sábado, 2 de janeiro de 2010

BAÚ

Neste solitário abrigo,
neste solar tão preservado quanto antigo
estão guardadas as mais antigas lembranças.
É num quarto bem fechado
mas se faz hora da limpeza.
Emoções presentes
que outras não temos guardadas similar...
Ao olhar as ultrapassadas auto-defesas,
que não servem mais pra nada;
tantas poesias desperdiçadas,
isto é,
despedaçadas na inclemente ação do tempo.
Recordações misturadas.
Tudo desarrumado neste solitário abrigo,
ora aberto para resgatar o que é inútil
e dar lugar à tralha nova;
novas emoções,
novas poesias e, quem sabe,
até o lindo momento erigido
ao profundo e inesperado sentimento novo.

[Adhemar - São Paulo, 28/08/1988]

Baú aberto

Publicado no "Duelos Literários" para o tema de dezembro/2009.

Um comentário:

Adh2bs disse...

Comentário por Selma Barcellos — domingo, 3 de janeiro de 2010 (19:33:18)
Tão bom se houvesse no canto do quarto um baú de verdade, lacrado, repleto de velhas memórias que contam nossa história… A gente deixaria ele aberto a visitações (nossas, claro), acrescido de uma passagem secreta (a senha conosco!) para as recentes e futuras recordações. Nossa vida, assim acondicionada, nos daria um certo domínio sobre esse algoz a quem chamamos TEMPO…
Beijocas e beijocas.