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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

ADEUS ANO VELHO



Se eu fosse me despedir
não choraria.
Não mentiria e não iria enganar.

Se eu fosse me despedir
não diria nenhuma poesia
e não prometeria voltar.

Se eu fosse me despedir
não seria a distância
e nem um frio dispensar.

Se eu fosse me despedir
a voz não iria embargar.
Os olhos não iam fugir
e as mãos, sem se inquietar.

Se eu fosse me despedir
num cadáver não ia pisar
e tampouco o passado lamentaria.

Se eu fosse me despedir
não iria agradecer
nem iria cobrar.

Se eu fosse me despedir
não ira ser sem olhar nos olhos.

Se eu fosse me despedir
sem acenos nem cenas
diria somente:
- Adeus.

[Adhemar - São Paulo, 14/05/1987]

Diria somente adeus

Pois é, repetindo o que digo sempre, todos os anos à meia-noite do dia 31 de dezembro, despedindo-me do ano que passou. Em geral com poucos arrependimentos e muitos agradecimentos, os tradicionais planos do que fazer não só no ano que se inicia mas também, daqui pra frente. Passando a limpo a agenda. Tomando decisões inesperadas. Enfim, como todo o mundo, vivendo.

Forte abraço, ótima passagem de ano a todos!

Adhemar, 31/12/2010.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Silêncio culpado

Não dizes nada?
Não olhas para o lado de cá?
Teimas em te esconder?
Foges de tudo...

Sabes o que és
e não queres acreditar.
Silencias para não te comprometeres.
Exultas, pois, que lançam de ti o espírito
ao cerne da pira acesa.

Não pensas que podes alçar um vôo
e que dessa negra pira podes escapar?!
Podes!
Queres, também!
Hesitas, pois te parece a liberdade um tanto cara;
mas podes pagá-la com teu sangue,
com o sangue do teu coração.
E não imagines que desfaleça
pois teu canto de guerra te acalenta.

Investe contra o destino,
que tua vitória te espera!!!

P/ MG (ou será que foi pra mim?!)
[Adhemar - São Paulo, 23/05/1987]

sábado, 25 de dezembro de 2010

PARAGEM NEGRA

Numa noite solitária e fria
um verso escorre da cabeça.
O poeta só, sem companhia,
acha que pensa.

Nessa noite fria e solitária
escorre um verso aflitivo.
De forma cruel e arbitrária,
mais que definitivo.

Nessa fria e solitária noite
morre um verso em afogado grito.
Lamurioso, embasbacado e triste
num clamor aflito.

Noite fria e solitária numa...
Versão macabra, verso agonizante
cujo grito mudo se esvai na bruma
enquanto verte sangue...

Fria noite, solitária nessa
palavra última, murmurado verso
rouco de paixão e cheio de promessa,
procissão e universo!

[Adhemar - São Paulo, 26/06/2008]

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Quem sou...?

Basicamente, um enxerido.
Palpiteiro.
Pretensamente sabido.
Um paciente estrangeiro.

Basicamente, um atrapalhado.
Folgado.
Espaçoso, apalhaçado.
Um paciente adoentado.

Basicamente, um vivente.
Advinho.
Leitor de mão e vidente.
Um paciente vizinho.

Basicamente, um incontido.
Pretenso poeta,
viajante perdido,
dormido e alerta...

[Adhemar – São Paulo, 16/09/2009]

Quem são...?

A todos os prezados amigos que por aqui passam nossos votos de um Feliz Natal. Que cada um tenha em si o sentido maior da festa, na celebração do nascimento d'Aquele que nos guia; e aos que não acreditam, que seja um alegre momento de convívio com seus entes queridos.

Grande abraço,

Adhemar, 24/12/2010.

domingo, 19 de dezembro de 2010

PROGRESSÃO

Quebrar o passo
levantar a mão
virar o braço
pedir o pão.

Bofetada na face
dominar a bola
fazer o passe
não ir embora.

No movimento
uma ação
no pensamento
intenção.

Driblar o erro
chutar na trave
seguir o enterro
o cenho grave.

Sombra nos olhos
sonhar então
quebrar uns galhos
sair do chão.

Maltratar a si
esquecer da vida
e emergir
numa saída.

E viajar
gozando férias
sem nem pensar
em coisas sérias.

Chegar afinal
num recanto belo
de um céu tonal
em amarelo.

E constatar
o fim do curso
da pena estar
num só discurso.

Pra bem olhar
é por colírio
e terminar
este delírio.

[Adhemar - São Paulo, 16/03/2007]

sábado, 18 de dezembro de 2010

Premências indiretas

A gente só faz certas coisas por muita necessidade. Estaciona algumas ambições, se atrapalha com as prioridades. Deixa de lado o que é bom e compromissos vagamente inúteis viram onerosas obrigações.

A gente mesmo acaba criando inescapáveis prisões. Não vê que se coloca ali dentro, cela desagradável, paredes grossas, escuras, janela minúscula, de pouca luminosidade... Fica tão obcecado que não percebe a pesada porta de ferro destrancada, bastando um pequeno gesto de pouca força pra gente sair dali.

A gente deseja um bocado de coisas, todas absolutamente prescindíveis - se a gente pensasse um pouco. Objetos inúteis e caros, "status" de pouco significado prático, amizades por interesse... Contemplar o aqui e agora, tão impalpável e perto, ignorando a paisagem que a gente veria tão linda se a gente olhasse pra fora.

A gente traça um destino torto, depois 'inda quer o céu.

[Adhemar - Ibiúna, 27/10/2009]

domingo, 12 de dezembro de 2010

Amostra grátis


Há sempre um caderno meio usado,
seminovo;
há sempre uma página em branco.
Há sempre um desvio no caminho errado
e um sofá de pé quebrado,
meio manco.

Há sempre uma interrupção indesejada,
inoportuna.
Sempre há um ruído que assusta.
Sempre há algo que simplesmente não é nada
e uma pessoa, ou bicho esquisito,
um saltimbanco.

Eis que topamos uma pessoa meio educada,
ou muito crua;
eis que topamos nossa própria impaciência.
Eis que topamos novas fórmulas milagrosas
de contornarmos nossa própria incompetência,
nebulosas.

Sempre haverá uma alma meio nua,
muito plena,
que onde estiver andará sempre serena.
Eis que seremos tal a luz de um clarão,
fugaz relâmpago, descarga elétrica do coração,
paixão terrena...

[Adhemar - São Paulo, 01/04/2010]

domingo, 5 de dezembro de 2010

ENGANO

Tu não és quem eu pensei que fosse
embora isto não seja um empecilho;
não és meu pai, nem minha mãe e nem meu filho.
Não és salgada nem amarga: é só dôce.

Tu não és quem eu pensei que fôra
não obstante nos apresentasse;
a despeito das certezas, outro impasse,
nem és pedreira ou jornalista: és professora.

Tu não és quem eu pensei que é
porque preferiste difícil o caminho onde estás;
tu ficastes e não me deixastes pra trás
porque não és o que pensei: és mais e és minha mulher...

P/ SM
[Adhemar - Santo andré, 18/05/2005]

Enganos

O então assinado "AdhPitPaixonadoPoti" houvera escrito "impecilho" (que não existe) ao invés de empecilho (correto mas feio) e acentuara "dôce", "fôra" e "professôra" como se escrevia muito antigamente... Ao transcrevê-lo hoje, corrigi dois erros e mantive os outros dois, ao menos para evocar a distante infância onde aprendi as primeiras letras... SM vem a ser minha esposa, que é tudo isso e mais muito que não cabe em papel algum.

Adhemar, 05/12/2010.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Cometa

Teu beijo transforma o momento
em um momento mágico.
Teu movimento transmite ao instante
um brilho rutilante e mágico.
Teu sorriso carrega constante
um vibrante momento típico.

Típico é o teu abraço, constante e forte.
Potente transmissor do sentimento máximo,
ligado nas emotivas razões do mistério
Misterioso coração, imenso lago,
onde mergulhado o amor, paixão se fez.
Apaixonado, amoroso, emocionado, estático.
Diante do reflexo dos teus olhos
na capa-espelho - do lago.

Teu corpo perfeito em harmoniosa dança
aquece o tempo infinitamente parado.
Admirado de tua graça intensa.
Tuas mãos tão perfeitas
fazem da carícia um delicioso leito;
tua alma gentil transmite ao poeta
uma imensidão tão bela, gloriosa e distante,
que faz da distância
um aproximar-se o infinito.

Brilhante estrela do poder amante.

p/ SM
[Adhemar - São Paulo, 22/02/1989]

terça-feira, 30 de novembro de 2010

NOSTALGIA



A janela denuncia a rua, o jardim e o céu azul.
Ouvem-se pássaros e automóveis distantes.
O sol denuncia o coração.
Calor, saudade e pensamento, pessoas distantes.

Pessoas? Múltiplas imagens de uma só pessoa
que sumiu no mundo arrastando a mala.
Com seu passo leve, sumiu no horizonte
tragada pela boca de uma estação.

E ficar pensando naquele sorriso
que é uma janela onde se vê o sol.
Sorriso florido, como um jardim,
que nos traz os pássaros sob o céu azul.

Já não é possível tanta saudade assim.
Porque a cada dia vem o sol de novo
lembra ao coração do sorriso loge
e múltiplas imagens cintilando aqui.

A janela denuncia a rua, ora está vazia.
Os pássaros foram embora, os autos já não passam mais.
Fica o olhar perdido, fitando o horizonte
e o coração calado, saudades demais...

P/BSF
[Adhemar - São Paulo, 09/09/1987]

Melancolia

Este era o título original desta poesia, mais para indigestão com melancia... Enfim, aos vinte e poucos anos, os amores do poeta eram assim: não correspondidos e fugidios... Os caracteres inclinados tentam imitar a caligrafia, meio assim, batida pelos ventos de então.

Adhemar, 30/11/2010.

domingo, 28 de novembro de 2010

Verdadeiro amor

O verdadeiro amor se reconhece
quando a insônia nos invade.
Abrem-se portas inesperadas - e não se sabe -
ajoelhar e implorar nalguma prece...

O verdadeiro amor se reconhece
quando se suspira inutilmente pelos cantos,
quando por nada nos quedamos aos prantos
e se sente uma súbita dor que aparece.

O verdadeiro amor se reconhece
com o frio na espinha que acontece
quando se ouve a voz da nossa musa.

Aí, tudo mais o peito esquece,
uma efusiva alegria nos aquece
e dar ouvidos à razão recusa!

P/ SM
[Adhemar - 27/06/2008]

Verdadeiro gaiato

O último verso é emprestado de uma poesia de Olavo Bilac (a confirmar...).

Adhemar.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

ADRENALINA

Ela está distante,
vive seu mundo;
indiferente ao efeito do encanto
que espalhou,
com casca e tudo.

Ela está interessante,
uma manequim de vitrine.
Altiva, linda, inconstante,
alheia aos olhares,
nada que ensine.

Ela é insinuante.
Mas é cercada e furtiva.
Viva, fugaz, apaixonante,
desprezando as paixões
e os corações que cativa.

Ela segue adiante,
audaciosa e mordaz.
Ignora seu fã clube,
seus admiradores contumazes
e os escravos que deixa pra trás.

Ela é fascinante,
naturalmente perigosa.
Fria, calculista e cortante,
derruba os próprios algozes
forte, suada e fogosa.

Ela é impressionante,
determinada e poderosa.
Firme, precisa e atuante,
mesmo usando cor-de-rosa
ou um vermelho vibrante.

Se não for um produto da mídia
é de uma paixão alucinante.

[Adhemar - São Paulo, 18/05/2010]

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Suborno

Quero comprar minha própria consciência - quero justificar o que às vezes acho errado porque não me parece tão errado assim; só humano! Quero me esconder atrás de justificativas plausíveis, todas aceitáveis, mas... Paralisantes demais. Preciso mobilizar toda a minha inteligência e uma suposta sensibilidade para deixar tudo como está; na paz aparentemente serena da superfície do oceano em ebulição. Ainda que certas emoções queiram se impor e todo esforço possível é feito para que se aquietem. Sentimentos que hibernavam desde um passado distante querendo apimentar o já salgado "menu" dos dias atuais. E as palavras antes fáceis na defesa de ideais românticos, sedentários, já não servem senão para insuflar esse balão tão lindo - e tão colorido - que nos convida para uma volta pelo ar, sem conhecimento do trajeto, sem perspectiva de voltar.

Preciso, urgentemente, resgatar ou vender a minha própria consciência.

[Adhemar - São Paulo, 08/12/2009]

sábado, 20 de novembro de 2010

ATÉ QUE ENFIM

Até que enfim,
um evento inesperado,
uma repentina alegria,
uma triste despedida:
até breve...

Até que enfim,
um sorriso forçado,
uma falsa segurança,
um novo desafio,
apaixonado...

Até que enfim,
uma novidade tardia,
um alegre bom dia,
um futuro...
Encomendado!!!

[Adhemar - São Paulo, 15/01/2009]

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Natureza (O Mar)

Legal.
Legal pensar em transformações. Lentas, microscópicas, mas vultosas transformações. Arte simples, precisa e grandiosa; como por exemplo, de resíduos diversos dos mais diferentes elementos o mar é capaz de formar conchas, agregando componentes moldados pelas marés em formas surpreendentes, ousadas, impossíveis. Transformando o que seria lixo, por força de uma inadequada expressão, em cor, em beleza, em manifesto de infinita paciência, paz e precisão.

Alguns seres humanos têem a mente parecida com o mar. Intuitiva, paciente, criadora. Dissimulando uma força incomum, extraordinária. Transformando lixo em conchas. Uma variedade infinita, inimaginável, de criações. Um animal, um molusco abrigado em conchas de determinada forma, ligados a elas por um elo indivisível e indecifrável chamado vida, digerindo variadas e estranhas substâncias; gerando em si um precioso dejeto de suas refeições, perfeito em sua forma, cor e colocação: a pérola.

Alguns seres humanos tem a mente parecida com esses moluscos. E, no seu mundo, cumprem o seu papel, estático, de protagonistas em seu meio ambiente em suas ilimitadas e imprescindíveis funções. Cabeças de ostra, transformando detritos, areia e solidão em pérolas. De onde só se pode concluir que mais valem dois pássaros voando porque o ar é o seu lugar.

P/ TNQ
[Adhemar - São Paulo - 15/02/2001]

domingo, 14 de novembro de 2010

REVISÃO

Umas impressões equivocadas,
umas revoltadas pretensões;
umas imposições indelicadas,
umas reservadas posições.

Outras emoções já renovadas
com mal educadas intenções
provocam ações mais deslocadas
ante tresloucadas opções.

Tantas soluções são importadas
a partir de ignoradas ligações
mesmo em situações marcadas...

Vivendo desarmadas relações
em missões tão desarrumadas,
flores jogadas aos pés dos corações!

[Adhemar - Milão, 15/04/2010]

Constatações

Fraco. Genérico demais.

Adhemar, 14/11/2010.

domingo, 7 de novembro de 2010

Centenário

Estivesse entre nós,
faria cem anos.
Foi um gênio, foi feliz.
Deu exemplos, mangas, panos,
simplesmente, Vô Luiz.

Benevolente, tolerante,
muito juntos andamos.
Trabalhou sempre honestamente
o quanto quis;
sempre alegre, líder, soberano:
simplesmente Vô Luiz.

Bem humorado, atento, inteligente,
ativo, livre e protetor.
Solidário, acolhedor, hospitaleiro,
um gentleman, como se diz.
Conselheiro, um homem verdadeiro,
simplesmente Vô Luiz.

E eu aqui, "canalhamente te usando",
como tema nesta homenagem dos cem anos,
te agradecendo tantas coisas que aprendi
- inclusive que não somos um ovo, somos humanos -
com o inesqucível Vô Luiz.

[Adhemar - São Paulo, 06/11/2010]

100 ANOS!!!

Ao meu avô por parte de mãe, pessoa ímpar neste mundão de Deus, cuja principal lição que nos legou, talvez, seja que não somos seres exclusivos, solitários, mas talhados para viver em sociedade já que nos originamos de pelo menos dois! Nunca se furtou de se expor para dividir (e não para se mostrar...), transmitindo sua experiência e sua alegria inclusive a quem não sabia o que é isso. E tivemos, nesta família, o imenso privilégio de uma longa convivência. Um grande abraço ao nosso guru, onde quer que esteja, recheado desta saudade apenas ligeiramente melancólica...

Adhemar - 07/11/2010

PS - Por sinal que hoje é aniversário de outra grande figura desta família... Citado nesta data em 2009, vale relembrar, cliquem nov/09 no link ao lado! O ano de 2010 é particularmente interessante porque muita gente aqui atingiu cifras redondas, tais como 65, 15, 60, 10, 20, 55... Só pra ficar em alguns. A todos um grande abraço e mais cem, mais cem, mais cem!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

EQUILIBRISTA

Na síntese do resumo da sinopse:
Um ponto.
Na tosse, hum-hum, pigarro.
No ponto alto, no topo,
no posto onde se vislumbra;
vigia.
Na vida, na via, no ponto.
Onde se aguarda a condução.
Na vanguarda.
Na guarda da retaguarda.
Na hora tão cheia de minutos.
Na última fração de segundo
do átimo do instante.
Na proximidade do distante.
No perto, no peito,
no modo sem jeito,
malfeito.
Na segunda das horas.
No segmento.
No sentimento inconstante.
No vento insistente
do tempo presente,
no verbo.
No ar e na mente.
Na prisão de ventre.
Dentro do convento,
fora da regra,
na casca do tempo.
Na profundeza da ausência.
Na misericordiosa clemência.
Na dúvida elucidativa.
Na chama da bamba
da corda da vida.

[Adhemar - São Paulo, 05/07/2010]

domingo, 31 de outubro de 2010

Comunicação íntima

Espaços abertos espaços
horizonte variado
desenho de poucos traços
andança de muitos passos.

Emorração, colina, vertente
paisagem feito um achado
um verde e um azul sem repente
e mais coisas feitas por gente.

Acenos, alôs e abraços
histórias de um encantado
um circo, bichos, palhaços
trovões e ventos esparsos.

Encanto, magia, presente
terreiro, café espalhado
perfumes, sabores que sentem
alma e corpo contentes.

Lagos, cachoeiras, regaços
amor, carinho e cuidados
agradáveis cenário e ambiente
corpo e alma descansados...

[Adhemar - Santo Antonio do Amparo, 09/07/2006]

sábado, 30 de outubro de 2010

SEM RASCUNHO

Mudanças.
Como alguém indo morar na casa da filha.

De emprego.
Necessária mas temida,
dezena de razões para sair,
uma poderosa razão para ficar.

Bandeiras.
Oscilando pra lá e pra cá.

Política.
Todo mundo precisando
de uma visão mais feminina no poder;
mas inclusive e principalmente mulheres
não querendo reconhecer...

Resistência.
Ao massacre nos conflitos de opinião.

Equipamento.
Novo instrumento de comunicação
e de trabalho
e diversão!

Véspera.
Tudo isso a um passo dos dias que virão.

Registro.
Espaços abandonados
retomados com a mesma alegria de sempre
e muita empolgação.

[Adhemar - São Paulo, 30/10/2010]

Mudanças...

Um mês e tanto, este outubro, acho que nem quando viajei fiquei tanto tempo sem vir aqui. Ainda bem que não ganho por post! Enfim, como se diz no interior, "ói nóis aqui traveiz!"

Boa eleição a todos.

Adhemar, 30/10/2010.

domingo, 3 de outubro de 2010

Ressurreição

Vou despertar lentamente
dessa longa noite adormecida
ao ver o sol brilhar intensamente
e a passarada gorjear enfurecida

Vou espreguiçar solenemente
expulsando a moleza recolhida
e ouvir a brisa docemente
farfalhar na flor mais colorida

Vou bocejar assim tão insolente
como a engolir a luz amanhecida
até que apareça à minha frente
uma aura de cor esmaecida

Vou então estar tão diferente
que não haja coisa parecida
nem antes nem depois e nem presente
nessa aura mais que multicolorida

Vou enfim adormecer eternamente
na emoção pra sempre enternecida
para depois levantar triunfalmente
renovado e até que enfim voltar à vida!

[Adhemar - São Paulo, 01/09/2006]

sábado, 2 de outubro de 2010

MEMORIAL

Por amor deixei sangrar meu peito
como numa velha canção emocionada;
por amor ensaiei chorar direito
sofrendo em verso e prosa cantada.

Por amor deixei açoitarem minhas costas
como um velho escravo quando sofre;
por amor eu perguntei por que não gostas
do meu velho sentimento terno e nobre...

Por amor escreverei tudo o que eu penso
não importando mais se vais saber.
Por amor estarei distraidamente atento
enquanto espero se vais ler.

Por amor não deixarei versos inacabados
nem flores murchas ou abandonadas,
Por amor terei sentimentos alados
e comandarei todas as esquadras.

Até que tu saibas então o quanto amei
por amor - o teu amor - intensamente.
E quando ao céu os meus braços levantei
foi por amor, para te louvar pra sempre...

[Adhemar - São Paulo, 27/10 a 15/11/2009]

domingo, 26 de setembro de 2010

Palavras palavras

Ouro, outrora, outono.
Parenteses entre.
Portas, entradas,
ouvintes, batentes.
Bateria, porteira,
traves, outeiros.
Tudo meio fora de ordem,
chute a gol sem goleiro,
aquele que toma aos goles.
Um esparadrapo, brigadeiro,
briga, escadaria, outro dia.
Lavores, lavoura, labores.
Parenteses entre.

Parenteses.
Exclamações.
Reticências.
Retenções, extintores,
incêndios.
Íngremes ladeiras.
Cadeiras, açores.
Elevadores, cadeias,
tambores.
Pranchetas, projetos,
projetores, refletores,
reflexos, autores.
Parenteses entre.

[Adhemar - São Paulo, 11/05/2003]

sábado, 25 de setembro de 2010

ANO 21


Pois é,
vinte e um anos de casamento.
Num balanço efetivo,
mais bonança que tormentas.
Mais um ano e eu, mais convencido,
de ser um privilégio real,
uma benção.

Uma enorme benção,
de um metro e setenta e seis centímetros de altura,
de múltiplas habilidades
- principalmente arquitetura -
que fez amadurecer a paixão
para laços de ternura.

E a grande satisfação
de compartilhar a criação
das crianças "cá de casa"?

O Adhemar Juan - um homão -
futuro jornalista
cuja doçura e atenção
conforta e realiza.

O Sr. Marco Luiz,
entendido deste mundão
que está ficando especialista
em gente, pessoas, multidão...

Para Vítor Samuel, o caçulinha,
uma difícil missão:
escapar do excesso de mimos
para ser um campeão...

Depois do exposto acima
só falta "fechar" este balanço
com estas considerações finais:
foi um momento especial e abençoado
aquele em que entrelaçamos
nossas vidas e destinos
com amor e algo mais.

P/ Stella Maris
[Adhemar - São Paulo, 23/09/2010]

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Equipamento


Cara,
quanta inspiração...
Carregar nossos pedaços na bagagem,
pedaços de nós mesmos lotando essa mochila
no rumo do pra onde vamos
sem saber se viajando ou se fugindo.
Seguir em frente aprendendo a gostar
ou gostando simplesmente por intuição.
Ir descobrindo que a vida tem segredos
que todo mundo conhece,
e coisas públicas
que ninguém sabe não.
É o amor e o medo se conhecendo
nesse trajeto meio à toa
que seguimos sem razão,
sem perceber que essa bússola enlouquecida lá no peito,
é o doido desse nosso coração!

[Adhemar – São Paulo, 12/02/2010]
P/ Tah – http://palavrassoltas271009.blogspot.com

domingo, 19 de setembro de 2010

JOGO DE CONTAS

Divisível por três,
uma aposta;
o fim do primeiro mês,
a lista.
Tem quem gosta.

O quarto verso não rima,
se perde no meio,
se afirma,
mas fica bem à vista,
se enrola no enleio.

A recompensa dobra o prêmio.
O calor não esfria.
Em pleno terceiro milênio,
a conquista;
no meio da feira, a bacia!

A água ferve a cem graus
ou será o contrário?
Quem ascender cem degraus
- equilibrista -
dominará o cenário.

Uma variação decimal;
desse mal se vai através.
O homem, matemático animal,
é um artista
num feliz dois mil e dez...

[Adhemar - São Paulo, 08/01/2010]


sábado, 18 de setembro de 2010

Destino de poeta


Um homem pode dizer pouco com muitas palavras;
ou muito, com poucas.
Basta-lhe saber aonde estava
o saber com o qual manifestava
ideais, idéias,
ou simplesmente o sentir
em suas lavras...


[Adhemar – São Paulo, 24/07/2010]
P/ José Saramago
No post “Ao José Saramago” em http://arferlandia.blogspot.com
Do poeta português Fernando Tavares Marques


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

CÔRTE


Dourada luz,
dourada lembrança.
É preciso estar aceso
e viver na tênue esperança.

Raios azuis
da impossível tempestade.
É preciso estar coberto
e proteger a Majestade.

Real presença
que ilumina e emociona.
É um lindo sentimento
que ao coração se relaciona.

Dourada luz.
Raios azuis.
Real presença.

[Adhemar - São Paulo, 15/09/1987]
p/ bsf

domingo, 12 de setembro de 2010

Modelo, atriz

Você fica parada me olhando,
com cara de fotografia;
exposta feito um cabide
e fria feito um cartaz.

Você me contempla
para um além de mim.
Desatenta, sonolenta,
estátua, monumento...

Um olhar de sonho,
enviesado ou algo assim.
Imota imagem,
alabastro ou marfim.

Você fica parada me olhando
como se olha a paisagem;
se eu viro o papel você some:
você é uma "figura"!!!

[Adhemar - São Paulo, 11/01/2010]

sábado, 11 de setembro de 2010

PROFUNDAS


Contemplo o céu
e suas infinitas gradações de azul.
Como a paz,
a meditação e a paciência.

O oceano...
E suas infinitas gradações de verde.
Como a esperança,
a floresta e a verdade.

A bruma;
e suas infinitas gradações de branco.
Gradações de branco?
Como a névoa,
a neve e a memória...

[Adhemar - São Paulo, 14/07/2004]

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Eclipse


Se me vires acenar, em algum dia,
um adeus diante do teu rosto enternecido
não estremeças de pensar
que meu coração ao sentimento esfria;
mas apenas se alenta no seu leito,
o peito feito de um amor envelhecido.

Se teus olhos puderem contemplar as poesias
que de tanto escritas já não sabem se benzidas,
faça uma prece ao vento, amigo e conselheiro,
que traz na boca mensagens tão mais cheias que vazias;
sopra no íntimo a certeza infinita
que tua prece seja bendita e acolhida.

Se minhas mãos tocam teus olhos tão sagrados,
de qualquer modo eu troco a vida pela vida.
No teu sopro tão leve e tão divino,
haja lugar pro coração desabrigado
que mais acredita do que sofre ou advinha
dessa paixão tão expansiva, recolhida.

P/ BSF
[Adhemar - São Paulo, 27/07/1988]

terça-feira, 7 de setembro de 2010

REVOLUÇÕES


Levantei a minha voz
quando julguei injustos
os atirados insultos
contra gente como nós.

Levantei a minha mão
e pedi paz
para quem fosse capaz
de ouvir o coração.

Levantei para bradar
a quem quisesse ouvir
uma mensagem do porvir
sobre dividir pra conquistar.

Dividir muito amor
para ver multiplicados
sorrisos em olhos cansados
de tanta mágoa e tanta dor.

Levantei do meu lugar
para alguém mais cansado sentar.
Abraçando um a um
todos os que, unidos,
não se deram por vencidos
e não abandonaram nenhum.

Simplesmente amarramos
nesse compromisso forte
nosso destino e sorte
nesse rumo pr'onde vamos.

Levantei e caminhamos.

[Adhemar - São Paulo, 18/08/2010]

sábado, 4 de setembro de 2010

Partida


Deixei meus sonhos mais antigos.
Desembarquei de ideais tão próximos outrora,
tão utópicos hoje em dia e agora.

A dureza da vida
tornou estéreis os esforços de conquistas,
de vitórias.

Vitórias não pessoais,
mas coletivas,
em ações individuais,
ou cooperativas.

Braços caídos,
em contraste com um tempo mais ativo,
todo o tempo,
correndo, lutando e sorrindo.

Braços caídos,
semblante seco e cabelos prateados,
indiferente ao destino,
destituído.

Indo para onde não há alegria,
como quem caminha na prancha.

Entristecido, desanimado,
tendo como lembrança
a esperança feito um ente querido,
sepultado.

Autômato sem razões,
espectro de viajante adoentado.

Mas no fundo dessa depressão,
a procura de um fio condutor
ao antigo homem forte,
desaparecido e apagado...

[Adhemar - São Paulo, 01/10/2000]

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

INSONE


Não há como ir dormir.
Por que, se este dia acabar,
sei que vou te perder.
Perder para não prender.
Prender para cativar,
como queria a raposa (*).

Se este dia acabar
só me resta esperar que o sol volte,
para te iluminar.
Imaginar que o teu rosto dourado
é o que vai me restar.

Enquanto as nuvens não se dissiparem
a tempestade não vai passar.
Mas acontece que as nuvens são brancas,
você ainda está aqui, o céu está azul
e é tudo tão colorido
que a tempestade não parece iminente.

Mas ela é tão assustadora e presente
que nem os pardais cantam mais.
As palavras vão fugindo da mente
e a minha mão fica muda;
você desaparece lentamente
e não é rapto, nem fuga...

Até que um novo dia surja,
na tua ausência, o frio.
O sol de vez em quando aparece
para nos lembrar
que está pairando sempre
acima das nuvens...

O sol é maior, tal e qual a nossa vontade;
o sol que é nosso símbolo e que está tão ligado a nós...
Será sempre presente, mesmo nos dias chuvosos.
Distante, mas quente e soberano
como um belo sentimento recém-nascido,
mas que vai se por, sepultado...


(*) Referência ao livro "O pequeno príncipe" de Antoine Saint-Exupéry

P/ BSF
[Adhemar - São Paulo, 31/07 a 02/08/1987]

domingo, 29 de agosto de 2010

Gaveta

Hoje, pela primeira vez
é a última vez que contemplo o teu retrato.
Desdobrei aquele teu recado de amor
num papel perfumado.
E rasguei sem reler,
pela primeira vez sendo a última vez,
sem coragem de queimá-lo.
O pó da folha seca de flor eu soprei
pois fui eu que te dei
e você devolveu.
A corrente e o anel,
o colar e o chapéu
e um chaveiro de camelô...
E o bilhete da sorte do realejo do rei
eu nem sei o que diz.
Fiz questão de lembrar de esquecer quão feliz
a gente acha que foi.
Não te expulso daqui
- só agora lembrei -
este lugar é o teu.
Vou voltar por caminhos
do mundo onde errei
até te encontrar outra vez.

[Adhemar - São Paulo, 06/07/2010]

sábado, 28 de agosto de 2010

AO PORTADOR


Nos contrastes pode-se encontrar algumas semelhanças. Contraste, encontro: palavras parentes. Na dessemelhança há uma certa parecença; nativa, arraigada e pontual. Nas igualdades acham-se diferenças, ocultas ou bem procuradas mas presentes.

Quem tem coragem esconde a covardia de não ter medo; os intrépidos só o são com certa prudência, como a saciedade dos famintos. Ao menos há o consolo de se chorar magoado. Grandes ódios abafados pelo amor do inimigo.

Malas pesadas pelas culpas e pelas vísceras reviradas de um enjôo assentado por uma solução básica - mas amarga! Erros e acertos compensados pelo fracasso chamado de experiência. Sucesso, então, aos empreendimentos errados.

Consumir os produtos vencidos antes do prazo de invalidade; escolher-se - compulsoriamente - os piores aspectos da feiúra enfeitada, disfarçada em beleza, em atitude ativamente desligada.

[Adhemar - São Paulo, 17/08/2005]

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Um troço


Dois passos,
dois braços.
Um esboço sincero,
um abraço.
Pra que mais?

Um amigo,
um traço.
Dois traços,
projeto.
Um sujeito,
objeto,
direto.

Um hiato,
um prato vazio.
Um tijolo.
O ar,
o gato,
o miolo.

O trigo,
o pão,
dois pedaços.
Um pano,
um rasgo,
dois trapos;
fiapos,
engasgo,
garganta.

Um nó,
duas lágrimas,
dó.
Solidão...
Um vazio,
dois vazios,
outro nó.

A história,
a lembrança,
a memória.
O mapa,
o rumo,
o desvio num tapa.

Coração,
dois pedaços.
E o pó...

[Adhemar - São Paulo, 07/01/2010]

domingo, 22 de agosto de 2010

RUMORES


Não dê ouvidos aos boatos,
ignore os murmúrios,
feche-se para as fofocas;
desconte os "teatros",
fique acima do burburinho,
afaste-se das potocas.

Preste muita atenção
às noticias mais sérias
e às defesas de tese.
Considere a informação
de fontes não deletérias,
fidedignas, que se preze.

Passe ao largo das mentiras,
deixe pra lá a história
em que só se crê por favores.
Mas afine as suas antenas
e prepare a memória
para guardar os rumores.

[Adhemar - Santo André, 13/10/2008]

sábado, 21 de agosto de 2010

Alagamento


No encontro dos reflexos há um brilho;
cor indefinível,
talvez azul, talvez sei lá.
Um fundo branco, um vapor,
uma voz mal colorida,
uma emoção,
uma natureza já sem vida.

No encontro dos reflexos há um mundo em dimensão
sem medida dos anseios,
na espera,
na explosão disforme
onde o brilho acende e refulge sem razão,
sem esperança
e não conforme.

No encontro dos reflexos...
Avaliado um pequeno instante
em que os olhos tímidos,
recolhidos da visão,
abaixam um piscar
na sagrada presença:
o coração.

No encontro dos reflexos, o desencontro permanente.
A busca intensa da intenção coroada em pensamentos
nos caminhos, nos desvios,
na órbita da sensibilidade,
na trajetória da proteção;
na proteção dos sentimentos
e da presença em permanência...

No encontro dos reflexos,
todas as lágrimas das lembranças
que se tem derramado em profusão...

[Adhemar - São Paulo, 16/10/1987]

domingo, 15 de agosto de 2010

HÉRNIAS

No ôco, no toco, no baixo;
no acho, no chute, no louco.
Maluco, eunuco, riacho:
diabo, diacho, é pouco!

Rouco acenando co's braços,
no aço brilhando inteiro.
Nos intervalos, espaços,
no risco, caneta tinteiro.

Breves claros chiados.
Arroubos ufanos diários
dos cavaleiros montados,
corcéis, alazões, relicários.

Fogo, pedras e paus.
Olhares esguios e maus.
No ôco do espaço cabeça,
no pronto pro que aconteça.

No tronco, na bronca, na rua,
o encontro, a palavra e a fé;
na íntima mentira mais nua,
a vítima segue em pé.

Na rima, no clima, no fato,
compasso de sol e de notas
descalças ou com o sapato
caminham pra fora das rotas...

Janelas, janeiros e contras,
pilantras, malandros, janotas,
encantos que, feitas as contas,
são istmos, pedras, ilhotas.

Desperto do devaneio
o poeta lê seu delírio.
Acende no cérebro um círio
e apaga uma idéia no meio...

[Adhemar - São Paulo, 02/05/2006]

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Cidade em foco

Um desarranjo,
um céu meio cinza e nebuloso,
um calor meio nervoso
e alguém tocando banjo.

Um ranger de mola,
um trânsito do inferno,
muita gente de terno
e alguém numa viola.

Um meio chão,
ora terra, ora asfalto
onde ressoa o som do salto
e ao longe, um violão.

Uma bancada meio alta,
um pregoeiro, um sino;
os risos de um menino
ouvindo flauta.

Só livre meio táxi.
Um rubor de fim de tarde
bem no meio de um alarde
é alguém tocando um sax!

[Adhemar - São Paulo, 29/04/2010]

Cidade e música

No metrô da Espanha e da Itália também é muito comum ter gente tocando nos corredores ou nos vagões a troco de umas moedas. Como é dura a vida de artista ambulante...

Adh, 29/04/2010

domingo, 8 de agosto de 2010

ADHEMAR I (Adh1)

Uma intensa saudade perdura:
deste amigo ausente em plano físico.
Em questões éticas - morais -
sempre foi intransigente,
mil exemplos deu, ou talvez mais.

Apesar dos mapas era chegado a uma aventura.
Nunca se perdia e nos guiava.
Resgatar suas "faturas"
era tudo o que desejava;
e por isso, ele dizia,
é que trabalhava.

"Que faturas?"
Alguém perguntaria.
Era ver de cada filho a formatura,
ver seus filhos conquistarem ferramentas
para enfrentar o mundo;
ver cada um de nós mais preparado
do que ele próprio talvez tenha logrado.

Então,
rola uma lágrima de saudade
deste ser amigo e pai,
pai e amigo.
Enfatizou e ensinou-nos
o valor de uma família
e que tudo o mais importa pouco;
vai-se longe passo a passo.

Pai:
onde estiver, olhe por nós;
e vai daqui um grande abraço.

P/ Adhemar Agostinho de Souza (28/05/1934-07/06/2001)
[Adhemar - São Paulo, 28/05/2010]

Paiê

Dureza. Desculpa aí, o olho embaçou. Feliz dia dos Pais, quem não for pai é filho. Sendo filho e sendo pai afirmo: todo o dia é dia de louvar o seu. Abraço,

Adh2, 08/08/2010

sábado, 7 de agosto de 2010

Água-viva


Olhos vivos, penetrantes,
perturbadores em perfeita assimetria.
Expressão endurecida desde antes,
divertindo-se em perversa alegria.

Olhar atento e profundo,
perscrutador e pulsante
aterrorizando o mundo,
vigorosamente interessante.

Uma visão larga e abarcante
queimando o horizonte, resoluta.
De uma claridade ofuscante
e de uma precisão absoluta.

Uma vista que não hesita nem tateia.
É altamente fria e objetiva.
Enreda e aprisiona em sua teia,
acerta e ambiciona, bem precisa.

Um olho a girar pelo Universo,
sempre rodando em órbitas espirais.
Viajando e agarrando cada verso
e encarcerando cada um pra nunca mais...

[Adhemar - São Paulo, 07/01/2010]


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

FIGURA

Finalmente, parei pra pensar.
Não adiantou nada.
Uma imagem nítida,
congelada,
paralisava minhas ondas cerebrais.

Um trovão irrompe no silêncio
da noite da minha consciência.
Seu clarão iluminou a imagem,
então mais colorida.
Imagem bonita e viva.

Finalmente parei pra olhar:
a imagem se transformara
numa pessoa querida.

P/ BSF
[Adhemar - São Paulo, 05/08/1987]

Parábola hiperbólica

A trajetória dos caroços de melancia intriga. Partem da boca, impulsionados por um ligeiro movimento dos lábios e descem certos no alvo visado. O que instiga nesse mistério é a função pedagógica ou psicológica que eles tem. A curva perfeita, a queda tão calma e a agradável sensação de poder sobre os minúsculos caroços de melancia.

Plantar melancia em si não é um fim. Mas o prazer da expulsão sistemática aliado ao gosto da fruta é inalienável. Assim, pode-se concluir de uma vez só que, comendo melancia, ninguém morde a língua.

[Adhemar - São Paulo, 05/08/1987]

domingo, 1 de agosto de 2010

SOSSEGO


Tenho a impressão que, bem devagar e aos poucos vou encontrando minha tribo. Cada vez mais irmãos e iguais encontrados nos lugares certos.

Lentamente vou despertando para minha verdadeira vocação: falar, falar, falar e falar. Discursos, proclamas, em voz alta ou por escrito; e vai ficando mais e mais difícil renegar essa vocação, sufocar essa verborréia desvairada.

Serenamente vai se formando na idéia o meu verdadeiro lugar. Um pé no mundo, outro na aldeia, a tribo e com o que trabalhar...

P/ meus amigos virtuais deste blog.
[Adhemar - São Paulo, 01/08/2006]

Inquietações

Texto escrito ano e meio antes de começar esse negócio de blog. Apesar de exatos 4 anos atrás - o texto - ainda não sei bem como vou materializar essa coisa de escrever virar profissão. Meu filho mais velho iniciou um blog que já virou site (http://www.futeboldeclasse.com.br); quem sabe aí o início embrionário para alguém das antigas também...

Adhemar, 01/08/2010.

sábado, 31 de julho de 2010

Pouso forçado


Em meio a tanta agitação,
uma parada.
Peremptória, obrigatória,
aparentemente sem sentido,
aparentemente contramão.

Uma parada sem escapatória,
incomparada,
incompreensível na rotina,
sem parâmetro definido,
sem referência nem glória.

Uma crise assim, meio cretina,
destemperada,
mas feita de forma destemida,
sem alarde, sem ruído
e de forma paulatina...

Uma parada bem no meio da avenida,
desencanada,
num ponto qualquer da história
mal contada num tom desinibido
bem no meio da loucura desta vida!

[Adhemar - São Paulo, 16/07/2009]

domingo, 25 de julho de 2010

UNIVERSO EM CONSTRUÇÃO

Criados na razão dos sentimentos puros,
despojados da inconsequencia natural da idade
estamos juntos na aventura nova
que é viver da união a plenitude
e sentir, na separação, tanta saudade.

Fazes falta, tua ausência me comove.
A importância que tens no meu coração
é como um rio que rumo ao mar escorre,
sem escolher o seu destino ou razão.

Criado na doçura da tua voz,
o sentimento pelo peito ainda ecoa
enquanto senta e, sentado fica à toa,
olhando o céu a procurar estrelas e à lua.

Moradora permanente na constelação astral,
qual Três Marias, Ursa Maior ou o Cruzeiro,
Estrela Vésper, fez da luz o seu caminho natural,
despontando mais que todas no além-mar.

Fixada na razão e na emoção,
sentimento nascido imortal,
abre os braços, enxuga a lágrima final;
para, em cada verso de saudade, despertar...

P/ SM
[Adhemar - São Paulo, 25/02/1989]

sábado, 24 de julho de 2010

Provocações extraordinárias-5

Algum lugar sobre o Brasil

Tardiamente descobri que, na tela do avião situada no banco à sua frente, você pode acompanhar o trajeto da aeronave. O mapa diz a altitude do vôo e localiza onde você está; portanto, você não precisa bancar o idiota escrevendo "algum lugar sobre".

Se o tal mapa estiver certo, neste momento estamos sobrevoando o estado de Minas, município de Patos de Minas. Ou seja: para nós que moramos em São Paulo, algo como "a umas duas horas de casa". Vou parar de escrever um instante porque a tripulação está nos trazendo um café da manhã, são quatro horas da matina. Estamos um pouco atrasados porque nos arredores de Madrid havia mau tempo, o vôo precisou esperar mais de uma hora para sair; além disso, acho que o comandante desviou de uma tempestade porque no mapa está dizendo que percorremos uma distância maior do que a normal a percorrer entre Madrid e São Paulo (e há duas linhas de cores diferentes indicando a trajetória, a do vôo com uma "barriguinha" - estou ficando inteligente!).

Descobri - ou lembrei - que sou emotivo muito além do que eu supunha que poderia controlar. Dois sinais evidentes? O primeiro, na Stazione Centrale de trens, em Milão, logo após comprarmos as passagens para Roma. As certezas inabaláveis e minha frieza quase britânica ruíram. Foi um espaço de tempo que não levou nem um minuto. A outra parte segurou a bronca, nos aprumamos. Saudades dos filhos? Imensurável. De casa? Do Brasil? Também. De vulcões calados? Ah, sim... O segundo, desde pouco após a decolagem, é este indesatável nó na garganta, nariz congestionado e lágrimas represadas que me acompanham por seis ou sete horas seguidas: que me impediram de agradecer a gentileza de Stella ao me ceder a janelinha (tanto na ida como na volta), porque não consigo dormir e gosto de olhar pra longe (mesmo não vendo nada); e já denunciando uma ansiedade pelo retorno que, desconfio, não tem nada a ver com poeira vulcânica...

[Adhemar - Algum lugar sobre Minas Gerais, 22/04/2010]
(O cara não se emenda mesmo...)

Algum lugar sobre a escrivaninha

Este é o último texto escrito na viagem, quando estávamos quase chegando (deu pra notar que lidei com o medo de voar... Escrevendo!). Certamente fecha e marca um fato relevante na vida de um bicho cascudo feito eu.

As pessoas tinham razão, conhecer outras paragens e costumes trazem uma influência nos nossos modos de pensar, infunde um pouco mais de respeito por pessoas, lugares e modos de vida diferentes dos nossos. Tanto é que não vejo a hora de viajar outra vez, por aqui nesse Brasilzão mesmo, ou pelo mundo afora. E, detalhe, com toda a troupe na bagagem...

Adhemar, 17/07/2010.


















Fieramilano -Milão (foto: arq. Rodrigo - DA)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

ECO GESTUAL

Aonde está o amor que não se explica,
aonde o gesto, a flor
e o calor que teu suor indica...
No mais profundo do teu ser,
na pele-superfície,
no ar assim meio perdido
desse teu olhar...
Aonde está o caminho
onde ando eu,
assim meio perdido
só de te escutar...


Eco ao poema “gestual” de LMMM
[Adhemar – São Paulo, 14/07/2010]

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Lembranças miúdas


Radar.
Não capta pequenas coisas,
a não ser que sejam muito sólidas.
O que for abstrato
passa por invisível, "insentível".
Registre-se num tipo de contrato.

Lista.
Nem sempre registra tudo,
sempre sobra o que foi esquecido.
O não anotável, "imemorável".
Palavras que doem no ouvido,
a não ser que sejam muito sonoras.

Bônus.
Não é bem um prêmio,
que vem com uma espécie de ônus;
o responsável pelo "inassumível".
Registre-se num tipo de diploma
e pendure-se na parede do incrível.

[Adhemar - Madrid, 21/04/2010]

Estádio Santiago Bernabeu - Madrid (foto:SM)
Estádio Santiago Bernabeu - Madrid (foto: adh2bs)
Estádio Santiago Bernabeu - Madrid (foto: SM)
Estádio Santiago Bernabeu - Madrid (foto: adh2bs)

domingo, 18 de julho de 2010

ARGOLA e ANTAGONISMO

Sigo imerso num naufrágio de palavras.
Naufrágio, nau frágil.
Palavras as vezes vazias de sentido
revelando uma inesperada solidão.
Uma apressada angústia
se perde com o olhar no horizonte
de poeira e mar.
Mediterraneamente no espaço,
a contemplar o azul vazio.
Azul vadio...
Sonhando apenas o possível
na impossibilidade de viver uma ilusão.
Sentindo a enorme pressão
de ser apenas um grão
neste universo de fantasia
formado pelo que realmente somos
diante do que queremos parecer.

Pressa e pungência.
Uma vontade imensa de ficar,
uma vontade maior de voltar.

[Adhemar - Algum lugar sobre o Mediterrâneo, 20/04/2010]























Demolição em Madrid - fachada mantida!
(foto: adh2bs)























Demolição em Madrid - fachada mantida!
(foto: adh2bs)

sábado, 17 de julho de 2010

PARAGENS


Horizonte perdido pela imagem próxima.
Foram tantos movimentos
que entramos numa contramão de vento.
Racionalizar,
eis o mistério da questão,
enquanto uma música ao fundo
tenta dizer alguma coisa ao coração.

[Adhemar - Roma, 20/04/2010]

Rampa de acesso a uma galeria de arte na Tortona - Milão (foto:  SM)
Rampa de acesso a uma galeria de arte na Tortona - Milão (foto: SM)
Verona - a caminho de Veneza (foto: SM)
Verona (talvez...) - a caminho de Veneza (foto: SM)
Museu do Prado - Madrid (foto: SM)
Museu do Prado - Madrid (foto: SM)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Projetos de vida


Vou dizer uma coisa que pode soar estranha para alguns e pode indignar outros: depois de tantos discursos, teses e dissertações, cheguei a conclusão de que não quero salvar o mundo. Só a pele (a minha, no caso). Também não quero que estrague, é verdade, mas acho uma perda de tempo essas intermináveis discussões sobre a camada de ozônio, emissão de poluentes contra créditos de carbono, a hipocrisia de dizer que se usa o álcool combustível (etanol) no lugar da gasolina porque é menos poluente e outras bossas desse tipo. Senão, vejamos: o homem saiu das cavernas, evoluiu, chegou ao ápice, regrediu, nasci eu, tá legal. Tudo que a humanidade produziu, certo ou errado, trouxe conseqüências (por exemplo, a revolução industrial, o automóvel, o rock’n roll...). Cada conseqüência trouxe outras providências para aprimorar ou corrigir as criações humanas. A nós, consumidores (antes do que seres humanos), competem escolhas que atendam a demanda do momento (desde preservar o meio-ambiente até encher o bolso dos espertos cujo marketing esteja afinado com o assunto da moda). Coloco álcool em meu carro porque é mais barato. Fica até bonito dizer que é por causa da ecologia e do politicamente correto; mas importa saber que a produção de álcool causa tanta devastação que chega a ser pior do que a poluição que evita? Procuro separar o lixo reciclável em casa (desde 1990) porque é importante reaproveitar recursos, economizar energia na produção das coisas, teoricamente vai sair mais barato lá na frente, pra nós ou pra alguém. Gostaria de ter aquecimento solar em casa pra gastar menos na conta de energia elétrica, uma vez que, apesar de ser um serviço público PRIVATIZADO, não posso escolher outro fornecedor, não há concorrência, tão idolatrada pelo capitalismo ‘saudável’. Tento economizar água porque há anos ouço dizer que a situação está crítica; e a conta vem menorzinha, conseqüência imediatamente mais útil, na minha reles opinião de alienado. Me assusta um pouco essa falta de percepção generalizada de que “tudo muda a todo instante no mundo” como disse numa canção, filosoficamente, o Lulu Santos.
Outra coisa: não quero um santo nem ninguém perfeito pra ser presidente. Primeiro porque Cristo e Gandhi não são candidatos. Depois, porque alguém muito anti-séptico nos cobraria posturas corretas, absolutamente éticas e certamente que corrigiria as leis para isso; não poderíamos trair sequer os nossos pensamentos! Ou seja, teríamos que ser perfeitos no mesmo grau de perfeição que exigimos dos outros. E, pior, iríamos falar mal de quem? Criticar o quê? Justificar nossas omissões e nossos braços curtos?! Não, definitivamente não! Chega de discussões, deixa o barco correr. Limitemo-nos ao papel “sui generis” de grilos falantes, mantenhamos em alta os assuntos para debate, preferencialmente em nossa mesa de bar, em torno de uns “piriris” e de umas bebidinhas geladas. Salvar o mundo? Tô fora!
Então, desculpa aí pessoal. Não contem comigo pra tão nobre missão. Força aí e sucesso pra vocês.
P/ os meus amigos da 331-80 e das outras 3XX-80 do Band
[Adhemar – São Paulo, 16/07/2010]
Provocação
Texto elaborado em cima de um e-mail enviado aos colegas mencionados acima, bem no meio de uma discussão sobre o futuro da humanidade no planeta.
Adhemar.

domingo, 11 de julho de 2010

Provocações extraordinárias-4


Considerações sobre o espaço aéreo europeu nesses dias de caos, iniciado em 11 ou 12 de abril com a erupção (ou a intensificação da atividade) de um vulcão na Islândia que provocou o fechamento dos aeroportos do norte (Escandinávia) seguido por Londres, Paris e Frankfurt. Há quem suspeite que o acidente aéreo que vitimou o presidente e o alto escalão do governo da Polônia esteja relacionado com a poeira vulcânica em suspensão expelida e impulsionada em grandes quantidades sobre toda a região. A crise chegou à Itália no dia 16, com o fechamento dos aeroportos (Linate e Varese) de Milão. No dia 17, sábado, quando sairíamos de avião para ir a Paris, todos os vôos foram cancelados. Preventivamente, procuramos as estações de trem (Centrale e Cadorna). A Paris, vagas só na próxima semana, sete ou oito dias depois. A Barcelona, só quarta, 21. Para Roma, espera de dois dias. Consideramos antecipar a volta ao Brasil nos dirigindo a Madri, de trem, via Barcelona, ou de avião, via Roma. Dia 18, domingo, mesma situação de trens lotados e aeroportos fechados, não só em Milão como em todas as cidades daí para cima. Aliás, alguns aeoroportos locais de cidades italianas como Verona, Gênova, Veneza e outros, acabaram fechando porque os aviões não chegariam e nem poderiam partir! Fomos a Veneza de trem, a passeio, para quebrar a tensão.

De volta a Milão, romaria na segunda-feira, 19 de abril. Agências de viagem, locadoras de automóvel, escritórios da Eurostar (agência que centraliza toda a rede ferroviária européia), escritório da TAM (em Milão). "Ótimas" notícias: com os cancelamentos de inúmeros vôos estamos numa escala de passageiros da companhia aérea para voltar ao Brasil por Paris (local original de retorno) ou Madri (conforme acabamos de nos inscrever), com estimativa de retorno em meados de maio!!! A passagem de avião (Alitália/Air France) de Milão-Paris praticamente perdida (vamos tentar trocar em Roma para ir a Madri). Passagens de Roma para o Brasil por outras companhias aéreas, achamos. Estão pedindo de 7 a 8 mil reais (cerca de 3 mil euros) por pessoa - lei da oferta e da... Loucura...! Carros, só alugam para viagens dentro do próprio país (Milão-Roma, por exemplo), mas tão caro que quase vale a pena comprar um! Trens e ônibus a Barcelona, vagas só a partir do dia 22. A Paris, sem previsão. Arrumamos o trem para Roma, aonde estamos indo agora, na fé de que conseguiremos partir ou para São Paulo ou para Madri, de onde temos a passagem de Paris para voltar. Os aeroportos da península Ibérica foram os únicos que não fecharam por nenhum dia, até agora. Curiosamente, outro aeroporto que não fechou por um dia sequer foi o de Reikjavik, capital da Islândia, país onde fica o vulcão que está cuspindo fumaça sobre a Europa...

[Adhemar - Itália, a caminho de Roma, 20/04/2010]

Veneza não é so canais (foto: SM)
Veneza não é só canais (foto: SM)
Outra rua de Veneza (foto: SM)
Outra rua de Veneza (foto: SM)

sábado, 10 de julho de 2010

Nuvens, poeira invisível


Uma voz deliciosamente rouca canta uma canção ao fundo. Emenda pensamentos desconectados, onde será que esqueci minha gravata? Perdas e ganhos num balanço mudo. Campos cultivados avistados da janela do trem. Um deslizamento silencioso e rápido, caminhos paralelos. A companheira adormecida sonha um desenlace desejado. Cargas literalmente pesadas, caminho longo, teste difícil. Uma teoria, explicações técnicas e científicas. Como os pássaros, migramos para o sul. Interrompidos, nos movemos lentamente enquanto um frio envolvente nos abraça. Espero que a névoa no horizonte seja só mau tempo. Flutuações oscilantes, desvio imprevisto, rota aventuresca. Do pó viemos, no pó estamos, do pó fugimos e ao pó retornaremos!

[Adhemar - Itália, a caminho de Roma, 20/04/2010]

Projeção holográfica - Fieramilano Tortona (foto:SM)
Projeção holográfica - Fieramilano Tortona (foto:SM)

Instalação no evento fora da feira de mobiliário e design de Milão (na região da Tortona). O chão coberto de folhas e a cadeira estão no cenário (real). A mulher e a sombra são projeções em 3D, ela fica caminhando de um lado para outro, perto da cadeira, e a sombra acompanha. Se não é genial, ao menos é bastante intrigante.

Adhemar

sexta-feira, 9 de julho de 2010

TRANSFORMAÇÕES


Afirmações, crenças,
religião, profissão de fé.
Sutis diferenças,
espírito em pé.

Angústias, dúvidas,
aflitas decisões.
Dificuldades? Inúmeras.
Escondidas soluções.

O divino amparo,
a confiança n'Aquele
que nos criou; e claro,
tomando atitudes, ajudando Ele!

Nossa vida é isso,
o que Deus nos dá ou nos tira.
Mas com amor e compromisso
a gente sempre se vira.

[Adhemar - Milão, 19/04/2010]

Escultura animada - Milão (foto: SM)
Esculturas animadas - Milão (foto: SM)

Parodiando Balzac


O homem de quarenta anos é um ser estabilizado, com as emoções mais comportadas; embora possa despertar ou resgatar sonhos passados, paixões da adolescência, idéias de independência, processos educacionais (?). Os princípios do seu caráter já estão solidamente intertravados - para o bem ou para o mal - representando sua consciência nas suas ações diretas ou circunstanciais.

O homem de quarenta anos tem plena ciência de sua meia-idade. Sabe perfeitamente que chegou ao ápice do seu desenvolvimento orgânico e que não há nada a fazer além da manutenção periódica (já nem preventiva pode-se dizer que seja): oftalmologista, cardiologista, clínico geral e, para alguns, implante de cabelo!

O homem de quarenta anos já não tem ilusões econômicas ou financeiras. Se estiver rico, permanecerá; do contrário, pouco poderá melhorar. Miséria ou bancarrota? Só se for muito burro ou azarado, numa inesperada reviravolta da situação!

No plano cultural, o homem de quarenta anos tem mais alternativas. Pode estar satisfeito - ou conformado - com o que sabe e conhece. Pode continuar curioso e alimentar seu cérebro com informações nas áreas de interesse - que podem ser muitas ou limitadas - conforme a personalidade do sujeito.

Enfim, o homem de quarenta anos não chega a ser uma esfinge embora também não seja um produto pronto e acabado. O homem de quarenta anos - por incrível que possa parecer - é um ser humano; e seria interessante comunicar isso às mulheres...!

[Adhemar - São Bernardo do Campo, 31/03/2005]

Quarentões

Desenterrei este texto a propósito da conclusão da leitura do livro "A Vida do Bebê - 2a. Parte - De 40 Para Frente" do meu amigo José Cláudio Adão - o Cacá. No livro ele retrata com humor e seriedade essa faixa da vida dos seres humanos, relatando as alegrias e mazelas que ocorrem com a gente. Recomendo o livro e o blog do autor (http://uaimundo.blogspot.com), sempre uma delícia de leitura das crônicas inteligentes escritas num português impecável. Passem por lá.

Adhemar - São Paulo, 09/07/2010.

sábado, 3 de julho de 2010

Pois é então


Quando é que uma decisão muda a vida da gente? Quando é que um vulcão de emoções, ativo desde muito tempo, resolve entrar em erupção e muda a vida da gente? De repente uma solidão, a criança em terra estrangeira de idiomas e de sensações fica órfã e desamparada, desesperada de aflição. De repente, uma enorme nuvem de fumaça e poeira encobre as máscaras, as pessoas se revelam fracas... De repente, grandes reflexões sobre a fragilidade do homem frente a natureza; tudo o que fomos capazes de construir a partir da terra, das pedras e da madeira sobreviveu ao tempo. E o que de engenho, tecnologia e presunção produzimos no último e curto espaço de tempo não é capaz de voar entre os rolos da fumaça espessa de um simples vulcão da terra do gelo. A natureza responde às nossas agressões não como vingança, mas como senhora de todo este vasto mundo. E séculos de civilização e cultura não serviram para amadurecer a criança...

[Adhemar - Veneza, 18/04/2010]

Canal típico de Veneza (foto: SM)
Canal típico de Veneza (foto: SM)
Piazza San Marco - Veneza (foto: SM)
Piazza San Marco - Veneza (foto: SM)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

CANAIS


Quando a poeira baixar
vamos chegar por aí.
Enquanto o vulcão vomitar,
vamos andar por aqui.

De estar em Paris
gabamo-nos cedo demais;
pra onde aponta o nariz
nós vamos sem pensar mais.

Pra França não dá? É uma pena...
Viagem tem sempre beleza;
ao invés de ir pras margens do Sena
tomamos um trem pra Veneza.

Nas voltas que o mundo dá
aventuras de trem, avião ou de barco,
paramos pra tomar um chá
em plena Piazza San Marco!

[Adhemar - Veneza, 18/04/2010]

Canal em Veneza (foto: SM)
Canal em Veneza (foto: SM)
Piazza San Marco (foto: uma turista camarada, valeu!)
Piazza San Marco (foto: uma turista camarada, valeu!)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Proclamação


Estávamos na ante-sala do consultório. Ele, quase desmaiando em febre e dor de garganta; eu, o amparando. Conversando em voz baixa. Tentando animá-lo. Aí, resolvemos brincar de forca, eu propus, ele topou. Pediu pra fazer a primeira palavra - que advinhei logo a princípio quando falei "letra A". Depois, pra esticar a brincadeira e porque estava curtindo a sacada do garoto - me deixou bobamente emocionado e mais do que orgulhosamente convencido - falei outras letras citando outras palavras que caberiam ali. Até finalmente ver nele um sorriso, espontâneo e lindo.

P/ VS
[Adhemar - São Paulo, 26/06/2010]

Brincadeira
Brincadeira

domingo, 27 de junho de 2010

DUELOS SUBJETIVOS


Continuo tentando ser um cronista, um narrador para além das próprias necessidades. Um contador de histórias interpretadas, reais ou imaginárias, com algum senso de humor.

Continuo acompanhado de certas idéias que mudam de roupa mas são sempre as mesmas, vou desfiando meu rosário de asneiras incrementando com acessórios, enfeites, decalques mas respeitando o assunto central.

É certo que tento algumas variações com pretensões de ser original; é certo que enveredo por ramificações ou vertentes, ou pego o lado paralelo das bifurcações (mesmo que elas não os tenham). Logicamente que tento iludir criando certas distrações como no título, ou simplesmente o local e a data.

Claramente percebo que, tentando ser um cronista, um poeta ou simplesmente um escritor posso até ficar bem feliz; mas não passo de um amador...

[Adhemar - Milão, 15/04/2010]

Estádio San Ciro - Milão (foto: SM)
Estádio San Ciro - Milão (foto: SM)

sábado, 26 de junho de 2010

Avanços e recuos

Apelo, distância e poesia,
horizonte deslocado.
No mapa, à sua maneira,
perdido e encontrado.

Acaso, razão e mistério,
panorama enevoado.
A procura do rumo sério
mesmo chegando atrasado.

Passos, impulso e corrida,
trechos do verso espalhado;
a linda idéia perdida
na memória se tem afogado.

Ímpeto, ardor e lembrança
na contemplação de uma flor;
como se fosse criança
numa implicância de amor!

[Adhemar - Milão, 15/04/2010]

Milão - Castelo Sforzesco, vista lateral (foto: SM)
Milão - Castelo Sforzesco, vista lateral (foto: SM)
Milão, Castelo Sforzesco - pátio interno (foto:SM)
Milão, Castelo Sforzesco - pátio interno (foto:SM)
Milão, Castelo Sforzesco - pátio interno (foto: adh2bs)
Milão, Castelo Sforzesco - pátio interno (foto: adh2bs)

domingo, 20 de junho de 2010

"RITORNO"


A gente sempre carrega certos preconceitos,
certos receios.
A gente primeiro olha torto,
depois é que olha direito.

Tem sempre uma conhecida palavra,
uma vitória, um abraço.
E mal termina o que fala,
um risco é um traço.

E os pés não aguentam a gente
das pernas que não alcançam o passo.
É num pensar diferente
que a gente amplia o espaço.

É tanta expectativa
revestida de ansiedade,
parece que falta vida
pra absorver tanta novidade...

Então, é bom que se diga:
ficou tanta coisa no ar
que, de uma forma decidida,
a gente precisa voltar!

[Adhemar - Milão, 14/04/2010]

Stazione Centrale - Milão (foto: SM)
Stazione Centrale - Milão (foto: SM)
Stazione Centrale - Milão (foto: SM)

Stazione Centrale - Milão (foto: SM)
Stazione Centrale - Milão (foto: SM)
Stazione Centrale - Milão (foto: SM)

terça-feira, 15 de junho de 2010

Entre a pena e a espada


Por que ter duas vontades iguais?
Por que tão dividido
depois de tanto tempo acostumado comigo?
Ah! Brutal sensação de Adeus!
Tudo que tens aqui
deixa pros tão próximos teus!

Impossível saber o que é vida
numa nova e impalpável realidade.
Tão improvável mas tão, tão real.
Real porque é tão viva,
faz o sonho delirar.

Adeus.
Que palavra estranha!
Tão presente e não consigo falar.
Deliberar para si novos rumos,
quando tarde não há mais lugar...
Lugares que se possa ocupar,
vender tudo, destruir a raiz.
Entre um fato e outro criar
outras raízes num longe qualquer.

Tudo tão vago e é tão difícil decidir...
Tantas coisas a fazer em tantos ondes,
no entanto,
tão preciso de permanecer.

Qual missão, qual mistério me cabe
que não possa escolher o lugar?
Qual porção do mundo deve me conter,
que estrangeiro me sinto tão lá...?

Fecho os olhos e em sonho me deito,
num barquinho tão frágil, no mar.
Deixo ao vento o roteiro do tempo;
é assim que eu quero chegar.
Abro os olhos só quando chegar...

[Adhemar - São Paulo, 08/06/1987]

MULTIPASSOS

Arte e cena
cena e arte
uma escultura
uma pintura
em toda a parte.

Praça, esquina
esquina e praça
passetos, viales
fermatas, centrales
charme e graça.

O ser humano em escala
o Duomo, o Scala
galerias e villas:
É Milão, é a Itália.

[Adhemar - Milão, 14/04/2010]

SM)
Galeria Vitorio Emmanuelle - Milão (foto: SM)
SM)
Galeria Vitorio Emmanuelle - Milão (foto: SM)

domingo, 13 de junho de 2010

Véus sucessivos


Tantos mistérios a se revelar
em uma só existência.
Tantas alternativas,
distâncias a percorrer,
perspectivas.

Tantas observações a recolher
em uma só existência.
Tanto a escolher,
instâncias a recolher,
experiência.

Tantas coisas a calar
e tantas a dizer!
Com uma certa insistência;
a distância entre o aprender e o saber,
conveniência.

Tantas benesses a agradecer,
tanta presença...
O espírito a se aprimorar
em tanta fé e tanta crença;
Deus é consciência...

[Adhemar - Milão, 13/04/2010]

Prédio de apartamentos, Milão (foto: adh2bs)
Prédio de apartamentos, Milão (foto: adh2bs)
Edifício - Milão (foto: adh2bs)
Edifício - Milão (foto: adh2bs)

sábado, 12 de junho de 2010

REENCONTRO


Hoje, faço uma interrupção nas bobagens escritas durante as viagens para relatar uma alegria inesperada: o reencontro com um amigo que não via já há nove anos. Um amigo como há poucos. Quando privávamos de um convívio mais constante, o sempre dedicado Marcos chegou até a tomar conta das crianças! Sua carreira na psicologia o tomou integralmente, devotado e aplicado no trabalho assim como tudo que se propôs fazer. Pouco nos falamos após o falecimento de meu pai - há nove anos já - e nada nos últimos dois ou três anos. Hoje, o reencontro por acaso no supermercado, mostra um camarada ainda mais ajuizado e maduro, bem de saúde, semblante sereno e, sobretudo, ainda mais circunspecto. Se por acaso o tempo engessou no passado uma intimidade maior, pelo menos em mim não diminuiu o apreço e admiração que esse verdadeiro irmão sempre me inspirou. Enfim, pude abraçar o velho amigo, olhá-lo bem e, quem sabe, convencê-lo a sair da rotina, ao menos de vez em quando, para nos reunirmos e revivermos, na medida do possível, os bons tempos de outrora.

Portanto, grande abraço e até breve, Marcos, Deus permita que nossos caminhos se permeiem...

P/ MRM
[Adhemar - São Paulo, 12/06/2010]

domingo, 6 de junho de 2010

Cinquenta minutos


Por quantos segundos se conta o tempo,
por quanto tempo?
Por quanto tempo se guardam segredos,
por quanto tempo?

Por quantas vozes se canta um canto,
qual é a música?
Por quantas vozes um coral,
qual é a música?

Em quantos dedos se contam horas,
por quanto tempo?
E os sons audazes, quantos que cantam,
qual é a música?

[Adhemar - Algum lugar sobre o Mediterrâneo, costa francesa, 13/04/2010]

Igreja Duomo - Milão (foto: adh2bs)
Igreja Duomo - Milão (foto: adh2bs)

DEVANÓIAS


A dura maciez da idéia
que ousa, profusamente,
ser mesquinha.

A macia dureza da geléia
que abate, profundamente,
a musiquinha.

Uma sonora antissinfônica canção,
toda explodida.
Um penoso esbanjamento de fonias
numa agradecida ingratidão;
mãos postas em prece,
gritos surdos, abafados,
ecoando solitários na multidão.

Uma luminosa idéia apagada
numa clara escuridão.

[Adhemar - São Paulo, 06/04/2010]


segunda-feira, 31 de maio de 2010

Costa da França


O enamorado se levanta,
bate palmas, elogia e canta.
E não cansa.
Em torno da amada ele dança.

O enamorado se emociona;
ele engasga, ele chora,
não desiste, não vai embora,
incentiva e impulsiona.

O enamorado dá o braço,
pega a mão e dá um beijo,
dá outro beijo e o coração.

O enamorado dá um abraço
de efeito benfazejo
destacado da paixão.

P/ SM
[Adhemar - Algum lugar sobre o Mediterrâneo, costa francesa,
13/04/2010]

Circulação e pavilhões Fieramilano, Milão (foto:SM)
Circulação e pavilhões Fieramilano, Milão (foto:SM)

domingo, 30 de maio de 2010

"CORSO"



Andamos meio aéreos ultimamente.
E de pensar que, dois dias atrás
estávamos andando na linha!

Hoje, estamos nas nuvens.
Tudo azul,
pros lados, pra cima, pra baixo.

Hoje, estamos completando mais um dia de vida,
testando certos limites,
rezando para que as bençãos se espalhem;
alcancem para além das cercas de nossa alegria
irradiando-se desde cada nova jornada
a todos que nos acompanham.

P/ e c/ SM
[
Adhemar - Algum lugar sobre o Mediterrâneo, costa espanhola, 13/04/2010]

Aeroporto de Barcelona (foto: SM)
Aeroporto de Barcelona (foto: SM)
Aeroporto de Barcelona (foto: Adh2bs)
Aeroporto de Barcelona (foto: Adh2bs)

Rumo, percurso

O aeroporto de Barcelona é um capítulo à parte. Está situado entre o sensacional e o espetacular em termos arquitetônicos, é amplo, ventilado, a iluminação natural é muito bem aproveitada num sentido de economia e sustentabilidade; assunto levado muito a sério na Europa. O espaço interno é agradável e acolhedor, mesmo na imensidão gigantesca do ambiente. É muito bem sinalizado; anda-se muito, é verdade. Mas sempre no rumo certo.

Adhemar, 30/05/2010.

sábado, 29 de maio de 2010

Adeus... Até já!


Tantas pernas,
aonde vão nos levar...
Tantas penas,
tontas voltas,
partir e chegar.

Malas feitas,
malas prontas
e um muito que andar.
Tontas penas,
tantas voltas
que difundir e ampliar.

Amplo espaço,
muito ar,
um aceno, despedida;
grande abraço
e a promessa de voltar.

[Adhemar - Barcelona, 13/04/2010]

Um acesso ao bairro Gótico - Barcelona (foto: SM)
Um acesso ao bairro Gótico - Barcelona (foto: SM)
Palau Güell (Gaudi) - Barcelona (foto: adh2bs)
Palau Güell (Gaudi) - Barcelona (foto: adh2bs)

terça-feira, 25 de maio de 2010

RAIO


Uma paixão repentina,
o namoro intenso;
um amor eterno
num instante passageiro!

Antes mesmo da despedida
uma desmedida saudade...

[Adhemar - Barcelona, 13/04/2010]

Barcelona vista do Parc Güell (foto: adh2bs)
Barcelona vista do Parc Güell (foto: adh2bs)

Parc Güell - Barcelona (foto: Stella Maris)
Parc Güell - Barcelona (foto: SM)
Edifício área universitária - Barcelona (foto: SM)
Edifício área universitária - Barcelona (foto: SM)
Sagrada Família (de Gaudi) - Barcelona (foto: SM)
Sagrada Família (de Gaudi) - Barcelona (foto: SM)

Ansiedade dupla


Em tantos lugares com tanta gente eu te procuro,
entre tantos pensamentos te procuro sempre.
Rosto a rosto, investigando a multidão
num milagre da loucura;
a loucura do coração.

Eu te procuro aonde vou, em tantos cantos,
e deste procurar vou me alentando.
No recôndito mais fundo eu não me espanto,
na mais intensa busca procurando.
Abro meu peito pra soltar meu canto
e somente na esperança te encontrando.

[Adhemar - Campo Grande/MS, 23-24/07/1987]

Ao amor preciso

Este era o título original deste texto, escrito durante outra viagem. Achei que tinha algo em comum com o escrito intitulado "RAIO", que vem logo após (no caso, "antes") deste aqui, mesmo separados por 23 anos de tempo!

Adhemar, 25/05/2010.

domingo, 23 de maio de 2010

RADAR


Ondas e vibrações de um cúmplice silêncio.
Calor de mãos, calor de olhar
e de sorrir simplesmente.

Ondas e vibrações de um abraço,
de uma visão paralela
para o mesmo ponto de confluência:
o infinito.
Que nos faz rir e falar ao mesmo tempo.

Ondas e vibrações de pegar as mãos,
apanhar no ar um pensamento bom
e, mesmo de olhos bem abertos, sonhar.

P/ SM
[Adhemar - Camp de Tarragona-ESP, 11/04/2010]

Um típico trem Europeu (Madri-Barcelona, foto: SM)
Um típico trem Europeu (Madri-Barcelona, foto: SM)