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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

ADEUS ANO VELHO



Se eu fosse me despedir
não choraria.
Não mentiria e não iria enganar.

Se eu fosse me despedir
não diria nenhuma poesia
e não prometeria voltar.

Se eu fosse me despedir
não seria a distância
e nem um frio dispensar.

Se eu fosse me despedir
a voz não iria embargar.
Os olhos não iam fugir
e as mãos, sem se inquietar.

Se eu fosse me despedir
num cadáver não ia pisar
e tampouco o passado lamentaria.

Se eu fosse me despedir
não iria agradecer
nem iria cobrar.

Se eu fosse me despedir
não ira ser sem olhar nos olhos.

Se eu fosse me despedir
sem acenos nem cenas
diria somente:
- Adeus.

[Adhemar - São Paulo, 14/05/1987]

Diria somente adeus

Pois é, repetindo o que digo sempre, todos os anos à meia-noite do dia 31 de dezembro, despedindo-me do ano que passou. Em geral com poucos arrependimentos e muitos agradecimentos, os tradicionais planos do que fazer não só no ano que se inicia mas também, daqui pra frente. Passando a limpo a agenda. Tomando decisões inesperadas. Enfim, como todo o mundo, vivendo.

Forte abraço, ótima passagem de ano a todos!

Adhemar, 31/12/2010.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Silêncio culpado

Não dizes nada?
Não olhas para o lado de cá?
Teimas em te esconder?
Foges de tudo...

Sabes o que és
e não queres acreditar.
Silencias para não te comprometeres.
Exultas, pois, que lançam de ti o espírito
ao cerne da pira acesa.

Não pensas que podes alçar um vôo
e que dessa negra pira podes escapar?!
Podes!
Queres, também!
Hesitas, pois te parece a liberdade um tanto cara;
mas podes pagá-la com teu sangue,
com o sangue do teu coração.
E não imagines que desfaleça
pois teu canto de guerra te acalenta.

Investe contra o destino,
que tua vitória te espera!!!

P/ MG (ou será que foi pra mim?!)
[Adhemar - São Paulo, 23/05/1987]

sábado, 25 de dezembro de 2010

PARAGEM NEGRA

Numa noite solitária e fria
um verso escorre da cabeça.
O poeta só, sem companhia,
acha que pensa.

Nessa noite fria e solitária
escorre um verso aflitivo.
De forma cruel e arbitrária,
mais que definitivo.

Nessa fria e solitária noite
morre um verso em afogado grito.
Lamurioso, embasbacado e triste
num clamor aflito.

Noite fria e solitária numa...
Versão macabra, verso agonizante
cujo grito mudo se esvai na bruma
enquanto verte sangue...

Fria noite, solitária nessa
palavra última, murmurado verso
rouco de paixão e cheio de promessa,
procissão e universo!

[Adhemar - São Paulo, 26/06/2008]

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Quem sou...?

Basicamente, um enxerido.
Palpiteiro.
Pretensamente sabido.
Um paciente estrangeiro.

Basicamente, um atrapalhado.
Folgado.
Espaçoso, apalhaçado.
Um paciente adoentado.

Basicamente, um vivente.
Advinho.
Leitor de mão e vidente.
Um paciente vizinho.

Basicamente, um incontido.
Pretenso poeta,
viajante perdido,
dormido e alerta...

[Adhemar – São Paulo, 16/09/2009]

Quem são...?

A todos os prezados amigos que por aqui passam nossos votos de um Feliz Natal. Que cada um tenha em si o sentido maior da festa, na celebração do nascimento d'Aquele que nos guia; e aos que não acreditam, que seja um alegre momento de convívio com seus entes queridos.

Grande abraço,

Adhemar, 24/12/2010.

domingo, 19 de dezembro de 2010

PROGRESSÃO

Quebrar o passo
levantar a mão
virar o braço
pedir o pão.

Bofetada na face
dominar a bola
fazer o passe
não ir embora.

No movimento
uma ação
no pensamento
intenção.

Driblar o erro
chutar na trave
seguir o enterro
o cenho grave.

Sombra nos olhos
sonhar então
quebrar uns galhos
sair do chão.

Maltratar a si
esquecer da vida
e emergir
numa saída.

E viajar
gozando férias
sem nem pensar
em coisas sérias.

Chegar afinal
num recanto belo
de um céu tonal
em amarelo.

E constatar
o fim do curso
da pena estar
num só discurso.

Pra bem olhar
é por colírio
e terminar
este delírio.

[Adhemar - São Paulo, 16/03/2007]

sábado, 18 de dezembro de 2010

Premências indiretas

A gente só faz certas coisas por muita necessidade. Estaciona algumas ambições, se atrapalha com as prioridades. Deixa de lado o que é bom e compromissos vagamente inúteis viram onerosas obrigações.

A gente mesmo acaba criando inescapáveis prisões. Não vê que se coloca ali dentro, cela desagradável, paredes grossas, escuras, janela minúscula, de pouca luminosidade... Fica tão obcecado que não percebe a pesada porta de ferro destrancada, bastando um pequeno gesto de pouca força pra gente sair dali.

A gente deseja um bocado de coisas, todas absolutamente prescindíveis - se a gente pensasse um pouco. Objetos inúteis e caros, "status" de pouco significado prático, amizades por interesse... Contemplar o aqui e agora, tão impalpável e perto, ignorando a paisagem que a gente veria tão linda se a gente olhasse pra fora.

A gente traça um destino torto, depois 'inda quer o céu.

[Adhemar - Ibiúna, 27/10/2009]

domingo, 12 de dezembro de 2010

Amostra grátis


Há sempre um caderno meio usado,
seminovo;
há sempre uma página em branco.
Há sempre um desvio no caminho errado
e um sofá de pé quebrado,
meio manco.

Há sempre uma interrupção indesejada,
inoportuna.
Sempre há um ruído que assusta.
Sempre há algo que simplesmente não é nada
e uma pessoa, ou bicho esquisito,
um saltimbanco.

Eis que topamos uma pessoa meio educada,
ou muito crua;
eis que topamos nossa própria impaciência.
Eis que topamos novas fórmulas milagrosas
de contornarmos nossa própria incompetência,
nebulosas.

Sempre haverá uma alma meio nua,
muito plena,
que onde estiver andará sempre serena.
Eis que seremos tal a luz de um clarão,
fugaz relâmpago, descarga elétrica do coração,
paixão terrena...

[Adhemar - São Paulo, 01/04/2010]

domingo, 5 de dezembro de 2010

ENGANO

Tu não és quem eu pensei que fosse
embora isto não seja um empecilho;
não és meu pai, nem minha mãe e nem meu filho.
Não és salgada nem amarga: é só dôce.

Tu não és quem eu pensei que fôra
não obstante nos apresentasse;
a despeito das certezas, outro impasse,
nem és pedreira ou jornalista: és professora.

Tu não és quem eu pensei que é
porque preferiste difícil o caminho onde estás;
tu ficastes e não me deixastes pra trás
porque não és o que pensei: és mais e és minha mulher...

P/ SM
[Adhemar - Santo andré, 18/05/2005]

Enganos

O então assinado "AdhPitPaixonadoPoti" houvera escrito "impecilho" (que não existe) ao invés de empecilho (correto mas feio) e acentuara "dôce", "fôra" e "professôra" como se escrevia muito antigamente... Ao transcrevê-lo hoje, corrigi dois erros e mantive os outros dois, ao menos para evocar a distante infância onde aprendi as primeiras letras... SM vem a ser minha esposa, que é tudo isso e mais muito que não cabe em papel algum.

Adhemar, 05/12/2010.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Cometa

Teu beijo transforma o momento
em um momento mágico.
Teu movimento transmite ao instante
um brilho rutilante e mágico.
Teu sorriso carrega constante
um vibrante momento típico.

Típico é o teu abraço, constante e forte.
Potente transmissor do sentimento máximo,
ligado nas emotivas razões do mistério
Misterioso coração, imenso lago,
onde mergulhado o amor, paixão se fez.
Apaixonado, amoroso, emocionado, estático.
Diante do reflexo dos teus olhos
na capa-espelho - do lago.

Teu corpo perfeito em harmoniosa dança
aquece o tempo infinitamente parado.
Admirado de tua graça intensa.
Tuas mãos tão perfeitas
fazem da carícia um delicioso leito;
tua alma gentil transmite ao poeta
uma imensidão tão bela, gloriosa e distante,
que faz da distância
um aproximar-se o infinito.

Brilhante estrela do poder amante.

p/ SM
[Adhemar - São Paulo, 22/02/1989]