domingo, 29 de agosto de 2010

Gaveta

Hoje, pela primeira vez
é a última vez que contemplo o teu retrato.
Desdobrei aquele teu recado de amor
num papel perfumado.
E rasguei sem reler,
pela primeira vez sendo a última vez,
sem coragem de queimá-lo.
O pó da folha seca de flor eu soprei
pois fui eu que te dei
e você devolveu.
A corrente e o anel,
o colar e o chapéu
e um chaveiro de camelô...
E o bilhete da sorte do realejo do rei
eu nem sei o que diz.
Fiz questão de lembrar de esquecer quão feliz
a gente acha que foi.
Não te expulso daqui
- só agora lembrei -
este lugar é o teu.
Vou voltar por caminhos
do mundo onde errei
até te encontrar outra vez.

[Adhemar - São Paulo, 06/07/2010]

2 comentários:

C@urosa disse...

Olá meu bom amigo poeta Adhemar, o amor sempre nos torna mais emotivos e as lembranças são fontes intermináveis de inspiração. Muito lindo esse poema, parabéns, paz, harmonia e inspiração em seus dias.

forte abraço

C@urosa

Adh2bs disse...

Comentário por Selma Barcellos — segunda-feira, 30 de agosto de 2010 (22:10:09)
Para tudoooo. Adhemar, o mais bonito de todos!!! Redondinho, lírico, apaixonado!!!
Beijocas da fã!

Comentário por Tatiana — domingo, 5 de setembro de 2010 (16:16:43)
Por isso fora! Esqueça meu rosto, meu nome, esta casa e siga seu rumo!!!
Beijos,
Tati (não conseguindo compreender)

Comentário por Adh2bs — segunda-feira, 6 de setembro de 2010 (10:47:40)
Um relacionamento que acaba, sem que termine o amor…
É isso?
Adh