sábado, 26 de dezembro de 2009

Cavernas aparentes


Sobre a última saída paira uma bruma vermelha; uma luz estranhamente difusa se confundindo ao ocaso. Na linha do horizonte, uma cara alaranjada espiando a noite chegar. No plano azul esverdeado desse oceano de fim de tarde, a sombra da montanha em cujo ventre há um caminho. Há um caminho mais do que evidente cortando atalhos, levando a minas de preciosas coleções: carvão e diamantes, opostos tão parentes!

Pela última saída, os avisos sobre o perigo da chuva vermelha que leva consigo muito da essência desse ventre. Tanto carbono, tanto hidrogênio que talvez desse para fabricar gente! Tanta química e biologia num simples buraco sem fundo, num simples mistério oculto...

Da luz da bruma vermelha se apagando com a noite, a escura certeza desses veios ricos e silenciosos, tentadores e desafiantes. Carvão, carbono, caverna. Audácia, temores e vida pelo duto da montanha opressora, repleta de diamantes e de escuridão.

[Adhemar - São Paulo, 31/07/2008]

Um comentário:

Edson Carmo disse...

Li agora pouco um texto seu, o que me deixou maravilhado...

Que Deus em ti renove a cada manhã a sabedoria, a poesia, a maestria com que escreves.

Agradeço a existência por você existir.

Abraços,

Edson Carmo