A janela denuncia a rua, o jardim e o céu azul.
Ouvem-se pássaros e automóveis distantes.
O sol denuncia o coração.
Calor, saudade e pensamento, pessoas distantes.
Pessoas? Múltiplas imagens de uma só pessoa
que sumiu no mundo arrastando a mala.
Com seu passo leve, sumiu no horizonte
tragada pela boca de uma estação.
E ficar pensando naquele sorriso
que é uma janela onde se vê o sol.
Sorriso florido, como um jardim,
que nos traz os pássaros sob o céu azul.
Já não é possível tanta saudade assim.
Porque a cada dia vem o sol de novo
lembra ao coração do sorriso loge
e múltiplas imagens cintilando aqui.
A janela denuncia a rua, ora está vazia.
Os pássaros foram embora, os autos já não passam mais.
Fica o olhar perdido, fitando o horizonte
e o coração calado, saudades demais...
P/BSF
[Adhemar - São Paulo, 09/09/1987]
Melancolia
Este era o título original desta poesia, mais para indigestão com melancia... Enfim, aos vinte e poucos anos, os amores do poeta eram assim: não correspondidos e fugidios... Os caracteres inclinados tentam imitar a caligrafia, meio assim, batida pelos ventos de então.
Adhemar, 30/11/2010.