domingo, 27 de junho de 2010

DUELOS SUBJETIVOS


Continuo tentando ser um cronista, um narrador para além das próprias necessidades. Um contador de histórias interpretadas, reais ou imaginárias, com algum senso de humor.

Continuo acompanhado de certas idéias que mudam de roupa mas são sempre as mesmas, vou desfiando meu rosário de asneiras incrementando com acessórios, enfeites, decalques mas respeitando o assunto central.

É certo que tento algumas variações com pretensões de ser original; é certo que enveredo por ramificações ou vertentes, ou pego o lado paralelo das bifurcações (mesmo que elas não os tenham). Logicamente que tento iludir criando certas distrações como no título, ou simplesmente o local e a data.

Claramente percebo que, tentando ser um cronista, um poeta ou simplesmente um escritor posso até ficar bem feliz; mas não passo de um amador...

[Adhemar - Milão, 15/04/2010]

Estádio San Ciro - Milão (foto: SM)
Estádio San Ciro - Milão (foto: SM)

sábado, 26 de junho de 2010

Avanços e recuos

Apelo, distância e poesia,
horizonte deslocado.
No mapa, à sua maneira,
perdido e encontrado.

Acaso, razão e mistério,
panorama enevoado.
A procura do rumo sério
mesmo chegando atrasado.

Passos, impulso e corrida,
trechos do verso espalhado;
a linda idéia perdida
na memória se tem afogado.

Ímpeto, ardor e lembrança
na contemplação de uma flor;
como se fosse criança
numa implicância de amor!

[Adhemar - Milão, 15/04/2010]

Milão - Castelo Sforzesco, vista lateral (foto: SM)
Milão - Castelo Sforzesco, vista lateral (foto: SM)
Milão, Castelo Sforzesco - pátio interno (foto:SM)
Milão, Castelo Sforzesco - pátio interno (foto:SM)
Milão, Castelo Sforzesco - pátio interno (foto: adh2bs)
Milão, Castelo Sforzesco - pátio interno (foto: adh2bs)

domingo, 20 de junho de 2010

"RITORNO"


A gente sempre carrega certos preconceitos,
certos receios.
A gente primeiro olha torto,
depois é que olha direito.

Tem sempre uma conhecida palavra,
uma vitória, um abraço.
E mal termina o que fala,
um risco é um traço.

E os pés não aguentam a gente
das pernas que não alcançam o passo.
É num pensar diferente
que a gente amplia o espaço.

É tanta expectativa
revestida de ansiedade,
parece que falta vida
pra absorver tanta novidade...

Então, é bom que se diga:
ficou tanta coisa no ar
que, de uma forma decidida,
a gente precisa voltar!

[Adhemar - Milão, 14/04/2010]

Stazione Centrale - Milão (foto: SM)
Stazione Centrale - Milão (foto: SM)
Stazione Centrale - Milão (foto: SM)

Stazione Centrale - Milão (foto: SM)
Stazione Centrale - Milão (foto: SM)
Stazione Centrale - Milão (foto: SM)

terça-feira, 15 de junho de 2010

Entre a pena e a espada


Por que ter duas vontades iguais?
Por que tão dividido
depois de tanto tempo acostumado comigo?
Ah! Brutal sensação de Adeus!
Tudo que tens aqui
deixa pros tão próximos teus!

Impossível saber o que é vida
numa nova e impalpável realidade.
Tão improvável mas tão, tão real.
Real porque é tão viva,
faz o sonho delirar.

Adeus.
Que palavra estranha!
Tão presente e não consigo falar.
Deliberar para si novos rumos,
quando tarde não há mais lugar...
Lugares que se possa ocupar,
vender tudo, destruir a raiz.
Entre um fato e outro criar
outras raízes num longe qualquer.

Tudo tão vago e é tão difícil decidir...
Tantas coisas a fazer em tantos ondes,
no entanto,
tão preciso de permanecer.

Qual missão, qual mistério me cabe
que não possa escolher o lugar?
Qual porção do mundo deve me conter,
que estrangeiro me sinto tão lá...?

Fecho os olhos e em sonho me deito,
num barquinho tão frágil, no mar.
Deixo ao vento o roteiro do tempo;
é assim que eu quero chegar.
Abro os olhos só quando chegar...

[Adhemar - São Paulo, 08/06/1987]

MULTIPASSOS

Arte e cena
cena e arte
uma escultura
uma pintura
em toda a parte.

Praça, esquina
esquina e praça
passetos, viales
fermatas, centrales
charme e graça.

O ser humano em escala
o Duomo, o Scala
galerias e villas:
É Milão, é a Itália.

[Adhemar - Milão, 14/04/2010]

SM)
Galeria Vitorio Emmanuelle - Milão (foto: SM)
SM)
Galeria Vitorio Emmanuelle - Milão (foto: SM)

domingo, 13 de junho de 2010

Véus sucessivos


Tantos mistérios a se revelar
em uma só existência.
Tantas alternativas,
distâncias a percorrer,
perspectivas.

Tantas observações a recolher
em uma só existência.
Tanto a escolher,
instâncias a recolher,
experiência.

Tantas coisas a calar
e tantas a dizer!
Com uma certa insistência;
a distância entre o aprender e o saber,
conveniência.

Tantas benesses a agradecer,
tanta presença...
O espírito a se aprimorar
em tanta fé e tanta crença;
Deus é consciência...

[Adhemar - Milão, 13/04/2010]

Prédio de apartamentos, Milão (foto: adh2bs)
Prédio de apartamentos, Milão (foto: adh2bs)
Edifício - Milão (foto: adh2bs)
Edifício - Milão (foto: adh2bs)

sábado, 12 de junho de 2010

REENCONTRO


Hoje, faço uma interrupção nas bobagens escritas durante as viagens para relatar uma alegria inesperada: o reencontro com um amigo que não via já há nove anos. Um amigo como há poucos. Quando privávamos de um convívio mais constante, o sempre dedicado Marcos chegou até a tomar conta das crianças! Sua carreira na psicologia o tomou integralmente, devotado e aplicado no trabalho assim como tudo que se propôs fazer. Pouco nos falamos após o falecimento de meu pai - há nove anos já - e nada nos últimos dois ou três anos. Hoje, o reencontro por acaso no supermercado, mostra um camarada ainda mais ajuizado e maduro, bem de saúde, semblante sereno e, sobretudo, ainda mais circunspecto. Se por acaso o tempo engessou no passado uma intimidade maior, pelo menos em mim não diminuiu o apreço e admiração que esse verdadeiro irmão sempre me inspirou. Enfim, pude abraçar o velho amigo, olhá-lo bem e, quem sabe, convencê-lo a sair da rotina, ao menos de vez em quando, para nos reunirmos e revivermos, na medida do possível, os bons tempos de outrora.

Portanto, grande abraço e até breve, Marcos, Deus permita que nossos caminhos se permeiem...

P/ MRM
[Adhemar - São Paulo, 12/06/2010]

domingo, 6 de junho de 2010

Cinquenta minutos


Por quantos segundos se conta o tempo,
por quanto tempo?
Por quanto tempo se guardam segredos,
por quanto tempo?

Por quantas vozes se canta um canto,
qual é a música?
Por quantas vozes um coral,
qual é a música?

Em quantos dedos se contam horas,
por quanto tempo?
E os sons audazes, quantos que cantam,
qual é a música?

[Adhemar - Algum lugar sobre o Mediterrâneo, costa francesa, 13/04/2010]

Igreja Duomo - Milão (foto: adh2bs)
Igreja Duomo - Milão (foto: adh2bs)

DEVANÓIAS


A dura maciez da idéia
que ousa, profusamente,
ser mesquinha.

A macia dureza da geléia
que abate, profundamente,
a musiquinha.

Uma sonora antissinfônica canção,
toda explodida.
Um penoso esbanjamento de fonias
numa agradecida ingratidão;
mãos postas em prece,
gritos surdos, abafados,
ecoando solitários na multidão.

Uma luminosa idéia apagada
numa clara escuridão.

[Adhemar - São Paulo, 06/04/2010]