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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Parábola hiperbólica

A trajetória dos caroços de melancia intriga. Partem da boca, impulsionados por um ligeiro movimento dos lábios e descem certos no alvo visado. O que instiga nesse mistério é a função pedagógica ou psicológica que eles tem. A curva perfeita, a queda tão calma e a agradável sensação de poder sobre os minúsculos caroços de melancia.

Plantar melancia em si não é um fim. Mas o prazer da expulsão sistemática aliado ao gosto da fruta é inalienável. Assim, pode-se concluir de uma vez só que, comendo melancia, ninguém morde a língua.

[Adhemar - São Paulo, 05/08/1987]

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