sábado, 21 de agosto de 2010

Alagamento


No encontro dos reflexos há um brilho;
cor indefinível,
talvez azul, talvez sei lá.
Um fundo branco, um vapor,
uma voz mal colorida,
uma emoção,
uma natureza já sem vida.

No encontro dos reflexos há um mundo em dimensão
sem medida dos anseios,
na espera,
na explosão disforme
onde o brilho acende e refulge sem razão,
sem esperança
e não conforme.

No encontro dos reflexos...
Avaliado um pequeno instante
em que os olhos tímidos,
recolhidos da visão,
abaixam um piscar
na sagrada presença:
o coração.

No encontro dos reflexos, o desencontro permanente.
A busca intensa da intenção coroada em pensamentos
nos caminhos, nos desvios,
na órbita da sensibilidade,
na trajetória da proteção;
na proteção dos sentimentos
e da presença em permanência...

No encontro dos reflexos,
todas as lágrimas das lembranças
que se tem derramado em profusão...

[Adhemar - São Paulo, 16/10/1987]

Nenhum comentário: