domingo, 10 de janeiro de 2010

Fogo e aventura

De uma hora para outra resolvi assumir uma parte obscura de minha macheza: enfrentar uma churrasqueira! A começar pelo aquecimento - ou as preliminares: um exercício de pernas, braços e dedos, conferência geral dos instrumentos e limpeza dos apetrechos.

É bom que se diga, na manhã que antecede o crime já houve a incursão na padaria e no açougue, com nosso ar altivamente entendido escolhendo pães, linguiça, carne e carvão!

De volta ao lugar do evento, a seleção do material de apoio: assadeiras, bandejas, sal grosso, fósforos, meio pão, álcool ou óleo de cozinha; estes últimos para invocar a proteção divina e acender o fogo. Os rituais de preparação prosseguem desde o jogar as carnes no sal ou vice-versa, até o caprichoso arranjo do carvão - vegetal - no centro da churrasqueira que, ante nosso olhar compenetrado e sério parecerá a própria pira olímpica esperando a tocha que antecede aos jogos!

Uma vez posto fogo no verdadeiro templo de carvão armado ao centro da churraqueira, as atenções voltam-se para as carnes já cortadas ou não em seu banho de sal grosso - talvez para escapar do azar de serem maltratadas por um aventureiro qualquer metido a artífice de churrascaria... Furar as linguiças para que o calor da batalha lhes aqueça as intimidades e drene parte de suas gorduras que realimentarão o próprio fogo que as doura.

Finalmente, após uns quatro ou cinco copos de cerveja - porque ninguém é de ferro e o calor da responsabilidade é intenso - colocar a mercadoria nas grelhas, nos espetos; entre um gole e outro ir inventando as mais tresloucadas teorias porque, churrasqueiro que se preza tem a mesma natureza de um verdadeiro pescador!

[Adhemar - São Paulo, 01/01/2010]

3 comentários:

Lumenamena disse...

Muito interessante teu texto e com muita imaginação.

"Furar as linguiças para que o calor da batalha lhes aqueça as intimidades e drene parte de suas gorduras que realimentarão o próprio fogo que as doura." - gostei desta frase! Altamente!

Um Grande Abraço,
Lumena

busquesantidade disse...

Rsrsrsrs... Voce me fez rir muito com tudo isto. Aqui em casa todo mundo gosta de churrasco e da churrasqueira também. Vou mostrar este texto para que deem um pouco de risada também, pois voce conseguiu fazer de um simples churrasco uma grande piada. Olha que eu rio muito, mas muito pouco mesmo, e ri a beça de tudo isto. Gostei. Abraço fraterno.Lourdes Dias.

Adh2bs disse...

Comentários no outro blog:

Comentário por caurosa — terça-feira, 12 de janeiro de 2010 (14:12:13)
Olá meu nobre amigo poeta Adhemar, você é, com certeza, um grande representante da nossa raça, churrasqueira não é para qualquer um não. Eu pago para não preparar churrasco. O que vale, na verdade, é o bom papo e as historias (ou estórias) que são contadas e inventadas.
Muita paz, harmonia e um 2010 de muitas realizações
forte abraço
Caurosa

Comentário por Gaby — terça-feira, 12 de janeiro de 2010 (18:02:08)
Olá !!
Realmente acender a churrasqueira não é para
qualquer um não rsrsrsr onde eu moro ainda é pior alem
da churrasqueira temos que acender lareira
e uma batalha como você disse e tem todo o processo
eu mesmo não tenho a audacia….muito menos a macheza kkkkkkkk…
boa historia viu …
até mais.

Comentário por Gaby — quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 (17:44:20)
Oi Adhemar
Estava procurando um texto bonito
para colocar no perfil do meu orkut
então de ingerida que sou peguei sua
poesia em respostas ao meu texto duvidas
que você postou no dia 10/11/09 (entrocamento).
Obrigado pela dedicatoria viu fico lisonjeada
de você colocar um texto em respostas as minhas duvidas…
Felicidades a você e sua Familia.
Até mais…

Comentário por Selma Barcellos — sexta-feira, 15 de janeiro de 2010 (20:21:15)
Adhemar, fiquei curiosa! Deu certo a sua incursão? Ou a picanha virou lagarto paulistinha? Conte-me! Sei não, mas vi um arquiteto preparando churrasco…
Beijocas e beijocas.

Comentário por adhbrgsz — sábado, 16 de janeiro de 2010 (22:05:20)
Menina!
O pessoal não reclamou. Foram dois em seguida: um no sábado que antecedeu o Natal, na casa de um primo de Stella. Outro, no dia de ano novo, pra sogra, o cunhado e um irmão. Outro show (k k k k k k k…). Antes disso, só produzia desastres: de uma feita, comemos “carvão super salgado”; de outra, levei duas horas e meia pra acender o fogo (e os meninos quebraram meu galho dizendo pras visitas que o carvão estava úmido…). Ou seja, não é a minha praia…
Abç,
Adhemar

Comentário por Tatiana — domingo, 24 de janeiro de 2010 (09:58:59)
Hahahaha! Espero que não tenha sido necessário acionar o Corpo de Bombeiros!
Beijos,
Tati.