Muitas vezes eu não quero dizer nada e as pessoas me interpretam; noutras vezes, quando eu digo tudo do mais fundo de mim mesmo, ou não me entendem, ou me ignoram...
Agora, me vejo diante dos impasses: deixo a barba crescer? Mudo de emprego? Vou à Veneza?
Então eu improviso meu discurso certo de que as pessoas vão ouvir e aplaudir. Mas ninguém quer escutá-lo... Fico só. De repente, imerso em quietude e silêncio, escuto o arfar de expectativa da platéia; uma multidão a me cercar aguardando uma esmola de palavra que talvez eu nem venha a proferir!
Envolto em minha própria confusão, paro e escrevo. Tudo vai ali vomitadamente impresso em meu desleixo ansioso e meio aflito, de libertar tanta besteira aprisionada na forma de verso ou prosa. E no mais recôndito guardado as pessoas me pedem, querem ver, ler e ouvir minha profunda filosofia feita de nada. Nesse quando, até a mais infame das piadas ganha um sentido altissonante.
Surpreendido, escrevo então a sério, desenvolvendo minhas teorias... Torcem-se os narizes, afastam-se os mais fanáticos fantásticos, já desinteressados. Chego a óbvia conclusão que a gente só acerta quando é totalmente espontâneo, ingenuamente natural e sempre sincero. Disfarçou - se deu mal.
[Adhemar - São Paulo, 08/01/2010]
Engasgo eloquente
Fui apanhado de surpresa com a reprodução de um escrito no blog de minha amiga Selma Barcellos por estes dias; uns dias atrás, Gaby utilizou uma resposta em verso que lhe fizera no seu blog para seu perfil no Orkut (acho...). Resolvi postar o escrito (antes dos eventos citados) acima porque realmente me surpreende a repercussão de algumas coisas. E falo no assunto por absoluta falta de modéstia, supremo paradoxo, pois apesar de encabulado, fico por demais envaidecido. Voz de falsete: "acho que aprenderei a conviver com esta súbita fama que o sucesso carrega, espalhando minhas palavras que se pretendem menos sábias do que divertidas; que acalentem o coração dos leitores e lhes provoque um sorriso; que os faça balançar a cabeça e possam dizer ao final da leitura - este Adhemar tem cada uma..."
Adhemodesto, 27/01/2010