terça-feira, 30 de novembro de 2010

NOSTALGIA



A janela denuncia a rua, o jardim e o céu azul.
Ouvem-se pássaros e automóveis distantes.
O sol denuncia o coração.
Calor, saudade e pensamento, pessoas distantes.

Pessoas? Múltiplas imagens de uma só pessoa
que sumiu no mundo arrastando a mala.
Com seu passo leve, sumiu no horizonte
tragada pela boca de uma estação.

E ficar pensando naquele sorriso
que é uma janela onde se vê o sol.
Sorriso florido, como um jardim,
que nos traz os pássaros sob o céu azul.

Já não é possível tanta saudade assim.
Porque a cada dia vem o sol de novo
lembra ao coração do sorriso loge
e múltiplas imagens cintilando aqui.

A janela denuncia a rua, ora está vazia.
Os pássaros foram embora, os autos já não passam mais.
Fica o olhar perdido, fitando o horizonte
e o coração calado, saudades demais...

P/BSF
[Adhemar - São Paulo, 09/09/1987]

Melancolia

Este era o título original desta poesia, mais para indigestão com melancia... Enfim, aos vinte e poucos anos, os amores do poeta eram assim: não correspondidos e fugidios... Os caracteres inclinados tentam imitar a caligrafia, meio assim, batida pelos ventos de então.

Adhemar, 30/11/2010.

4 comentários:

C@urosa disse...

Olá meu amigo poeta Adhemar, o olhar através da janela sempre denuncia a melancolia e o coração "ferido" do poeta...muito bom! Paz e harmonia em seus dias e mais inspiração.

forte abraço

C@urosa

M. Sueli Gallacci disse...

A dor de uma saudade...

Os poetas sabem como ninguém descrevê-las... E teus poemas estão cada vez melhores! Belíssimo!

Gde abraço.

Wanderley Elian Lima disse...

A saudade ainda mata a gente.
Grande abraço

Adh2bs disse...

Transportado do outro blog:

Comentário por jose cláudio - Cacá — quarta-feira, 1 de dezembro de 2010 (03:14:08)
Êh, meu amigo , você me ajudou a desenterrar uma nostalgia também. rsrs. Olha como eu estava em uma época distante:
(Sem título)
Passam as horas, o tempo passa
E nós, invariavelmente duvidosos.
Eu me fiz valer e nesse empenho me adiantei
Libertando-me um pouco mais
De um mal trágico, desnecessário
E vi crescer, de novo, a esperança
E facultei-te o tempo,
Dei-te as duas faces
E esperei um pouco mais e mais irracional
Mas sempre na tua pista
E tu vieste em minha busca, não sei se por recompensa
Ou por consciência tardia,
conseguiste reconhecer
Teu real valor de mulher
E tomaste parte
Da conseqüência lógica que sou eu
Mas eu não queria mais
14/07/80
Abração. Paz e bem.

Comentário por Selma Barcellos — quinta-feira, 2 de dezembro de 2010 (16:03:50)
Da pena dos poetas apaixonados surgem poemas assim… Doídos, mas lindos.
Beijocas!

Comentário por SONHADOR — terça-feira, 7 de dezembro de 2010 (09:19:04)
Na poesia o que importa é a inspiração do autor, normalmente reflete suas observações ou sentimentos no momento; com o passar do tempo e seu amadurecimento quase sempre critica o que pertenceu a outra fase da vida.
Abraços