lata arregaçada.
Narinas ressecadas, pulmões opressos.
Um enorme calor apavorante,
pés inchados.

No mais alto,
um inclemente azul rascante.
Nem garganta, nem dentes.
A boca faz o gesto desnecessário
a procura do que não há,
dentro da sede.

Fusão de pensamentos.
Fusão de areia e céu no horizonte.
Elétricas tempestades,
elétricas ausências;
as mãos inquietas
evitando acenos vãos.

Visão de oásis,
folha quebrada pelo inexistente vento.
A mais absoluta solidão
entrando dentro,
numa discreta algazarra
de abandono e lassidão.

[Adhemar - São Paulo, 28/07/2008]

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