sábado, 4 de setembro de 2010

Partida


Deixei meus sonhos mais antigos.
Desembarquei de ideais tão próximos outrora,
tão utópicos hoje em dia e agora.

A dureza da vida
tornou estéreis os esforços de conquistas,
de vitórias.

Vitórias não pessoais,
mas coletivas,
em ações individuais,
ou cooperativas.

Braços caídos,
em contraste com um tempo mais ativo,
todo o tempo,
correndo, lutando e sorrindo.

Braços caídos,
semblante seco e cabelos prateados,
indiferente ao destino,
destituído.

Indo para onde não há alegria,
como quem caminha na prancha.

Entristecido, desanimado,
tendo como lembrança
a esperança feito um ente querido,
sepultado.

Autômato sem razões,
espectro de viajante adoentado.

Mas no fundo dessa depressão,
a procura de um fio condutor
ao antigo homem forte,
desaparecido e apagado...

[Adhemar - São Paulo, 01/10/2000]

2 comentários:

finityster disse...

Olá Adhemar,
Obrigada pelos seus comentários lá no blog.
Bom feriado para vocês tb.
Quanto a poesia, li e reli várias vezes. É um escândalo de linda e significativa.
Parabéns!
Adir

Adh2bs disse...

Feitos no outro blog:

Comentário por josé cláudio - Cacá — domingo, 5 de setembro de 2010 (05:25:32)
Somos todos personagens do desassosego,meu caro Adhemar. O desassossego, por seu lado tem esse condão de nos manter resilientes na trilha de buscas. Meu abraço. Paz e bem.

Comentário por Selma Barcellos — segunda-feira, 6 de setembro de 2010 (18:21:50)
Posso subscrever o comentário do José Cláudio? Perfeito.
Beijocas, poeta.