Pesquisar este blog

domingo, 26 de setembro de 2010

Palavras palavras

Ouro, outrora, outono.
Parenteses entre.
Portas, entradas,
ouvintes, batentes.
Bateria, porteira,
traves, outeiros.
Tudo meio fora de ordem,
chute a gol sem goleiro,
aquele que toma aos goles.
Um esparadrapo, brigadeiro,
briga, escadaria, outro dia.
Lavores, lavoura, labores.
Parenteses entre.

Parenteses.
Exclamações.
Reticências.
Retenções, extintores,
incêndios.
Íngremes ladeiras.
Cadeiras, açores.
Elevadores, cadeias,
tambores.
Pranchetas, projetos,
projetores, refletores,
reflexos, autores.
Parenteses entre.

[Adhemar - São Paulo, 11/05/2003]

sábado, 25 de setembro de 2010

ANO 21


Pois é,
vinte e um anos de casamento.
Num balanço efetivo,
mais bonança que tormentas.
Mais um ano e eu, mais convencido,
de ser um privilégio real,
uma benção.

Uma enorme benção,
de um metro e setenta e seis centímetros de altura,
de múltiplas habilidades
- principalmente arquitetura -
que fez amadurecer a paixão
para laços de ternura.

E a grande satisfação
de compartilhar a criação
das crianças "cá de casa"?

O Adhemar Juan - um homão -
futuro jornalista
cuja doçura e atenção
conforta e realiza.

O Sr. Marco Luiz,
entendido deste mundão
que está ficando especialista
em gente, pessoas, multidão...

Para Vítor Samuel, o caçulinha,
uma difícil missão:
escapar do excesso de mimos
para ser um campeão...

Depois do exposto acima
só falta "fechar" este balanço
com estas considerações finais:
foi um momento especial e abençoado
aquele em que entrelaçamos
nossas vidas e destinos
com amor e algo mais.

P/ Stella Maris
[Adhemar - São Paulo, 23/09/2010]

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Equipamento


Cara,
quanta inspiração...
Carregar nossos pedaços na bagagem,
pedaços de nós mesmos lotando essa mochila
no rumo do pra onde vamos
sem saber se viajando ou se fugindo.
Seguir em frente aprendendo a gostar
ou gostando simplesmente por intuição.
Ir descobrindo que a vida tem segredos
que todo mundo conhece,
e coisas públicas
que ninguém sabe não.
É o amor e o medo se conhecendo
nesse trajeto meio à toa
que seguimos sem razão,
sem perceber que essa bússola enlouquecida lá no peito,
é o doido desse nosso coração!

[Adhemar – São Paulo, 12/02/2010]
P/ Tah – http://palavrassoltas271009.blogspot.com

domingo, 19 de setembro de 2010

JOGO DE CONTAS

Divisível por três,
uma aposta;
o fim do primeiro mês,
a lista.
Tem quem gosta.

O quarto verso não rima,
se perde no meio,
se afirma,
mas fica bem à vista,
se enrola no enleio.

A recompensa dobra o prêmio.
O calor não esfria.
Em pleno terceiro milênio,
a conquista;
no meio da feira, a bacia!

A água ferve a cem graus
ou será o contrário?
Quem ascender cem degraus
- equilibrista -
dominará o cenário.

Uma variação decimal;
desse mal se vai através.
O homem, matemático animal,
é um artista
num feliz dois mil e dez...

[Adhemar - São Paulo, 08/01/2010]


sábado, 18 de setembro de 2010

Destino de poeta


Um homem pode dizer pouco com muitas palavras;
ou muito, com poucas.
Basta-lhe saber aonde estava
o saber com o qual manifestava
ideais, idéias,
ou simplesmente o sentir
em suas lavras...


[Adhemar – São Paulo, 24/07/2010]
P/ José Saramago
No post “Ao José Saramago” em http://arferlandia.blogspot.com
Do poeta português Fernando Tavares Marques


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

CÔRTE


Dourada luz,
dourada lembrança.
É preciso estar aceso
e viver na tênue esperança.

Raios azuis
da impossível tempestade.
É preciso estar coberto
e proteger a Majestade.

Real presença
que ilumina e emociona.
É um lindo sentimento
que ao coração se relaciona.

Dourada luz.
Raios azuis.
Real presença.

[Adhemar - São Paulo, 15/09/1987]
p/ bsf

domingo, 12 de setembro de 2010

Modelo, atriz

Você fica parada me olhando,
com cara de fotografia;
exposta feito um cabide
e fria feito um cartaz.

Você me contempla
para um além de mim.
Desatenta, sonolenta,
estátua, monumento...

Um olhar de sonho,
enviesado ou algo assim.
Imota imagem,
alabastro ou marfim.

Você fica parada me olhando
como se olha a paisagem;
se eu viro o papel você some:
você é uma "figura"!!!

[Adhemar - São Paulo, 11/01/2010]

sábado, 11 de setembro de 2010

PROFUNDAS


Contemplo o céu
e suas infinitas gradações de azul.
Como a paz,
a meditação e a paciência.

O oceano...
E suas infinitas gradações de verde.
Como a esperança,
a floresta e a verdade.

A bruma;
e suas infinitas gradações de branco.
Gradações de branco?
Como a névoa,
a neve e a memória...

[Adhemar - São Paulo, 14/07/2004]

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Eclipse


Se me vires acenar, em algum dia,
um adeus diante do teu rosto enternecido
não estremeças de pensar
que meu coração ao sentimento esfria;
mas apenas se alenta no seu leito,
o peito feito de um amor envelhecido.

Se teus olhos puderem contemplar as poesias
que de tanto escritas já não sabem se benzidas,
faça uma prece ao vento, amigo e conselheiro,
que traz na boca mensagens tão mais cheias que vazias;
sopra no íntimo a certeza infinita
que tua prece seja bendita e acolhida.

Se minhas mãos tocam teus olhos tão sagrados,
de qualquer modo eu troco a vida pela vida.
No teu sopro tão leve e tão divino,
haja lugar pro coração desabrigado
que mais acredita do que sofre ou advinha
dessa paixão tão expansiva, recolhida.

P/ BSF
[Adhemar - São Paulo, 27/07/1988]

terça-feira, 7 de setembro de 2010

REVOLUÇÕES


Levantei a minha voz
quando julguei injustos
os atirados insultos
contra gente como nós.

Levantei a minha mão
e pedi paz
para quem fosse capaz
de ouvir o coração.

Levantei para bradar
a quem quisesse ouvir
uma mensagem do porvir
sobre dividir pra conquistar.

Dividir muito amor
para ver multiplicados
sorrisos em olhos cansados
de tanta mágoa e tanta dor.

Levantei do meu lugar
para alguém mais cansado sentar.
Abraçando um a um
todos os que, unidos,
não se deram por vencidos
e não abandonaram nenhum.

Simplesmente amarramos
nesse compromisso forte
nosso destino e sorte
nesse rumo pr'onde vamos.

Levantei e caminhamos.

[Adhemar - São Paulo, 18/08/2010]

sábado, 4 de setembro de 2010

Partida


Deixei meus sonhos mais antigos.
Desembarquei de ideais tão próximos outrora,
tão utópicos hoje em dia e agora.

A dureza da vida
tornou estéreis os esforços de conquistas,
de vitórias.

Vitórias não pessoais,
mas coletivas,
em ações individuais,
ou cooperativas.

Braços caídos,
em contraste com um tempo mais ativo,
todo o tempo,
correndo, lutando e sorrindo.

Braços caídos,
semblante seco e cabelos prateados,
indiferente ao destino,
destituído.

Indo para onde não há alegria,
como quem caminha na prancha.

Entristecido, desanimado,
tendo como lembrança
a esperança feito um ente querido,
sepultado.

Autômato sem razões,
espectro de viajante adoentado.

Mas no fundo dessa depressão,
a procura de um fio condutor
ao antigo homem forte,
desaparecido e apagado...

[Adhemar - São Paulo, 01/10/2000]