domingo, 12 de dezembro de 2010

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Há sempre um caderno meio usado,
seminovo;
há sempre uma página em branco.
Há sempre um desvio no caminho errado
e um sofá de pé quebrado,
meio manco.

Há sempre uma interrupção indesejada,
inoportuna.
Sempre há um ruído que assusta.
Sempre há algo que simplesmente não é nada
e uma pessoa, ou bicho esquisito,
um saltimbanco.

Eis que topamos uma pessoa meio educada,
ou muito crua;
eis que topamos nossa própria impaciência.
Eis que topamos novas fórmulas milagrosas
de contornarmos nossa própria incompetência,
nebulosas.

Sempre haverá uma alma meio nua,
muito plena,
que onde estiver andará sempre serena.
Eis que seremos tal a luz de um clarão,
fugaz relâmpago, descarga elétrica do coração,
paixão terrena...

[Adhemar - São Paulo, 01/04/2010]

3 comentários:

Wanderley Elian Lima disse...

Há sempre alguém escrevendo belos poemas de amor, para nos encantar.
Abração

M. Sueli Gallacci disse...

Aaaaaaa, inacreditável, o Wanderley escreveu exatamente o que eu ia escrever, há sempre alguém que chega primeiro rsrs

Belíssimo poema, Adhemar! Já sei que eu vou pensar nele o dia todo até entendê-lo plenamente...

Gde abraço.

Adh2bs disse...

Blog Terra:

Comentário por Selma Barcellos — domingo, 12 de dezembro de 2010 (16:05:19)
Sabia que eu adoro me deparar com páginas em branco? É como se recebesse um convite…
Beijocas!
Comentário por josé cláudio - Cacá — domingo, 12 de dezembro de 2010 (18:53:02)
Bem que minha mãe já dizia, “junte-se aos bons e será um deles”. Estou na trilha desta sua luz. Belíssimo, Adhemar! Abração. paz e bem.