sábado, 31 de julho de 2010

Pouso forçado


Em meio a tanta agitação,
uma parada.
Peremptória, obrigatória,
aparentemente sem sentido,
aparentemente contramão.

Uma parada sem escapatória,
incomparada,
incompreensível na rotina,
sem parâmetro definido,
sem referência nem glória.

Uma crise assim, meio cretina,
destemperada,
mas feita de forma destemida,
sem alarde, sem ruído
e de forma paulatina...

Uma parada bem no meio da avenida,
desencanada,
num ponto qualquer da história
mal contada num tom desinibido
bem no meio da loucura desta vida!

[Adhemar - São Paulo, 16/07/2009]

domingo, 25 de julho de 2010

UNIVERSO EM CONSTRUÇÃO

Criados na razão dos sentimentos puros,
despojados da inconsequencia natural da idade
estamos juntos na aventura nova
que é viver da união a plenitude
e sentir, na separação, tanta saudade.

Fazes falta, tua ausência me comove.
A importância que tens no meu coração
é como um rio que rumo ao mar escorre,
sem escolher o seu destino ou razão.

Criado na doçura da tua voz,
o sentimento pelo peito ainda ecoa
enquanto senta e, sentado fica à toa,
olhando o céu a procurar estrelas e à lua.

Moradora permanente na constelação astral,
qual Três Marias, Ursa Maior ou o Cruzeiro,
Estrela Vésper, fez da luz o seu caminho natural,
despontando mais que todas no além-mar.

Fixada na razão e na emoção,
sentimento nascido imortal,
abre os braços, enxuga a lágrima final;
para, em cada verso de saudade, despertar...

P/ SM
[Adhemar - São Paulo, 25/02/1989]

sábado, 24 de julho de 2010

Provocações extraordinárias-5

Algum lugar sobre o Brasil

Tardiamente descobri que, na tela do avião situada no banco à sua frente, você pode acompanhar o trajeto da aeronave. O mapa diz a altitude do vôo e localiza onde você está; portanto, você não precisa bancar o idiota escrevendo "algum lugar sobre".

Se o tal mapa estiver certo, neste momento estamos sobrevoando o estado de Minas, município de Patos de Minas. Ou seja: para nós que moramos em São Paulo, algo como "a umas duas horas de casa". Vou parar de escrever um instante porque a tripulação está nos trazendo um café da manhã, são quatro horas da matina. Estamos um pouco atrasados porque nos arredores de Madrid havia mau tempo, o vôo precisou esperar mais de uma hora para sair; além disso, acho que o comandante desviou de uma tempestade porque no mapa está dizendo que percorremos uma distância maior do que a normal a percorrer entre Madrid e São Paulo (e há duas linhas de cores diferentes indicando a trajetória, a do vôo com uma "barriguinha" - estou ficando inteligente!).

Descobri - ou lembrei - que sou emotivo muito além do que eu supunha que poderia controlar. Dois sinais evidentes? O primeiro, na Stazione Centrale de trens, em Milão, logo após comprarmos as passagens para Roma. As certezas inabaláveis e minha frieza quase britânica ruíram. Foi um espaço de tempo que não levou nem um minuto. A outra parte segurou a bronca, nos aprumamos. Saudades dos filhos? Imensurável. De casa? Do Brasil? Também. De vulcões calados? Ah, sim... O segundo, desde pouco após a decolagem, é este indesatável nó na garganta, nariz congestionado e lágrimas represadas que me acompanham por seis ou sete horas seguidas: que me impediram de agradecer a gentileza de Stella ao me ceder a janelinha (tanto na ida como na volta), porque não consigo dormir e gosto de olhar pra longe (mesmo não vendo nada); e já denunciando uma ansiedade pelo retorno que, desconfio, não tem nada a ver com poeira vulcânica...

[Adhemar - Algum lugar sobre Minas Gerais, 22/04/2010]
(O cara não se emenda mesmo...)

Algum lugar sobre a escrivaninha

Este é o último texto escrito na viagem, quando estávamos quase chegando (deu pra notar que lidei com o medo de voar... Escrevendo!). Certamente fecha e marca um fato relevante na vida de um bicho cascudo feito eu.

As pessoas tinham razão, conhecer outras paragens e costumes trazem uma influência nos nossos modos de pensar, infunde um pouco mais de respeito por pessoas, lugares e modos de vida diferentes dos nossos. Tanto é que não vejo a hora de viajar outra vez, por aqui nesse Brasilzão mesmo, ou pelo mundo afora. E, detalhe, com toda a troupe na bagagem...

Adhemar, 17/07/2010.


















Fieramilano -Milão (foto: arq. Rodrigo - DA)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

ECO GESTUAL

Aonde está o amor que não se explica,
aonde o gesto, a flor
e o calor que teu suor indica...
No mais profundo do teu ser,
na pele-superfície,
no ar assim meio perdido
desse teu olhar...
Aonde está o caminho
onde ando eu,
assim meio perdido
só de te escutar...


Eco ao poema “gestual” de LMMM
[Adhemar – São Paulo, 14/07/2010]

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Lembranças miúdas


Radar.
Não capta pequenas coisas,
a não ser que sejam muito sólidas.
O que for abstrato
passa por invisível, "insentível".
Registre-se num tipo de contrato.

Lista.
Nem sempre registra tudo,
sempre sobra o que foi esquecido.
O não anotável, "imemorável".
Palavras que doem no ouvido,
a não ser que sejam muito sonoras.

Bônus.
Não é bem um prêmio,
que vem com uma espécie de ônus;
o responsável pelo "inassumível".
Registre-se num tipo de diploma
e pendure-se na parede do incrível.

[Adhemar - Madrid, 21/04/2010]

Estádio Santiago Bernabeu - Madrid (foto:SM)
Estádio Santiago Bernabeu - Madrid (foto: adh2bs)
Estádio Santiago Bernabeu - Madrid (foto: SM)
Estádio Santiago Bernabeu - Madrid (foto: adh2bs)

domingo, 18 de julho de 2010

ARGOLA e ANTAGONISMO

Sigo imerso num naufrágio de palavras.
Naufrágio, nau frágil.
Palavras as vezes vazias de sentido
revelando uma inesperada solidão.
Uma apressada angústia
se perde com o olhar no horizonte
de poeira e mar.
Mediterraneamente no espaço,
a contemplar o azul vazio.
Azul vadio...
Sonhando apenas o possível
na impossibilidade de viver uma ilusão.
Sentindo a enorme pressão
de ser apenas um grão
neste universo de fantasia
formado pelo que realmente somos
diante do que queremos parecer.

Pressa e pungência.
Uma vontade imensa de ficar,
uma vontade maior de voltar.

[Adhemar - Algum lugar sobre o Mediterrâneo, 20/04/2010]























Demolição em Madrid - fachada mantida!
(foto: adh2bs)























Demolição em Madrid - fachada mantida!
(foto: adh2bs)

sábado, 17 de julho de 2010

PARAGENS


Horizonte perdido pela imagem próxima.
Foram tantos movimentos
que entramos numa contramão de vento.
Racionalizar,
eis o mistério da questão,
enquanto uma música ao fundo
tenta dizer alguma coisa ao coração.

[Adhemar - Roma, 20/04/2010]

Rampa de acesso a uma galeria de arte na Tortona - Milão (foto:  SM)
Rampa de acesso a uma galeria de arte na Tortona - Milão (foto: SM)
Verona - a caminho de Veneza (foto: SM)
Verona (talvez...) - a caminho de Veneza (foto: SM)
Museu do Prado - Madrid (foto: SM)
Museu do Prado - Madrid (foto: SM)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Projetos de vida


Vou dizer uma coisa que pode soar estranha para alguns e pode indignar outros: depois de tantos discursos, teses e dissertações, cheguei a conclusão de que não quero salvar o mundo. Só a pele (a minha, no caso). Também não quero que estrague, é verdade, mas acho uma perda de tempo essas intermináveis discussões sobre a camada de ozônio, emissão de poluentes contra créditos de carbono, a hipocrisia de dizer que se usa o álcool combustível (etanol) no lugar da gasolina porque é menos poluente e outras bossas desse tipo. Senão, vejamos: o homem saiu das cavernas, evoluiu, chegou ao ápice, regrediu, nasci eu, tá legal. Tudo que a humanidade produziu, certo ou errado, trouxe conseqüências (por exemplo, a revolução industrial, o automóvel, o rock’n roll...). Cada conseqüência trouxe outras providências para aprimorar ou corrigir as criações humanas. A nós, consumidores (antes do que seres humanos), competem escolhas que atendam a demanda do momento (desde preservar o meio-ambiente até encher o bolso dos espertos cujo marketing esteja afinado com o assunto da moda). Coloco álcool em meu carro porque é mais barato. Fica até bonito dizer que é por causa da ecologia e do politicamente correto; mas importa saber que a produção de álcool causa tanta devastação que chega a ser pior do que a poluição que evita? Procuro separar o lixo reciclável em casa (desde 1990) porque é importante reaproveitar recursos, economizar energia na produção das coisas, teoricamente vai sair mais barato lá na frente, pra nós ou pra alguém. Gostaria de ter aquecimento solar em casa pra gastar menos na conta de energia elétrica, uma vez que, apesar de ser um serviço público PRIVATIZADO, não posso escolher outro fornecedor, não há concorrência, tão idolatrada pelo capitalismo ‘saudável’. Tento economizar água porque há anos ouço dizer que a situação está crítica; e a conta vem menorzinha, conseqüência imediatamente mais útil, na minha reles opinião de alienado. Me assusta um pouco essa falta de percepção generalizada de que “tudo muda a todo instante no mundo” como disse numa canção, filosoficamente, o Lulu Santos.
Outra coisa: não quero um santo nem ninguém perfeito pra ser presidente. Primeiro porque Cristo e Gandhi não são candidatos. Depois, porque alguém muito anti-séptico nos cobraria posturas corretas, absolutamente éticas e certamente que corrigiria as leis para isso; não poderíamos trair sequer os nossos pensamentos! Ou seja, teríamos que ser perfeitos no mesmo grau de perfeição que exigimos dos outros. E, pior, iríamos falar mal de quem? Criticar o quê? Justificar nossas omissões e nossos braços curtos?! Não, definitivamente não! Chega de discussões, deixa o barco correr. Limitemo-nos ao papel “sui generis” de grilos falantes, mantenhamos em alta os assuntos para debate, preferencialmente em nossa mesa de bar, em torno de uns “piriris” e de umas bebidinhas geladas. Salvar o mundo? Tô fora!
Então, desculpa aí pessoal. Não contem comigo pra tão nobre missão. Força aí e sucesso pra vocês.
P/ os meus amigos da 331-80 e das outras 3XX-80 do Band
[Adhemar – São Paulo, 16/07/2010]
Provocação
Texto elaborado em cima de um e-mail enviado aos colegas mencionados acima, bem no meio de uma discussão sobre o futuro da humanidade no planeta.
Adhemar.

domingo, 11 de julho de 2010

Provocações extraordinárias-4


Considerações sobre o espaço aéreo europeu nesses dias de caos, iniciado em 11 ou 12 de abril com a erupção (ou a intensificação da atividade) de um vulcão na Islândia que provocou o fechamento dos aeroportos do norte (Escandinávia) seguido por Londres, Paris e Frankfurt. Há quem suspeite que o acidente aéreo que vitimou o presidente e o alto escalão do governo da Polônia esteja relacionado com a poeira vulcânica em suspensão expelida e impulsionada em grandes quantidades sobre toda a região. A crise chegou à Itália no dia 16, com o fechamento dos aeroportos (Linate e Varese) de Milão. No dia 17, sábado, quando sairíamos de avião para ir a Paris, todos os vôos foram cancelados. Preventivamente, procuramos as estações de trem (Centrale e Cadorna). A Paris, vagas só na próxima semana, sete ou oito dias depois. A Barcelona, só quarta, 21. Para Roma, espera de dois dias. Consideramos antecipar a volta ao Brasil nos dirigindo a Madri, de trem, via Barcelona, ou de avião, via Roma. Dia 18, domingo, mesma situação de trens lotados e aeroportos fechados, não só em Milão como em todas as cidades daí para cima. Aliás, alguns aeoroportos locais de cidades italianas como Verona, Gênova, Veneza e outros, acabaram fechando porque os aviões não chegariam e nem poderiam partir! Fomos a Veneza de trem, a passeio, para quebrar a tensão.

De volta a Milão, romaria na segunda-feira, 19 de abril. Agências de viagem, locadoras de automóvel, escritórios da Eurostar (agência que centraliza toda a rede ferroviária européia), escritório da TAM (em Milão). "Ótimas" notícias: com os cancelamentos de inúmeros vôos estamos numa escala de passageiros da companhia aérea para voltar ao Brasil por Paris (local original de retorno) ou Madri (conforme acabamos de nos inscrever), com estimativa de retorno em meados de maio!!! A passagem de avião (Alitália/Air France) de Milão-Paris praticamente perdida (vamos tentar trocar em Roma para ir a Madri). Passagens de Roma para o Brasil por outras companhias aéreas, achamos. Estão pedindo de 7 a 8 mil reais (cerca de 3 mil euros) por pessoa - lei da oferta e da... Loucura...! Carros, só alugam para viagens dentro do próprio país (Milão-Roma, por exemplo), mas tão caro que quase vale a pena comprar um! Trens e ônibus a Barcelona, vagas só a partir do dia 22. A Paris, sem previsão. Arrumamos o trem para Roma, aonde estamos indo agora, na fé de que conseguiremos partir ou para São Paulo ou para Madri, de onde temos a passagem de Paris para voltar. Os aeroportos da península Ibérica foram os únicos que não fecharam por nenhum dia, até agora. Curiosamente, outro aeroporto que não fechou por um dia sequer foi o de Reikjavik, capital da Islândia, país onde fica o vulcão que está cuspindo fumaça sobre a Europa...

[Adhemar - Itália, a caminho de Roma, 20/04/2010]

Veneza não é so canais (foto: SM)
Veneza não é só canais (foto: SM)
Outra rua de Veneza (foto: SM)
Outra rua de Veneza (foto: SM)

sábado, 10 de julho de 2010

Nuvens, poeira invisível


Uma voz deliciosamente rouca canta uma canção ao fundo. Emenda pensamentos desconectados, onde será que esqueci minha gravata? Perdas e ganhos num balanço mudo. Campos cultivados avistados da janela do trem. Um deslizamento silencioso e rápido, caminhos paralelos. A companheira adormecida sonha um desenlace desejado. Cargas literalmente pesadas, caminho longo, teste difícil. Uma teoria, explicações técnicas e científicas. Como os pássaros, migramos para o sul. Interrompidos, nos movemos lentamente enquanto um frio envolvente nos abraça. Espero que a névoa no horizonte seja só mau tempo. Flutuações oscilantes, desvio imprevisto, rota aventuresca. Do pó viemos, no pó estamos, do pó fugimos e ao pó retornaremos!

[Adhemar - Itália, a caminho de Roma, 20/04/2010]

Projeção holográfica - Fieramilano Tortona (foto:SM)
Projeção holográfica - Fieramilano Tortona (foto:SM)

Instalação no evento fora da feira de mobiliário e design de Milão (na região da Tortona). O chão coberto de folhas e a cadeira estão no cenário (real). A mulher e a sombra são projeções em 3D, ela fica caminhando de um lado para outro, perto da cadeira, e a sombra acompanha. Se não é genial, ao menos é bastante intrigante.

Adhemar

sexta-feira, 9 de julho de 2010

TRANSFORMAÇÕES


Afirmações, crenças,
religião, profissão de fé.
Sutis diferenças,
espírito em pé.

Angústias, dúvidas,
aflitas decisões.
Dificuldades? Inúmeras.
Escondidas soluções.

O divino amparo,
a confiança n'Aquele
que nos criou; e claro,
tomando atitudes, ajudando Ele!

Nossa vida é isso,
o que Deus nos dá ou nos tira.
Mas com amor e compromisso
a gente sempre se vira.

[Adhemar - Milão, 19/04/2010]

Escultura animada - Milão (foto: SM)
Esculturas animadas - Milão (foto: SM)

Parodiando Balzac


O homem de quarenta anos é um ser estabilizado, com as emoções mais comportadas; embora possa despertar ou resgatar sonhos passados, paixões da adolescência, idéias de independência, processos educacionais (?). Os princípios do seu caráter já estão solidamente intertravados - para o bem ou para o mal - representando sua consciência nas suas ações diretas ou circunstanciais.

O homem de quarenta anos tem plena ciência de sua meia-idade. Sabe perfeitamente que chegou ao ápice do seu desenvolvimento orgânico e que não há nada a fazer além da manutenção periódica (já nem preventiva pode-se dizer que seja): oftalmologista, cardiologista, clínico geral e, para alguns, implante de cabelo!

O homem de quarenta anos já não tem ilusões econômicas ou financeiras. Se estiver rico, permanecerá; do contrário, pouco poderá melhorar. Miséria ou bancarrota? Só se for muito burro ou azarado, numa inesperada reviravolta da situação!

No plano cultural, o homem de quarenta anos tem mais alternativas. Pode estar satisfeito - ou conformado - com o que sabe e conhece. Pode continuar curioso e alimentar seu cérebro com informações nas áreas de interesse - que podem ser muitas ou limitadas - conforme a personalidade do sujeito.

Enfim, o homem de quarenta anos não chega a ser uma esfinge embora também não seja um produto pronto e acabado. O homem de quarenta anos - por incrível que possa parecer - é um ser humano; e seria interessante comunicar isso às mulheres...!

[Adhemar - São Bernardo do Campo, 31/03/2005]

Quarentões

Desenterrei este texto a propósito da conclusão da leitura do livro "A Vida do Bebê - 2a. Parte - De 40 Para Frente" do meu amigo José Cláudio Adão - o Cacá. No livro ele retrata com humor e seriedade essa faixa da vida dos seres humanos, relatando as alegrias e mazelas que ocorrem com a gente. Recomendo o livro e o blog do autor (http://uaimundo.blogspot.com), sempre uma delícia de leitura das crônicas inteligentes escritas num português impecável. Passem por lá.

Adhemar - São Paulo, 09/07/2010.

sábado, 3 de julho de 2010

Pois é então


Quando é que uma decisão muda a vida da gente? Quando é que um vulcão de emoções, ativo desde muito tempo, resolve entrar em erupção e muda a vida da gente? De repente uma solidão, a criança em terra estrangeira de idiomas e de sensações fica órfã e desamparada, desesperada de aflição. De repente, uma enorme nuvem de fumaça e poeira encobre as máscaras, as pessoas se revelam fracas... De repente, grandes reflexões sobre a fragilidade do homem frente a natureza; tudo o que fomos capazes de construir a partir da terra, das pedras e da madeira sobreviveu ao tempo. E o que de engenho, tecnologia e presunção produzimos no último e curto espaço de tempo não é capaz de voar entre os rolos da fumaça espessa de um simples vulcão da terra do gelo. A natureza responde às nossas agressões não como vingança, mas como senhora de todo este vasto mundo. E séculos de civilização e cultura não serviram para amadurecer a criança...

[Adhemar - Veneza, 18/04/2010]

Canal típico de Veneza (foto: SM)
Canal típico de Veneza (foto: SM)
Piazza San Marco - Veneza (foto: SM)
Piazza San Marco - Veneza (foto: SM)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

CANAIS


Quando a poeira baixar
vamos chegar por aí.
Enquanto o vulcão vomitar,
vamos andar por aqui.

De estar em Paris
gabamo-nos cedo demais;
pra onde aponta o nariz
nós vamos sem pensar mais.

Pra França não dá? É uma pena...
Viagem tem sempre beleza;
ao invés de ir pras margens do Sena
tomamos um trem pra Veneza.

Nas voltas que o mundo dá
aventuras de trem, avião ou de barco,
paramos pra tomar um chá
em plena Piazza San Marco!

[Adhemar - Veneza, 18/04/2010]

Canal em Veneza (foto: SM)
Canal em Veneza (foto: SM)
Piazza San Marco (foto: uma turista camarada, valeu!)
Piazza San Marco (foto: uma turista camarada, valeu!)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Proclamação


Estávamos na ante-sala do consultório. Ele, quase desmaiando em febre e dor de garganta; eu, o amparando. Conversando em voz baixa. Tentando animá-lo. Aí, resolvemos brincar de forca, eu propus, ele topou. Pediu pra fazer a primeira palavra - que advinhei logo a princípio quando falei "letra A". Depois, pra esticar a brincadeira e porque estava curtindo a sacada do garoto - me deixou bobamente emocionado e mais do que orgulhosamente convencido - falei outras letras citando outras palavras que caberiam ali. Até finalmente ver nele um sorriso, espontâneo e lindo.

P/ VS
[Adhemar - São Paulo, 26/06/2010]

Brincadeira
Brincadeira