Pesquisar este blog

sexta-feira, 30 de abril de 2010

DEMOCRACIA COSMOPOLITA


Ainda bem que perguntei por cachaça;
se digo pinga eram capazes de me linchar.
Afino os ouvidos,
há uma Babel a me cercar.

Infindáveis portões de saída,
creio que vão me deportar.
Mas quando chegar ao destino
precisamos ver se me deixam entrar...

Tento apreciar a sonoridade
dos outros idiomas que consigo escutar.
Existe uma intrínseca beleza
nos outros modos naturais de falar.

Até que a comunicação se estabelece
nessa língua universal e espetacular,
originada na necessidade de contato
e que é - simplesmente - gesticular!

[Adhemar - Guarulhos, 08/04/2010]

adh2bs)
Gran Café de Gijón - Madrid (foto: adh2bs)

"Modernosidades"


Olho pro lado: vejo algumas pessoas trabalhando (?) em seus "laptops". Olho pro outro: uma porção de gente teclando seus "blackberrys". Há também muita gente falando nos seus celulares, ouvindo MP3, MP4...

Vou matá-los de inveja! Abro minha mochila de couro, saco meu caderno de capa cinza, balanço a pena na ponta dos dedos, molho na ponta da língua e... "voilá"! Cá estão as palavras, tão nítidas quanto consigo esticá-las!!!

[Adhemar - Guarulhos, 08/04/2010]

Ó a panca do palhaço...
Ó a panca do palhaço... (foto: Stella Maris)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

ASAS FRIAS


O céu anoiteceu
uma agitação atípica.
Uma inquieta procura
de horizonte límpido.

O céu anoiteceu
as orações que temos feito,
como um manto benfazejo,
letras ilegíveis.

O céu anoiteceu
as coisa tangíveis,
emocionou almas simples,
reacendeu antigos desejos.

O céu anoiteceu,
protegeu-nos.
Revelou as estrelas,
sossegou nossas dúvidas.

Uma nova estrela nasceu
ao anoitecer,
quando o céu escureceu
e nós despertamos.

[Adhemar - Guarulhos, 08/04/2010]

Anoitecer em Madrid
Anoitecer em Madrid (foto: Stella Maris)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Outro selo?





Recebi este presente da querida amiga LUmeNA do blog
http://lumynart.blogspot.com/, a quem agradeço, encabulado.

As regras:

1) Por que você acha que mereceu esse Prêmio?
Porque são generosos os olhos e o coração de quem o concedeu.

2) Na sua opinião qual o post do seu blog é merecedor do Prêmio?
Aqueles que, de algum modo, disseram alguma coisa a alguém.

3) Do Blog que o indicou, o que mais lhe agrada? Ele merecia o Prêmio Blog de Ouro?
Agrada-me a inteligência e sensibilidade dos seus escritos. Sim, ela merece o Prêmio Blog de Ouro.

4) Indicar o selo para 10 blogs.

Estão indicados todos os blogs de meus amigos que por aqui passam! (são mais do que dez...)


Grato, LUmeNA!

Adhemar, 29/04/2010

Pausa para o café


Aeroporto Governador Franco Montoro (esta eu não sabia!) - Cumbica - Guarulhos / SP. Começamos bem. Uns contratempos de última hora, alguma correria para tomar as providências necessárias. Ainda bem que no meu "cronograma" havia uma hora de folga; "comemos" quase meia. A habilidade do Jairo - motorista do táxi que nos trouxe em pouco mais de meia hora de casa até aqui (moramos no Ipiranga) - recolocou nossa "folga" na hora inicialmente prevista (mais precisamente, 55 minutos). Cumprida a obrigação - "check-in" e embarque da bagagem - pausa para o café: a arquiteta foi pedi-lo enquanto eu procurava uma mesinha jeitosa. Chegando à mesa, descubro que meu caderno "principal" está "trancado" na sacola dela... Ainda não tenho rompantes de arrombador, peguei o caderno reserva na minha mochila. Próximo a uma janela por onde se vê os aviões, faço este primeiro registro, pouco mais de duas horas antes de nossa partida.

Pit ainda está engasgada com a despedida dos filhos, fico ironizando para disfarçar o meu próprio nó na garganta. Afinal, não vamos tão longe: só até a outra "margem" do Atlântico - um pouco mais pra cima - é logo ali. Nunca estive no Hemisfério Norte, outra barreira vencida (a vencer daqui a pouco, não é?), olha aí...

Por ora é isso, me distraio analisando a face dos viajantes que vão aos mais diferentes destinos...

[Adhemar - Guarulhos, 08/04/2010]

Janela onde se vê os aviões
Janela onde se vê os aviões (foto: adh2bs)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Eyjafjallajokull


Oi gente! "Ói nóis aqui traveiz"!!!

Resolvi postar tudo o que escrevi durante a viagem, nos próximos dias, começando por este último texto; depois, cronologicamente do primeiro, ainda em Guarulhos, até o penúltimo escrito no avião, já quase de volta a São Paulo. Por ora, basta dizer que a viagem foi como deveria ser: maravilhosa, enriquecedora e emocionante. E o toque de aventura que precisaria ter foi dado por este senhor de nome impronunciável que resolveu entrar em erupção bem na hora em que estávamos por perto! E saímos de lá com o irmão mais velho dele (o Katlas) "gargarejando"!!!

Saímos de São Paulo numa quinta-feira, dia 8 de abril, à noite, chegando a Madrid na sexta, dia 9, à tarde; pois lá são 5 horas à frente em relação ao horário daqui! No domingo, 11, fomos de trem para Barcelona; na terça, 13, fomos de avião para Milão - onde estivemos por dois dias na feira de mobiliário e design - D. Stella a trabalho e o cavalheiro aqui fazendo um bico de carregador de catálogos - e mais um dia nos eventos e mostras de arte externos à feira, numa espécie de Vila Madalena de Milão (um bairro cheio de artistas e intelectuais chamada de região da Tortona). No dia 17, sábado, iríamos a Paris. Mas estava escrito que não seria desta vez! Uma pena... Ficamos mais dois dias em Milão, num dos quais - domingo, 18 - a gente acabou indo a Veneza, onde passamos uma tarde magnífica. Dia 19, segunda, foi igual ao sábado, 17: uma interminável peregrinação por agências de viagem, locadoras de automóvel, escritórios das companhias de aviação e estações ferroviárias... Dia 20, terça, foi lenha: trem às 6:30 da matina, de Milão para Roma; mais precisamente, para o aeroporto de Roma. E de avião, de Roma para Madrid onde chegamos no final da tarde. Ou seja: de Roma conheço uma estação de trem e o Fiumicino (aeroporto Leonardo da Vinci). Mais um dia em Madrid, quarta, 21, acabou sendo um prêmio inesperado. Passeamos pela cidade onde iniciamos essas férias e que precisava, mesmo, de mais tempo. Terminamos o dia com a grata notícia do embarque de volta, à noite, no próprio dia em que sairíamos de Paris rumo ao Brasil. Subimos no avião às 22:30 e, no dia seguinte - quinta, 22 - às 00:05 levantávamos vôo. Chegamos ao Brasil às 5:05 da manhã (são dez horas de viagem, lembrando que lá são 5 horas à frente). Levamos quatro dias abraçando o chão da terra mãe. Hoje, a moleza acabou, voltei (relutantemente) ao trabalho.

Recomendo a todos fazerem uma viagem dessas ao menos uma vez na vida: escolham o lugar que desejam conhecer e vão. Vale a pena.

Grande abraço,

Adhemar - São Paulo, 26/04/2010.



(foto: SM & adh2bs)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

VIRAMUNDO


Gira o globo uma pequena volta;
dobra-se o mapa e já se está longe...
Perde-se o bonde, o trem escapa -
também pelado não se faz o monge.

O mais difícil é a saída.
A porta aberta aponta o rumo.
O primeiro passo é a despedida;
o segundo passo é cair no mundo.

Braços abertos, mochila às costas,
andanças retas, vento na cara.
Poucos sorteios, muitas apostas,
alguns passeios, muitas estradas.

De certo modo sobra coragem,
sobra ousadia e muito riso.
De certo modo esta viagem
são trilhas tortas, pouco juízo...

[Adhemar - São Paulo, 12/03/2010]

domingo, 4 de abril de 2010

Provocações extraordinárias-3


Roteiro definido, lugares a visitar escolhidos, onde ficar, como ir, como voltar. Malas praticamente prontas, um singelo agradecimento a Deus por uma graça que nem sei se mereci. No entanto, ainda encomendo proteção para os que ficam, espero trazer alegria e novidades no repertório pra repartir com a galera. Mesmo ante uma ansiedade meio nervosa, vou sereno. Carrego comigo dois ou três cadernos em branco, uma caneta pra cada um, serão meu lenitivo na jornada, meu anestésico enquanto estiver voando, além da mão da amada que vai me segurando.

Amigos, deixo-os pois por uns dias, chegarei de volta antes de maio. Um fraterno abraço deste vosso amigo, Feliz Páscoa, até a volta!

[Adhemar - São Paulo, 29/03/2010]

sexta-feira, 2 de abril de 2010

TRAPEZOIDAIS


Como se fosse saltar no escuro
vendo meus olhos.
Para além de onde a imaginação alcança.
Para além de onde ninguém senta
e nem se cansa.

Como num circo,
tal qual o espaço entre as estrelas
e mil caminhos escolhidos.
Como um artista revestido
de alegria e brilho;
como um farsante,
um esmoler faminto e maltrapilho.

Como se fosse atravessar a ponte
de poucas cordas e muitas incertezas
sobre o abismo;
como um viajante em qualquer parte de mundo,
por turismo.

Um escultor, um poeta, um delirante,
fazendo das palavras uma venda;
e, como se fosse saltar no escuro,
vendo meus olhos,
ou alugo ou vou olhando.

[Adhemar - Santo André, 04/11/2008]

Trapizongas...

Agora baixou-me a dúvida se ficou clara a intenção de brincar com os verbos 'vendar' e 'vender' no último trecho do texto... Prefiro não explicar porque não entendi!

Aproveito a deixa para falar um instante d'Aquele que esteve entre nós para ensinar e dar exemplos; seja qual for o sentido que o Cristo tenha para cada religião ou cultura, não há a menor dúvida de que foi um ser extraordinário de sabedoria e bem-aventurança. Feliz Páscoa a todos, que ela seja rica de significados e de renovação da fé de cada um.

Adhemar, 02/04/2010.