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terça-feira, 15 de junho de 2010

Entre a pena e a espada


Por que ter duas vontades iguais?
Por que tão dividido
depois de tanto tempo acostumado comigo?
Ah! Brutal sensação de Adeus!
Tudo que tens aqui
deixa pros tão próximos teus!

Impossível saber o que é vida
numa nova e impalpável realidade.
Tão improvável mas tão, tão real.
Real porque é tão viva,
faz o sonho delirar.

Adeus.
Que palavra estranha!
Tão presente e não consigo falar.
Deliberar para si novos rumos,
quando tarde não há mais lugar...
Lugares que se possa ocupar,
vender tudo, destruir a raiz.
Entre um fato e outro criar
outras raízes num longe qualquer.

Tudo tão vago e é tão difícil decidir...
Tantas coisas a fazer em tantos ondes,
no entanto,
tão preciso de permanecer.

Qual missão, qual mistério me cabe
que não possa escolher o lugar?
Qual porção do mundo deve me conter,
que estrangeiro me sinto tão lá...?

Fecho os olhos e em sonho me deito,
num barquinho tão frágil, no mar.
Deixo ao vento o roteiro do tempo;
é assim que eu quero chegar.
Abro os olhos só quando chegar...

[Adhemar - São Paulo, 08/06/1987]

Um comentário:

Adh2bs disse...

Comment by José Cláudio (Cacá) — Tuesday, 15 de June de 2010 (18:28:24)
" Mundo , mundo, vasto mundo se eu me chamasse Raimundo seria uma rima não uma solução" (Drummond) Não é uma ironia , apenas uma divisão de angústias com você sobre o nosso "lugar" no mundo. Abraços. Paz e bem.

Comment by Selma Barcellos — Wednesday, 16 de June de 2010 (19:26:55)
Gosto de visitar o espaço do poeta com calma e tempo, com vento, brisa que seja, mas sem roteiro... Só assim, como agora. Um beijo!