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terça-feira, 30 de novembro de 2010

NOSTALGIA



A janela denuncia a rua, o jardim e o céu azul.
Ouvem-se pássaros e automóveis distantes.
O sol denuncia o coração.
Calor, saudade e pensamento, pessoas distantes.

Pessoas? Múltiplas imagens de uma só pessoa
que sumiu no mundo arrastando a mala.
Com seu passo leve, sumiu no horizonte
tragada pela boca de uma estação.

E ficar pensando naquele sorriso
que é uma janela onde se vê o sol.
Sorriso florido, como um jardim,
que nos traz os pássaros sob o céu azul.

Já não é possível tanta saudade assim.
Porque a cada dia vem o sol de novo
lembra ao coração do sorriso loge
e múltiplas imagens cintilando aqui.

A janela denuncia a rua, ora está vazia.
Os pássaros foram embora, os autos já não passam mais.
Fica o olhar perdido, fitando o horizonte
e o coração calado, saudades demais...

P/BSF
[Adhemar - São Paulo, 09/09/1987]

Melancolia

Este era o título original desta poesia, mais para indigestão com melancia... Enfim, aos vinte e poucos anos, os amores do poeta eram assim: não correspondidos e fugidios... Os caracteres inclinados tentam imitar a caligrafia, meio assim, batida pelos ventos de então.

Adhemar, 30/11/2010.

domingo, 28 de novembro de 2010

Verdadeiro amor

O verdadeiro amor se reconhece
quando a insônia nos invade.
Abrem-se portas inesperadas - e não se sabe -
ajoelhar e implorar nalguma prece...

O verdadeiro amor se reconhece
quando se suspira inutilmente pelos cantos,
quando por nada nos quedamos aos prantos
e se sente uma súbita dor que aparece.

O verdadeiro amor se reconhece
com o frio na espinha que acontece
quando se ouve a voz da nossa musa.

Aí, tudo mais o peito esquece,
uma efusiva alegria nos aquece
e dar ouvidos à razão recusa!

P/ SM
[Adhemar - 27/06/2008]

Verdadeiro gaiato

O último verso é emprestado de uma poesia de Olavo Bilac (a confirmar...).

Adhemar.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

ADRENALINA

Ela está distante,
vive seu mundo;
indiferente ao efeito do encanto
que espalhou,
com casca e tudo.

Ela está interessante,
uma manequim de vitrine.
Altiva, linda, inconstante,
alheia aos olhares,
nada que ensine.

Ela é insinuante.
Mas é cercada e furtiva.
Viva, fugaz, apaixonante,
desprezando as paixões
e os corações que cativa.

Ela segue adiante,
audaciosa e mordaz.
Ignora seu fã clube,
seus admiradores contumazes
e os escravos que deixa pra trás.

Ela é fascinante,
naturalmente perigosa.
Fria, calculista e cortante,
derruba os próprios algozes
forte, suada e fogosa.

Ela é impressionante,
determinada e poderosa.
Firme, precisa e atuante,
mesmo usando cor-de-rosa
ou um vermelho vibrante.

Se não for um produto da mídia
é de uma paixão alucinante.

[Adhemar - São Paulo, 18/05/2010]

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Suborno

Quero comprar minha própria consciência - quero justificar o que às vezes acho errado porque não me parece tão errado assim; só humano! Quero me esconder atrás de justificativas plausíveis, todas aceitáveis, mas... Paralisantes demais. Preciso mobilizar toda a minha inteligência e uma suposta sensibilidade para deixar tudo como está; na paz aparentemente serena da superfície do oceano em ebulição. Ainda que certas emoções queiram se impor e todo esforço possível é feito para que se aquietem. Sentimentos que hibernavam desde um passado distante querendo apimentar o já salgado "menu" dos dias atuais. E as palavras antes fáceis na defesa de ideais românticos, sedentários, já não servem senão para insuflar esse balão tão lindo - e tão colorido - que nos convida para uma volta pelo ar, sem conhecimento do trajeto, sem perspectiva de voltar.

Preciso, urgentemente, resgatar ou vender a minha própria consciência.

[Adhemar - São Paulo, 08/12/2009]

sábado, 20 de novembro de 2010

ATÉ QUE ENFIM

Até que enfim,
um evento inesperado,
uma repentina alegria,
uma triste despedida:
até breve...

Até que enfim,
um sorriso forçado,
uma falsa segurança,
um novo desafio,
apaixonado...

Até que enfim,
uma novidade tardia,
um alegre bom dia,
um futuro...
Encomendado!!!

[Adhemar - São Paulo, 15/01/2009]

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Natureza (O Mar)

Legal.
Legal pensar em transformações. Lentas, microscópicas, mas vultosas transformações. Arte simples, precisa e grandiosa; como por exemplo, de resíduos diversos dos mais diferentes elementos o mar é capaz de formar conchas, agregando componentes moldados pelas marés em formas surpreendentes, ousadas, impossíveis. Transformando o que seria lixo, por força de uma inadequada expressão, em cor, em beleza, em manifesto de infinita paciência, paz e precisão.

Alguns seres humanos têem a mente parecida com o mar. Intuitiva, paciente, criadora. Dissimulando uma força incomum, extraordinária. Transformando lixo em conchas. Uma variedade infinita, inimaginável, de criações. Um animal, um molusco abrigado em conchas de determinada forma, ligados a elas por um elo indivisível e indecifrável chamado vida, digerindo variadas e estranhas substâncias; gerando em si um precioso dejeto de suas refeições, perfeito em sua forma, cor e colocação: a pérola.

Alguns seres humanos tem a mente parecida com esses moluscos. E, no seu mundo, cumprem o seu papel, estático, de protagonistas em seu meio ambiente em suas ilimitadas e imprescindíveis funções. Cabeças de ostra, transformando detritos, areia e solidão em pérolas. De onde só se pode concluir que mais valem dois pássaros voando porque o ar é o seu lugar.

P/ TNQ
[Adhemar - São Paulo - 15/02/2001]

domingo, 14 de novembro de 2010

REVISÃO

Umas impressões equivocadas,
umas revoltadas pretensões;
umas imposições indelicadas,
umas reservadas posições.

Outras emoções já renovadas
com mal educadas intenções
provocam ações mais deslocadas
ante tresloucadas opções.

Tantas soluções são importadas
a partir de ignoradas ligações
mesmo em situações marcadas...

Vivendo desarmadas relações
em missões tão desarrumadas,
flores jogadas aos pés dos corações!

[Adhemar - Milão, 15/04/2010]

Constatações

Fraco. Genérico demais.

Adhemar, 14/11/2010.

domingo, 7 de novembro de 2010

Centenário

Estivesse entre nós,
faria cem anos.
Foi um gênio, foi feliz.
Deu exemplos, mangas, panos,
simplesmente, Vô Luiz.

Benevolente, tolerante,
muito juntos andamos.
Trabalhou sempre honestamente
o quanto quis;
sempre alegre, líder, soberano:
simplesmente Vô Luiz.

Bem humorado, atento, inteligente,
ativo, livre e protetor.
Solidário, acolhedor, hospitaleiro,
um gentleman, como se diz.
Conselheiro, um homem verdadeiro,
simplesmente Vô Luiz.

E eu aqui, "canalhamente te usando",
como tema nesta homenagem dos cem anos,
te agradecendo tantas coisas que aprendi
- inclusive que não somos um ovo, somos humanos -
com o inesqucível Vô Luiz.

[Adhemar - São Paulo, 06/11/2010]

100 ANOS!!!

Ao meu avô por parte de mãe, pessoa ímpar neste mundão de Deus, cuja principal lição que nos legou, talvez, seja que não somos seres exclusivos, solitários, mas talhados para viver em sociedade já que nos originamos de pelo menos dois! Nunca se furtou de se expor para dividir (e não para se mostrar...), transmitindo sua experiência e sua alegria inclusive a quem não sabia o que é isso. E tivemos, nesta família, o imenso privilégio de uma longa convivência. Um grande abraço ao nosso guru, onde quer que esteja, recheado desta saudade apenas ligeiramente melancólica...

Adhemar - 07/11/2010

PS - Por sinal que hoje é aniversário de outra grande figura desta família... Citado nesta data em 2009, vale relembrar, cliquem nov/09 no link ao lado! O ano de 2010 é particularmente interessante porque muita gente aqui atingiu cifras redondas, tais como 65, 15, 60, 10, 20, 55... Só pra ficar em alguns. A todos um grande abraço e mais cem, mais cem, mais cem!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

EQUILIBRISTA

Na síntese do resumo da sinopse:
Um ponto.
Na tosse, hum-hum, pigarro.
No ponto alto, no topo,
no posto onde se vislumbra;
vigia.
Na vida, na via, no ponto.
Onde se aguarda a condução.
Na vanguarda.
Na guarda da retaguarda.
Na hora tão cheia de minutos.
Na última fração de segundo
do átimo do instante.
Na proximidade do distante.
No perto, no peito,
no modo sem jeito,
malfeito.
Na segunda das horas.
No segmento.
No sentimento inconstante.
No vento insistente
do tempo presente,
no verbo.
No ar e na mente.
Na prisão de ventre.
Dentro do convento,
fora da regra,
na casca do tempo.
Na profundeza da ausência.
Na misericordiosa clemência.
Na dúvida elucidativa.
Na chama da bamba
da corda da vida.

[Adhemar - São Paulo, 05/07/2010]