sábado, 13 de março de 2010

VOZES


Selva urbana.
Ruídos indistintos misturados
à umidade relativa e poluída do ar.
Imensas zonas de sombras,
de circulação furtiva de raios de sol,
da brisa, do cheiro das folhas.

Selva urbana.
Ruídos indistintos desumanos
misturados ao odor
dos cantos escuros e impuros,
das folhas mortas e caídas
de algum jardim.

Lugar comum,
a selva urbana atravancada de ruídos
indistintamente surdos
e absurdamente misturados
ao pensamento dos passantes,
ao farfalhar dos cabelos
e ao roçar das bermudas.

Selva urbana.
Ruídos indistintos de tantos passos,
tantas batidas diferentes
de diferentes sapatos
pelo passeio esburacado e sujo.

Ambiente,
a selva urbana e seus ruídos insolentes
misturados ao ronco dos motores,
ao sibilar da fumaça
em chaminés e escapamentos.

Selva urbana
e seus ruídos atrevidos,
indistintamente atravancados e ofensivos,
além de misturados
com o resfolegar da respiração dos cidadãos.

Metrópole cinza
e sua cinza selva urbana;
e o ruído do atrito
dos trens com os trilhos,
as sirenes, as buzinas,
o som alto dos rádios
e dos pregoeiros das lojas das esquinas.

Selva urbana
e seus enlouquecedores ruídos
misturados ao vai-e-vem das ruas.

Selva urbana
e seus ruídos indistintos,
da algazarra álacre dos prés-primários,
misturadas às broncas e aos chamados,
ao barulho dos objetos caídos.

Selva urbana,
teu tumulto e tua banca
nos ruídos indistintos,
de bandeiras a tremular nos mastros;
o balançar as pipas pelo céu nublado
e ao rugir o gol
a multidão no estádio.

Selva urbana
e seu fragor confuso
de indistintos e intermináveis ruídos
que soam como música
para os ouvidos.

Dos cidadãos urbanos, é claro.

[Adhemar - São Paulo, 14/03/2007]

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