sábado, 18 de dezembro de 2010

Premências indiretas

A gente só faz certas coisas por muita necessidade. Estaciona algumas ambições, se atrapalha com as prioridades. Deixa de lado o que é bom e compromissos vagamente inúteis viram onerosas obrigações.

A gente mesmo acaba criando inescapáveis prisões. Não vê que se coloca ali dentro, cela desagradável, paredes grossas, escuras, janela minúscula, de pouca luminosidade... Fica tão obcecado que não percebe a pesada porta de ferro destrancada, bastando um pequeno gesto de pouca força pra gente sair dali.

A gente deseja um bocado de coisas, todas absolutamente prescindíveis - se a gente pensasse um pouco. Objetos inúteis e caros, "status" de pouco significado prático, amizades por interesse... Contemplar o aqui e agora, tão impalpável e perto, ignorando a paisagem que a gente veria tão linda se a gente olhasse pra fora.

A gente traça um destino torto, depois 'inda quer o céu.

[Adhemar - Ibiúna, 27/10/2009]

2 comentários:

Bia Franco disse...

Texto primoroso!

Perdemos o melhor da vida quando escolhemos nos enquadrar num modo de vida sem questionarmos a nós mesmos se seremos felizes... Queremos é nivelar com o outro e não "ficar por baixo". Pura ilusão, futilidades... Todos nós sabemos disso, mas fazemos. Inexplicável.

E a vida passa.

Parabéns!

Um grande abraço.
Bia Franco

Adh2bs disse...

Blog Terra:

Comentário por Selma Barcellos — segunda-feira, 20 de dezembro de 2010 (21:58:27)
Imprescindíveis são os poetas…
Beijoca afetuosa, amigo Adhemar!