quarta-feira, 31 de março de 2010

Amores


Meu primeiro amor foi Célia.
Tão bonita e fascinante...
Porém era mais velha
Me decepcionou por ser fumante.

Meu segundo amor – Marcela –
Que de tão platônico pereceu,
Era muito superior, tão bela,
Que a este admirador nem percebeu!

Bem mais tarde, Ana Paola foi paixão.
Dessas terríveis, avassaladora.
Até hoje, em meu coração,
Esse sentimento ainda ecoa.

Outra ilusão desse tempo – Iracema –
Era musa atraente e sedutora.
No entanto, um obstáculo, um problema:
De uma legião de fãs era pastora.

A seguir surgiu-me Lígia
Pra me socorrer numa tristeza;
Mas ao perceber-me já fugia,
Pois era eu plebeu, ela princesa.

O meu amor maduro foi Monique,
O que na mocidade mais durou.
Porém, malgrado meu, era tão chique,
Que de mim um dia se cansou.

Então, Cláudia surgiu e surpreendeu,
Apanhando-me desprevenido e sem jeito.
Mas meu coração não respondeu
Fugindo desse afeto com respeito.

Em Ilhéus, a noiva de um fazendeiro,
– Também Cláudia, com todas as letras –
Foi como incursão num picadeiro
E ensinou-me a andar sem as muletas.

Num entretempo, outra Monique conheci,
Vinda dos confins de Mato Grosso.
Tão bacana e tão cheia de si...
Mas era tão menina e eu já moço...

Enfeitiçou-me a seguir a Bernardete
Estabelecendo um condomínio.
Mas era apenas uma professora breve
Transformando o poeta em peregrino.

Elaine Cristina então a sucedeu
Tão linda e luminosa que nem sei.
O papel de príncipe me deu,
Mas ela precisava era de um rei.

E ao final de todo esse aprendizado
Veio Stella, linda e firme se instalou.
O grande amor do homem já formado,
Grande mulher que ao homem completou.

Um imenso e verdadeiro desafio
Para toda a vida se tornou.
Passou pela paixão, pelo calor e pelo frio,
E que docemente triunfou.

Mais que amor, uma profissão de fé.
Mais que amor, a tranqüila confiança.
Mais que amor, é um grande lar em pé.
Mais que amor, somos nós e três crianças...

Enviado ao blog Duelos Literários p/ o tema de março/2010
P/ SM

[Adhemar - São Paulo, 11/03/2006]

segunda-feira, 29 de março de 2010

AMORE MIO


Querida,

Se perdoas ou relevas meu mau jeito
apesar de um tanto quanto desvairado
sabes que estás no mais fundo do meu peito,
pro nosso amor é que eu vivo orientado.

Saibas que o tempo só fez crescer o sentimento
de união, de ir em frente o que nos une.
São tantas coisas de um vasto sortimento
que a umas raspas de rancor está imune.

Então olho pra trás, olho pra frente
e te vejo em permanente devoção.
A teus pés sou apenas um vivente
dependente de te levar no coração...

P/ SM
[Adhemar - São Paulo, 26/09/09]

domingo, 28 de março de 2010

Provocações extraordinárias-2


E aí? Assunto resolvido - isto é - pra onde vamos, começamos a pesquisar os lugares para ficar nas etapas que são por nossa conta. Pit traçou um roteiro racional onde nos deslocaremos de trem ou avião entre as cidades que visitaremos. Alguém indicou um site muito legal, lá fomos nós em busca de hotéis.

Primeiro critério de seleção? O bolso. Segundo: um mínimo de conforto. Terceiro: localização mais próxima possível dos pontos que queremos visitar e do transporte - as grandes cidades européias são muito bem servidas de metrô e trens urbanos. Quarto: café incluído, sim ou não... Voltando à localização, precisamos racionalizar o curto tempo de permanência em cada lugar. Na hora da decisão, descartamos os mais distantes, os que não têm WC no quarto... Que mais a ser levado em conta? Resolvemos ler as opiniões dos hóspedes. O barato do site é que publicam todas, na íntegra, com notas por itens, marcando com ponto verde as opiniões favoráveis e com ponto vermelho a roda de pau no hotel. E na língua original do hóspede! Escolhemos ler as opiniões da categoria "casais maduros" mas demos uma olhada nas outras ("casais jovens" e "casais idosos", entre outras). Bom, só isso já daria um livro, e dos mais hilariantes. Nossa estranheza começa por gente que deu como destaque negativo o fato do hotel não ter acesso livre à internet! Outro fato bem chato é o barulho oriundo das mais inesperadas formas - canos de descarga passando por dentro dos quartos, janelas voltadas para poços internos de ventilação das cozinhas... Outro ponto negativo, o atendimento do pessoal do hotel (principalmente relatado por hóspedes não europeus... Ora, ora). Os pontos positivos mais destacados: o atendimento (curiosamente mais destacado pelos hóspedes europeus... Ai ai ai, lá vamos nós...); a localização (então, neste quesito acertamos) e as instalações em geral. É curioso notar que certas pessoas, dado o alto astral de suas opiniões entusiasmadas, estariam confortáveis até numa caverna; acho que esse espírito numa viagem é o principal elemento da bagagem! Já outras, talvez o palácio do próprio rei não lhes servisse; enfim, dados os critérios que a gente utilizou para escolher os hotéis... Opiniões grafadas em norueguês ou grafadas em alfabeto cirílico por um casal alemão (provavelmente em russo, ou o site errou a bandeira do país do casal) e outras em idiomas que a gente não entendia nada, levamos em conta o tamanho das opiniões favoráveis e desfavoráveis. Isso rendeu uma série de piadas, a maioria impublicáveis, mas como exemplo: a opinião de um casal sueco, em alemão, com muitas linhas marcadas com o ponto verde nós "traduzimos" da seguinte forma: "muittto bon o serviczo de check-out, fecharram a conta rápido, nos livrrramoss daqui, thanks God"; e uma linha apenas com o ponto vermelho: "este hotel é uma merda completa". Coisa de cinema.

Rimos à farta e, entre receosos e despreocupados, fizemos nossas reservas num clima de expectativa e aventura. E não há a menor dúvida: essa viagem já começou...!

P.S. - Só não sei ainda como vai ser a etapa de subir as escadas e entrar no bendito avião! Talvez deitado numa padiola e anestesiado por uma traulitada na cabeça... Quem sabe até o próximo capítulo já teremos uma solução?

[Adhemar - São Paulo, 16/03/2010]

sábado, 27 de março de 2010

PASSAPORTE


O passaporte é um simpático documento que dá um trabalho danado pra tirar. É uma espécie de livrinho. Tem uma foto gigante da gente na primeira folha, com o nome, a assinatura na outra e um monte delas em branco pra irem carimbando os cantos do mundo aonde a gente se meter. Deve ser por causa desses registros que acho tão bacana o passaporte.

Não tenho andado muito ultimamente - como deveras gostaria - nem pelo Brasil, que dirá pelo mundo! No entanto, estou cheio de "passaportes"; livrinhos, cadernos ou cadernetas, folhas soltas em pastas e outros tipos de papéis avulsos que contém registros datados e assinados não só de onde eu estava, mas como do que eu estava pensando! Está quase tudo guardado numa espécie de mala; cheia, pesada, parece que tem um pedaço do mundo. Um pedaço do mundo saído deste bestunto, modesto cabedal de um imaginário infantil, por certo romântico, mas muito sincero.

Não sei se com essa bagagem posso ir a qualquer lugar, ou só pro inferno, mas enfim são os meus "documentos de viagem"...

[Adhemar - São Paulo, 08/03/2010]

quinta-feira, 25 de março de 2010

Intervalo


"Arquitetura & poesia" devia dar um tempo. Arquitetura porque está parada, estagnada há mais de um ano já. Poucos projetos apresentados entre tantos interessantes que poderiam ser mostrados aqui... E um ano de distância que faz as brumas das referências ficarem mais espessas. Uma ou outra tábua de salvação na forma de um estudo - obra nova - ou projeto de reforma funcionando "como aquele remédio pra nascer cabelo: não nascia mas dava brilho" (*).

A poesia anda amarga, quando não pessimista, doentia e precária. Já não faz companhia, só se lamenta ou atrapalha. Não consola, não diz nada, não é mais sentimental nem panfletária; excessivamente contraditória, chata mesmo. O que tem aparecido aqui tem sido muito escolhido...

"Arquitetura & poesia" deveria dar um tempo; e talvez dê, em abril, logo após fazer dois anos.

(*) Frase retirada de uma crônica do escritor Fernando Sabino.

[Adhemar - São Paulo, 31/01/2010]

Recreio!

Pois é, este blog fez dois anos mesmo ontem (Arquitetura e poesia: literatório do terra). Superou algumas expectativas que eu tinha, sobre se só mamãe leria. Houve quem achasse que merecia símbolos de reconhecimento - selos - e os ofereceu! Em dado momento, me assanhei, não deixava passar nenhum dia sem alguma baboseira postada. De certa forma, me fez escrever mais, tem coisa à beça garatujada por aqui, a maior parte imprestável, podem acreditar... Acabei me tornando mais exigente comigo - esqueci que isto aqui é lugar de descontração, encontro e troca de idéias! Daí essa colocação meio ou muito niilista (estava louco para usar essa palavra!). Enfim, vou aproveitar que estarei ausente por uns dias, em abril - não sei se terei tempo ou possibilidade de acesso à internet - e os deixarei a contemplar o espaço, propositalmente renovado para mais simples do que já era, em branco como um papel a esperar o registro de novas idéias. E crônicas de viagem - por que não? Afinal foi assim que eu comecei esta aventura de escrever: quando redigia os "diários" das viagens que fazíamos com nossos pais desde pequenos.

Adhemar, 25/03/2010.

segunda-feira, 22 de março de 2010

REALIDADE EM CHEQUE


A percepção distorcida e subjetiva
nas mínimas decepções se manifesta.
É preciso pensar de forma ativa
e assumir os sentidos que se empresta.

Se empresta das nossas sensações,
da nossa intuição imediata
que reflete certas profundas razões
do coração, de forma correlata.

Nossa opinião formada e emitida
é lapidada por quanta informação
chegar, de forma corrigida,
para influir em cada decisão...

Passam os fatos, minis-decepções,
que se acumulam até não mais poder.
Ficam perguntas, ficam dúvidas e questões
que, de repente, não sabemos resolver.

É sempre assim, desde o nunca antes do nada
que nós, humanos, criamos o problema
insolúvel - do mistério da existência assinalada -
e que também não resolvi neste poema...

[Adhemar - Santo André, 03/10/2008]

Realidade em choque

"Minis-decepções"??? Desde o nunca antes do nada!!!

Adh, 22/03/2010.

domingo, 21 de março de 2010

Arte & manha


Apenas para avisar aos amigos que nos distinguiram com selos de reconhecimento ao longo do convívio virtual, CONSEGUI COLOCAR AS IMAGENS AQUI! E sozinho, hem! Agora que está feito, não parece tão difícil. Novamente agradeço a todos, espero continuar merecendo a 'leitura' de vocês.

Em tempo: como o "arquitetura e poesia: literatório" (http://adh2bs.blog.terra.com.br) é o blog "original", tomo a liberdade de "colar" os selos atribuídos aqui naquele espaço também.

Grande abraço,

Adhemar, 21/03/2010.

Provocações extraordinárias-1


Há pouco mais de dois anos fui instado a fazer uma viagem para acompanhar minha excelsa consorte (com sorte?!) - ia atravessar o Atlântico a trabalho - que a levaria a uma famosa feira anual de mobiliário e "design". Mas a viagem era também um prêmio dado pela empresa aonde trabalha pela sua dedicação no desempenho do cumprimento do dever. Tanto assim que arrumou mais uns dias e esticou a permanência no Velho Mundo para realizar o sonho de passar frio às margens do rio Sena. Valeu a pena, pois voltou radiante.

Na época, nem cogitei acompanhá-la. Recém saídos de um sufoco danado, ainda estávamos "arrumando a casa", financeiramente falando. Me neguei a um endividamento que seria difícil de saldar depois, deixar as crianças aqui e - suprema ironia - o pânico de voar que me faz passar mal só de pensar. Foram motivos suficientes para minha terminante recusa - facilmente assimilados então.

Eis que em dezembro do ano passado Stella foi comunicada que o escritório patrocinaria outra ida a Milão - pelos mesmos motivos de 2008. Feliz, a premiada me enquadrou declarando: "dessa vez você não escapa". Mas outra vez recusei. Além das incontáveis horas de vôo, as crianças sozinhas aqui? A gente se divertindo e os caras ralando na escola? Quem ajudaria na lição? E de onde tirar a grana? Enfim, finquei pé, não conheço direito nem o Brasil...

Pois é. Mas ela insistiu. Insistiu por amor, por serem raras as oportunidades assim. A molecada se manifestou: "somos jovens, nossa vez vai chegar também e - vocês já não precisam ajudar na lição faz tempo!" (verdade). Minha mãe e meus irmãos também opinaram, um deles vai ficar aqui em casa no período da nossa ausência. Falei: "tudo bem, mas e o abençoado din-din? E o medão da caranguejola voadora??? Não vou!"

Cabe esclarecer que, durante os últimos dois anos, casais amigos que estiveram por lá me azucrinaram (numa boa) fazendo-me sentir comichões ao relatarem suas experiências, como isso afeta o nosso repertório pessoal, etc. Concordava com todos mas pensava de mim para mim que podia tranquilamente viver sem isso. Ora. Mas Pit não jogou a toalha. Suavemente lembrava de quando em quando o assunto até o dia, lá pelo final de janeiro, em que o Adhemamute resolveu mudar de idéia. Impus condições, claro. Trocar Veneza por Barcelona no roteiro, vender meu carrinho para pagar parte de minha parte na aventura. Radiante, ela disse "sim", como quando a pedi em casamento (vinte e dois anos atrás). Agora, com as bençãos de Deus, estamos a caminho mesmo que em terra firme ainda.

O que me fez decidir? Várias razões. A principal, acompanhar a eleita senhora de meus dias, minha amada e sempre namorada na realização de um seu justo sonho; o fator novidade, incrementando um pouco o casamento que anda bem precisado de umas emoções diferentes, uns reforços para reafirmação do que - de tanto que a gente sabe - anda meio acomodado; o fator responsabilidade pois, apesar de ficarem com um tio muito legal, pela primeira vez a moçada vai ficar por conta própria uns dias, faz parte do crescimento; minha própria curiosidade de verificar pessoalmente como é que são as coisas em outras praças, principalmente as obras do mestre Gaudí; e de também poder dizer na volta: "ó pessoal, estive em Paris!"

Só faltou resolver uma coisa: o tal do medo de avião. Façam as suas apostas, dêem a sua opinião. No próximo capítulo eu conto o que pretendo fazer além de tomar um litro de cachaça na veia antes do embarque...

[Adhemar - São Paulo, 15/03/2010]

sábado, 20 de março de 2010

CINEMA


Numa rima uma guinada,
numa quadra uma canção.
Tal quimera, quase nada,
bate fundo uma emoção.

Rima rica, rima pobre,
lá se foi um coração.
Amplos braços, gesto nobre,
emocionada entonação.

Uma poesia, alegoria,
uma alegre criação.
Algazarra, alegria,
bate o pé e bate a mão.

Um aceno, uma criança,
brincadeira e decisão.
Um amor, uma esperança,
luzes, câmera, ação!

[Adhemar - São Paulo, 17/09/2009]

sexta-feira, 19 de março de 2010

Bisavó


Contar histórias, estórias, lorotas.
Tirar o sangue para exame
dessas veias tortas.
Fazer bolinhos, batatas, bifes.
Temperar saladas,
amparar patifes.

Confrontar a morte, amores e repartições.
Carimbar papéis, destinos, fechar alçapões.
Redigir pedidos, memórias
e um testemunho
que no seu momento
contemplará outros corações.

Apagar do mapa, apagar do mundo,
apagar o quadro.
Só mais um minuto
por o pé na estrada
e acelerar o carro.

Esquecer as mágoas,
tristezas passageiras.
Refazer o mundo, outra natureza,
só montanhas, vales,
rios e cachoeiras.
Falando com as flores,
represando as águas,
breves corredeiras.

P/ minha avó Júlia.
[Adhemar - São Paulo, 16/10/2003]

terça-feira, 16 de março de 2010

QUEBRA-CABEÇA


Há sempre um ponto,
há sempre um canto,
há sempre um verso
quase pronto,
quase um pranto.

No infinito do universo
tanto espaço, tanto espanto.
Já seria por si um grande avanço
um mergulho, um orgulho,
um balanço.

No interior de um peito amplo,
um ôco fundo, arraigado,
preenchido mas nem tanto
que não se possa ver a transparência
de um embriagado meio tonto.

Há sempre o incerto,
há sempre um ato complacente,
indecente.
Há sempre um perto
mesmo longe das mãos da gente.

No infinito do pensamento,
sonolento e desperto,
tanto amor e tanta dor
a espera de aproximar - decerto -
outra peça pra encaixar, justapor...

[Adhemar - São Paulo, 08/12/2009]

domingo, 14 de março de 2010

Um travo de

Distraído eu me embaralho,
no atalho eu ouço um canto.
Se deitar eu me levanto
e se deixar eu me espalho.

Pra te assustar eu espantalho.
Pra apreciar teu encanto
eu ouço o teu acalanto
- o canto que ouvi no atalho.

Ao te perder, no entanto,
choro uma gota de orvalho,
derramada lágrima no pranto...

Da saudade que tortura tanto,
distraído eu me embaralho
e adormeço sem teu manto...

[Adhemar - São Paulo, 10/01/2010]

COMENDA

Recebi no blog Arquitetura e poesia: literatório 2 um selo chamado "comentarista excelente", criado pelo Edson Carmo do blog "edsoncarmo-amor.blogspot.com". Me foi atribuído pelo próprio e pela Lumena "lumynart.blogspot.com". Pra variar, não consigo importar a imagem copiada p/ o espaço dos blogs, mas desta vez vou fazer a indicação de doze amigos virtuais com os quais tenho mais contato e aos quais pedirei a gentileza de visitarem os amigos referidos acima para importar a comenda. A lista está em ordem aleatória e limitada a doze por ser "regra" do criador do selo.

"Este selo tem a finalidade de homenagear os COMENTARISTAS que, além da assiduidade dos comentários e do esmero com que são feitos, provocam-nos a necessidade de refletir, aprender e – sobretudo – que instigam almas e mentes à procura de conhecimento e sabedoria. Os comentaristas agraciados escolherão – cada um – 12 blogs com as características acima descritas e deverão copiar a imagem do selo e o texto acima, adicionando-a ao espaço que convier."

01. TATIANA REZENDE (o mundo gira, a lusitana roda...)

02. SELMA BARCELLOS (tiaselma.com.br)

03. GABRIELLE GARCIA (nem louca nem muito menos normal)

04. GABRIELA DOMICIANO (devaneios)

05. CARLOS ROSA (caurosa - blog do carlos rosa)

06. LUÍSA (manhosa - loba virtual)

07. BLOG DO CACÁ (uaimundo.blogspot.com)

08. NINA (apenas o interessante)

09. YLAGO (frutos da imaginação)

10. ISA CALDAS (meu cantinho)

11. LAIZ MARA (musicartepoetica.blogspot.com)

12. LILLY SOARES (espaço da palavra)

Aos "indicantes", indicados e demais leitores, forte abraço, ótima semana e até o próximo post...

Adhemar, 14/03/2010.

sábado, 13 de março de 2010

VOZES


Selva urbana.
Ruídos indistintos misturados
à umidade relativa e poluída do ar.
Imensas zonas de sombras,
de circulação furtiva de raios de sol,
da brisa, do cheiro das folhas.

Selva urbana.
Ruídos indistintos desumanos
misturados ao odor
dos cantos escuros e impuros,
das folhas mortas e caídas
de algum jardim.

Lugar comum,
a selva urbana atravancada de ruídos
indistintamente surdos
e absurdamente misturados
ao pensamento dos passantes,
ao farfalhar dos cabelos
e ao roçar das bermudas.

Selva urbana.
Ruídos indistintos de tantos passos,
tantas batidas diferentes
de diferentes sapatos
pelo passeio esburacado e sujo.

Ambiente,
a selva urbana e seus ruídos insolentes
misturados ao ronco dos motores,
ao sibilar da fumaça
em chaminés e escapamentos.

Selva urbana
e seus ruídos atrevidos,
indistintamente atravancados e ofensivos,
além de misturados
com o resfolegar da respiração dos cidadãos.

Metrópole cinza
e sua cinza selva urbana;
e o ruído do atrito
dos trens com os trilhos,
as sirenes, as buzinas,
o som alto dos rádios
e dos pregoeiros das lojas das esquinas.

Selva urbana
e seus enlouquecedores ruídos
misturados ao vai-e-vem das ruas.

Selva urbana
e seus ruídos indistintos,
da algazarra álacre dos prés-primários,
misturadas às broncas e aos chamados,
ao barulho dos objetos caídos.

Selva urbana,
teu tumulto e tua banca
nos ruídos indistintos,
de bandeiras a tremular nos mastros;
o balançar as pipas pelo céu nublado
e ao rugir o gol
a multidão no estádio.

Selva urbana
e seu fragor confuso
de indistintos e intermináveis ruídos
que soam como música
para os ouvidos.

Dos cidadãos urbanos, é claro.

[Adhemar - São Paulo, 14/03/2007]

segunda-feira, 8 de março de 2010

Ser mulher


Mãos e pernas,
agitação, cabelos.
Olhos longos,
olhar comprido,
curtos pelos.

Gestos casuais tão ensaiados.
Assuntos polêmicos,
temas ousados.

Roupas extravagantes,
falar dos canalhas,
das amigas deselegantes
e - homens de novo -
"aquelas tralhas".

Olhares provocantes,
persuasivos.
Olhares atrevidos,
para serem correspondidos;
ato contínuo,
espatifarem -
estender a mão na cara dos palhaços,
pobres paspalhos!

Salto agulha,
salto fino,
salto cinco;
desses que afundam no cascalho.
Fendas e decotes provocantes,
repuxados e cobertos
- se olhados;
e se não,
"ah! Os homens!
Que farsantes!"

E esperam na vitrine,
endeusadas,
que os homens ajoelhem
e implorem.
Mas no fundo
talvez queiram ser amadas
por estes inúteis imprestáveis
- e que as adorem!

[Adhemar - São Paulo, 11/12/2009]

domingo, 7 de março de 2010

REVERÊNCIA


Sua ousadia, ou melhor será dizer - atrevimento - atemoriza e intimida. Sua presença introduz uma pressão natural ao ambiente, eletricidade, tensão. Sua imobilidade causa uma aflita expectativa; seu movimento causa uma enorme comoção. O seu silêncio é angustiante; suas palavras, perturbação.

Enigmática como a esfinge, linda como a emoção. Emblemática, simbólica, misteriosa. Atenta, aquilina, consciente do pleno domínio que tem sobre o ambiente e os circunstantes. Despótica rainha salomonicamente justa! Atrai tanta atenção que, por ser muito observada, deixa passar umas sensações: quando um súbito brilho lhe perpassa os olhos e um canto de sorriso se esboça; o movimento de arfar o busto nas fendas inebriantes do decote; e até o balançar impaciente de uma linda perna a bater o pé de ansiedade... A espera de matar a fome devorando mais um homem, seja um fiel súdito ou um devotado escravo...

[Adhemar - São Paulo, 18/11/2009]

Referência

Ano passado, em manifestação sobre o dia da internacional da mulher (que, este ano, cai amanhã!) fui espinafrado por várias. Tem nada não, sigo com a mesma opinião de sempre: são úteis, práticas e decorativas! Queridas, é brincadeiraaaaaaaaaaaaaaaa...!
Bjão,

Adhemar, 07/03/2010.

sábado, 6 de março de 2010

Desastre anunciado


Sai dessa, meu irmão!
Já foi em frente,
na contramão.

Subiu na guia,
brecou na grama,
bateu no poste,
freio de mão.

Desceu de manso,
fechou a porta,
olhou em volta,
caiu no chão.

Olhos abertos,
céu estrelado,
foi fulminado
pela emoção.

Foi no que deu
o excesso de velocidade
do coração...

[Adhemar - São Paulo, 17/09/1987]

sexta-feira, 5 de março de 2010

NÚCLEO


Uma fonte, um gêiser,
água borbulhante.
Uma cratera, lava quente,
boca de vulcão.
Rolo de barbante...

Um gramado verde,
bola pra frente.
Um chapéu de couro,
um baixo ventre.
Um perigo à vista
e quem o enfrente.

O elefante, óculos vermelhos,
ver melhor.
Olhos abertos,
olhar maior.

Boca de vulcão,
buraco quente.
Placa de sinalização.
Concordância e negação,
bola pra frente.

Entre verdades e mentiras
parecença diferente...
Uma fofoca, uma intriga,
muita chateação.
Trabalho, indiferença
e muita briga.

Uma certeza de repente
num galho quebrado
ou numa canção.
Vazamento de emoção,
dúvida imprecisa.

Uma arquibancada, uma torcida,
bola pra frente;
muita ansiedade,
muita expectativa:
ou foi gol - passou a linha -
ou não.

[Adhemar - São Paulo, 27/06/2006]