sábado, 24 de julho de 2010

Provocações extraordinárias-5

Algum lugar sobre o Brasil

Tardiamente descobri que, na tela do avião situada no banco à sua frente, você pode acompanhar o trajeto da aeronave. O mapa diz a altitude do vôo e localiza onde você está; portanto, você não precisa bancar o idiota escrevendo "algum lugar sobre".

Se o tal mapa estiver certo, neste momento estamos sobrevoando o estado de Minas, município de Patos de Minas. Ou seja: para nós que moramos em São Paulo, algo como "a umas duas horas de casa". Vou parar de escrever um instante porque a tripulação está nos trazendo um café da manhã, são quatro horas da matina. Estamos um pouco atrasados porque nos arredores de Madrid havia mau tempo, o vôo precisou esperar mais de uma hora para sair; além disso, acho que o comandante desviou de uma tempestade porque no mapa está dizendo que percorremos uma distância maior do que a normal a percorrer entre Madrid e São Paulo (e há duas linhas de cores diferentes indicando a trajetória, a do vôo com uma "barriguinha" - estou ficando inteligente!).

Descobri - ou lembrei - que sou emotivo muito além do que eu supunha que poderia controlar. Dois sinais evidentes? O primeiro, na Stazione Centrale de trens, em Milão, logo após comprarmos as passagens para Roma. As certezas inabaláveis e minha frieza quase britânica ruíram. Foi um espaço de tempo que não levou nem um minuto. A outra parte segurou a bronca, nos aprumamos. Saudades dos filhos? Imensurável. De casa? Do Brasil? Também. De vulcões calados? Ah, sim... O segundo, desde pouco após a decolagem, é este indesatável nó na garganta, nariz congestionado e lágrimas represadas que me acompanham por seis ou sete horas seguidas: que me impediram de agradecer a gentileza de Stella ao me ceder a janelinha (tanto na ida como na volta), porque não consigo dormir e gosto de olhar pra longe (mesmo não vendo nada); e já denunciando uma ansiedade pelo retorno que, desconfio, não tem nada a ver com poeira vulcânica...

[Adhemar - Algum lugar sobre Minas Gerais, 22/04/2010]
(O cara não se emenda mesmo...)

Algum lugar sobre a escrivaninha

Este é o último texto escrito na viagem, quando estávamos quase chegando (deu pra notar que lidei com o medo de voar... Escrevendo!). Certamente fecha e marca um fato relevante na vida de um bicho cascudo feito eu.

As pessoas tinham razão, conhecer outras paragens e costumes trazem uma influência nos nossos modos de pensar, infunde um pouco mais de respeito por pessoas, lugares e modos de vida diferentes dos nossos. Tanto é que não vejo a hora de viajar outra vez, por aqui nesse Brasilzão mesmo, ou pelo mundo afora. E, detalhe, com toda a troupe na bagagem...

Adhemar, 17/07/2010.


















Fieramilano -Milão (foto: arq. Rodrigo - DA)

3 comentários:

Marliborges disse...

Olá amigo,
viajar é muito bom, a gente aprende tantas coisas, inclusive a valorizar melhor o nosso Brasil. Quando viajo para o exterior, é tudo lindo e maravilhoso, mas o tempo vai passando e vai batendo um banzo que só vendo. Sabes, tô aqui nesse frio do sul e ando mesmo com vontade de dar uma chegadinha no norte, nas praias do ceará. Brasil, meu caro, Brasil! Em agosto voarei para o calor! Viajar é mesmo tudo de bom. Eu não tenho medo de voar, mas minha filha tem. Ela evita ao máximo os aviões. É complicado. Bjsssssssss

C@urosa disse...

Olá meu caro poeta amigo Adhemar, que maravilha o seu "diário de bordo, muito agradável de ler, além do que, mostra a ótima qualidade dos seus textos, parabéns. Espero que logo, logo, tenhamos um diário do nosso brasilsão.

forte abraço

C@urosa

Adh2bs disse...

Comentário por José Cláudio (Cacá) — sábado, 24 de julho de 2010 (17:08:04)
Adhemar, eu tenho que lhe desejar uma vida muito longa, muito dinheiro no bolso e muito mais viagens. Foi bom esse passeio que fiz com você pela Espanha e um pedaço da Europa. Aprendi também um bocado. Enquanto não arranjo algum para andar por aí, vou pegando carona nos voos e tours dos amigos. Abraço grande, saúde muita, vida longa. Paz e bem.

Comentário por Tati — segunda-feira, 26 de julho de 2010 (19:01:05)
Sabe do que mais gosto nas viagens? A chegada ao destino. Sempre me emociono quando olho lá pra baixo e vejo a cidade se descortinando. A lágrima é batata.
Bjs,
Tati.