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domingo, 31 de janeiro de 2010

Representação


Fingi que não sabia escrever.
Insatisfeito, escondi os meios - papel, caneta e lápis.
Insatisfeito, fingi emburrecer.
Insatisfeito, fingi ser feliz.

Fingi que não tinha comporomisso com isso.
As palavras, fingi esquecer.
Fingi um fingimento esquisito,
fingi sorrir, fingi sofrer.

Fingi abandonar certas idéias;
fingi abraçar causas improváveis.
Fingi provar certas idéias velhas
e conhecer terrenos insondáveis.

De tanto fingir eu me perdi
e me acostumei à máscara do espelho.
De tanto fingir eu me esqueci
de como era azul o vermelho.

Insatisfeito de tanto fingir
pensei que era feliz de verdade;
e falsamente eu me feri
nessa fantasiosa realidade...

[Adhemar - São Paulo, 07/10/2009]

2 comentários:

busquesantidade disse...

Que volta à realidade, não amigo virtual? Nós artistas ou que temos este tipo de alma, somos assim mesmo: Máscaras? Mente quem diz que não as tem. Assim como vaidade, egoísmo, egocentrismo e todos os "ismos" vistos de forma negativa. Somos humanos demais Adhemar, por mais que queiramos e lutemos por sermos diferentes. Abraço. Lourdes Dias.

Adh2bs disse...

Comentário por Selma Barcellos — domingo, 31 de janeiro de 2010 (19:29:15)
Poetas são fingidores. Fingem tão completamente que… Não foi assim que nos ensinou o maior de todos, os Pessoas?
Beijocas de Selma.