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domingo, 21 de março de 2010

Provocações extraordinárias-1


Há pouco mais de dois anos fui instado a fazer uma viagem para acompanhar minha excelsa consorte (com sorte?!) - ia atravessar o Atlântico a trabalho - que a levaria a uma famosa feira anual de mobiliário e "design". Mas a viagem era também um prêmio dado pela empresa aonde trabalha pela sua dedicação no desempenho do cumprimento do dever. Tanto assim que arrumou mais uns dias e esticou a permanência no Velho Mundo para realizar o sonho de passar frio às margens do rio Sena. Valeu a pena, pois voltou radiante.

Na época, nem cogitei acompanhá-la. Recém saídos de um sufoco danado, ainda estávamos "arrumando a casa", financeiramente falando. Me neguei a um endividamento que seria difícil de saldar depois, deixar as crianças aqui e - suprema ironia - o pânico de voar que me faz passar mal só de pensar. Foram motivos suficientes para minha terminante recusa - facilmente assimilados então.

Eis que em dezembro do ano passado Stella foi comunicada que o escritório patrocinaria outra ida a Milão - pelos mesmos motivos de 2008. Feliz, a premiada me enquadrou declarando: "dessa vez você não escapa". Mas outra vez recusei. Além das incontáveis horas de vôo, as crianças sozinhas aqui? A gente se divertindo e os caras ralando na escola? Quem ajudaria na lição? E de onde tirar a grana? Enfim, finquei pé, não conheço direito nem o Brasil...

Pois é. Mas ela insistiu. Insistiu por amor, por serem raras as oportunidades assim. A molecada se manifestou: "somos jovens, nossa vez vai chegar também e - vocês já não precisam ajudar na lição faz tempo!" (verdade). Minha mãe e meus irmãos também opinaram, um deles vai ficar aqui em casa no período da nossa ausência. Falei: "tudo bem, mas e o abençoado din-din? E o medão da caranguejola voadora??? Não vou!"

Cabe esclarecer que, durante os últimos dois anos, casais amigos que estiveram por lá me azucrinaram (numa boa) fazendo-me sentir comichões ao relatarem suas experiências, como isso afeta o nosso repertório pessoal, etc. Concordava com todos mas pensava de mim para mim que podia tranquilamente viver sem isso. Ora. Mas Pit não jogou a toalha. Suavemente lembrava de quando em quando o assunto até o dia, lá pelo final de janeiro, em que o Adhemamute resolveu mudar de idéia. Impus condições, claro. Trocar Veneza por Barcelona no roteiro, vender meu carrinho para pagar parte de minha parte na aventura. Radiante, ela disse "sim", como quando a pedi em casamento (vinte e dois anos atrás). Agora, com as bençãos de Deus, estamos a caminho mesmo que em terra firme ainda.

O que me fez decidir? Várias razões. A principal, acompanhar a eleita senhora de meus dias, minha amada e sempre namorada na realização de um seu justo sonho; o fator novidade, incrementando um pouco o casamento que anda bem precisado de umas emoções diferentes, uns reforços para reafirmação do que - de tanto que a gente sabe - anda meio acomodado; o fator responsabilidade pois, apesar de ficarem com um tio muito legal, pela primeira vez a moçada vai ficar por conta própria uns dias, faz parte do crescimento; minha própria curiosidade de verificar pessoalmente como é que são as coisas em outras praças, principalmente as obras do mestre Gaudí; e de também poder dizer na volta: "ó pessoal, estive em Paris!"

Só faltou resolver uma coisa: o tal do medo de avião. Façam as suas apostas, dêem a sua opinião. No próximo capítulo eu conto o que pretendo fazer além de tomar um litro de cachaça na veia antes do embarque...

[Adhemar - São Paulo, 15/03/2010]

3 comentários:

C@urosa disse...

Olá meu caro amigo Adhemar, eu já passei por esse sufoco ao voar pela primeira vez (precisei de um como, mas tudo bem), valeu e perdi o medo. Você não precisará de tudo isso...eu acredito.Gostei do excelsa consorte, parabéns pelo bom humor.

Paz e harmonia,

forte abraço,

C@urosa

LUmeNA disse...

"...acompanhar a eleita senhora de meus dias, minha amada e sempre namorada na realização de um seu justo sonho."

Lindíssimo o que leio!
Estar presente torna tudo muito mais fácil, para concretizar sonhos.

Faça a viagem!
E continue nos dando continuação da história.

Parabéns aos dois.

Abraços,
LUmeNA

Adh2bs disse...

Do outro blog:

Comentário por Adhemar Juan — segunda-feira, 22 de março de 2010 (13:03:06)
Fez muito bem pai, nada como uma nova experiência. Ano passado, se não me engano, vi um filme no cinema chamado Sim Senhor, com o Jim Carrey, muito engraçado, e não só isso, fez pensar mais antes de recusar uma oferta. Fiz um acordo com o Rato, que viu o filme comigo, de por 1 semana dizer Sim a tudo que propusessem(tudo com alguns limites claro). As vezes ficava em casa por preguiça, ou por não querer gastar, etc. Não só após essa semana, mas por várias ocasiões em que respondi positivamente(mesmo com a preguiça me puxando haha, percebi que não temos nada a perder, o que precisamos é não disperdiçar as oportunidades quando essas aparecem.
Fico muito contente em você ter aceitado ir com a mãe, até porque eu vou mandar na casa por 2 semanas(brincadeira haha). Mas falando sério, você vai com certeza aproveitar muito. Peço também que tire fotos do Camp Nou, San Ciro, Santiago Bernabeu, Stad’e France e se possível do Vicente Calderón, do Atlético de Madrid.
Abraços!
Adhemar Juan

Comentário por Gaby — segunda-feira, 22 de março de 2010 (16:20:11)
OLÁ
obrigado pelo selo adorei gosto muito de comentar aqui sempre que posso dou uma passadinha…
Mais que maravilhosa e charmosa este viagem hein.
medo de avião a para né…
eu nunca andei sabe mais penso assim se for medo de morrer acho muito mais chic morrer num avião indo pra barcelona do que morrer na marginal do rio tiete com enchente atropelada por um fusquinha kkkkk tô brincando, mais andando de carro estamos correndo muito mais riscos do que dentro de um avião pode ter certeza.
então desejo uma otima viagem e por favor conte a experencia para nós e comentaremos com certeza.
Boa viagem e muitas felicidade e alegria…

Comentário por Selma Barcellos — quarta-feira, 24 de março de 2010 (13:47:01)
Adhemamute (adoreeeei!), que filhos são esses, que esposa adorável…
Entra já nesse avião, tô mandando! E nada de litro de nada. Caretaço, no máximo um Dramin para dar sono.
O poeta já voa fora das asas fazendo poesia… Tem erro não.
Beijão e curte muito a viagem. Na volta, conta tudo.
Selminha

Comentário por Tatiana — domingo, 28 de março de 2010 (19:20:30)
Nossa, fico uma semana sem passar por aqui e encontro milhões de novidades: visual novo e a belíssima decisão de encarar o medo da caranguejola voadora!
Já estou com inveja…
Divirta-se!
Beijos,
Tati.