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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Projetos de vida


Vou dizer uma coisa que pode soar estranha para alguns e pode indignar outros: depois de tantos discursos, teses e dissertações, cheguei a conclusão de que não quero salvar o mundo. Só a pele (a minha, no caso). Também não quero que estrague, é verdade, mas acho uma perda de tempo essas intermináveis discussões sobre a camada de ozônio, emissão de poluentes contra créditos de carbono, a hipocrisia de dizer que se usa o álcool combustível (etanol) no lugar da gasolina porque é menos poluente e outras bossas desse tipo. Senão, vejamos: o homem saiu das cavernas, evoluiu, chegou ao ápice, regrediu, nasci eu, tá legal. Tudo que a humanidade produziu, certo ou errado, trouxe conseqüências (por exemplo, a revolução industrial, o automóvel, o rock’n roll...). Cada conseqüência trouxe outras providências para aprimorar ou corrigir as criações humanas. A nós, consumidores (antes do que seres humanos), competem escolhas que atendam a demanda do momento (desde preservar o meio-ambiente até encher o bolso dos espertos cujo marketing esteja afinado com o assunto da moda). Coloco álcool em meu carro porque é mais barato. Fica até bonito dizer que é por causa da ecologia e do politicamente correto; mas importa saber que a produção de álcool causa tanta devastação que chega a ser pior do que a poluição que evita? Procuro separar o lixo reciclável em casa (desde 1990) porque é importante reaproveitar recursos, economizar energia na produção das coisas, teoricamente vai sair mais barato lá na frente, pra nós ou pra alguém. Gostaria de ter aquecimento solar em casa pra gastar menos na conta de energia elétrica, uma vez que, apesar de ser um serviço público PRIVATIZADO, não posso escolher outro fornecedor, não há concorrência, tão idolatrada pelo capitalismo ‘saudável’. Tento economizar água porque há anos ouço dizer que a situação está crítica; e a conta vem menorzinha, conseqüência imediatamente mais útil, na minha reles opinião de alienado. Me assusta um pouco essa falta de percepção generalizada de que “tudo muda a todo instante no mundo” como disse numa canção, filosoficamente, o Lulu Santos.
Outra coisa: não quero um santo nem ninguém perfeito pra ser presidente. Primeiro porque Cristo e Gandhi não são candidatos. Depois, porque alguém muito anti-séptico nos cobraria posturas corretas, absolutamente éticas e certamente que corrigiria as leis para isso; não poderíamos trair sequer os nossos pensamentos! Ou seja, teríamos que ser perfeitos no mesmo grau de perfeição que exigimos dos outros. E, pior, iríamos falar mal de quem? Criticar o quê? Justificar nossas omissões e nossos braços curtos?! Não, definitivamente não! Chega de discussões, deixa o barco correr. Limitemo-nos ao papel “sui generis” de grilos falantes, mantenhamos em alta os assuntos para debate, preferencialmente em nossa mesa de bar, em torno de uns “piriris” e de umas bebidinhas geladas. Salvar o mundo? Tô fora!
Então, desculpa aí pessoal. Não contem comigo pra tão nobre missão. Força aí e sucesso pra vocês.
P/ os meus amigos da 331-80 e das outras 3XX-80 do Band
[Adhemar – São Paulo, 16/07/2010]
Provocação
Texto elaborado em cima de um e-mail enviado aos colegas mencionados acima, bem no meio de uma discussão sobre o futuro da humanidade no planeta.
Adhemar.

3 comentários:

Cacá disse...

Botando uma lenhazinha nesta fogueira, este texto é daqueles de irritar os saudosistas, dizendo: ai que saudade do futuro! Excelente, meu caro, excelente! Acho que já estou aderindo, caso você queira criar alguma agremiação onde a gente possa eleger culpados. rsrs. Abração. Paz e bem.

Marliborges disse...

Taí umas verdades, bem ditas e oportunas. Também penso assim, essa história de perfeição não é comigo. O mundo? Esse já está salvo, a natureza sempre se recupera, leva anos e tal, mas se recupera. E nós? Quem cuida de nós? Só nós. E olha o que a natureza faz com a gente!! Não viu? Dá uma olhadinha no espelho!!! Rsrs. Faço coro contigo: salvar o mundo? Tô fora. Também quero apontar culpados..., rsrs.
Bjssss, amei o texto.

Adh2bs disse...

Comentário por José Cláudio (Cacá) — sábado, 17 de julho de 2010 (09:20:42)
Adehmar, esta crônica ficou tão boa, tão proxima das coisas que eu gosto de ruminar em pensamentos sobre o cotidiano que vai me render uma outra. Quando ficar pronta eu lhe aviso. Bom demais. Abraços. Paz e bem.

Comentário por Selma Barcellos — segunda-feira, 19 de julho de 2010 (21:01:55)
Taí, entre certezas e dúvidas, pus-me a matutar…
Balançou o coreto, sabe como?
Beijocas da assídua leitora.