sexta-feira, 19 de março de 2010

Bisavó


Contar histórias, estórias, lorotas.
Tirar o sangue para exame
dessas veias tortas.
Fazer bolinhos, batatas, bifes.
Temperar saladas,
amparar patifes.

Confrontar a morte, amores e repartições.
Carimbar papéis, destinos, fechar alçapões.
Redigir pedidos, memórias
e um testemunho
que no seu momento
contemplará outros corações.

Apagar do mapa, apagar do mundo,
apagar o quadro.
Só mais um minuto
por o pé na estrada
e acelerar o carro.

Esquecer as mágoas,
tristezas passageiras.
Refazer o mundo, outra natureza,
só montanhas, vales,
rios e cachoeiras.
Falando com as flores,
represando as águas,
breves corredeiras.

P/ minha avó Júlia.
[Adhemar - São Paulo, 16/10/2003]

4 comentários:

C@urosa disse...

Olá meu caro amigo poeta Adhemar,de lorotas em lorotas, eram sempre fantásticas as histórias, estórias e causos dos nossos avós. Muito bom...

Paz e harmonia para o amigo,

forte abraço

C@urosa

LUmeNA disse...

Adhemar,

Que dedicatória mais linda para a tua avó.
Poema, como tantos outros, escritos com muita alma.

Venho também aqui para te dizer que tenho uma surpresa para ti.
Passa no meu blog.

Abraços,
LUmeNA

manú disse...

Que maneira bela de expressar seu amor continue o mundo precisa de pessoas como você...abraços

Adh2bs disse...

COMENTÁRIOS NO OUTRO BLOG:

Comentário por Cacá (José Cláudio) — sábado, 20 de março de 2010 (12:48:53)
Ah, ee vou querer ter um neto assim… rsrs. Que lindo! Abração. Paz e bem.

Comentário por Selma Barcellos — quarta-feira, 24 de março de 2010 (13:28:38)
Gosto demais desse coração de poeta onde cabem todas as gerações da família. A mim, me encanta.
Beijocas da fã.