Pesquisar este blog

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

E não se fala mais nisso!

A poesia tem pernas curtas.
A inspiração é um surto que acomete o artista sempre em baixo do chuveiro.
Palavra sagrada, prosa enlevada.
O ar traduz todos os pensamentos; pena que é transparente.
O amor que importa transporta.
O beijo é uma espécie de telegrama; mas o resto da mensagem tem que ser entregue pessoalmente.
Deus está por aí mesmo; dê-Lhe um abraço, convide-O para um papo.
Até onde se saiba, a vida é uma só, mesmo.
Ponha em prática todas as suas teorias!

Feliz Ano Novo.

[Adhemar - São Paulo, 29/12/2011]

"Faísca", "Tarefa" e "Formatura"

Faísca

Relâmpago, cicatriz do céu.
De repente, iluminando uma existência
fútil e sem sentido.
De repente, tão importante.
Sentir falta do convívio
sem nunca ter convivido.

Nem alarmado, nem romântico.
Sentimental e sincero,
paixão repleta de ocultas dores.
Irresistível, porém,
só se sobrevive resistindo.
No maior dos sofrimentos,
continuar sorrindo.

E o desejo louco,
intuído pelo raio da tempestade,
lindo, louco e dolorido,
tanto mais aumenta quanto mais inibido.
Um irreprimível reprimido,
extenso então, sorrindo…

A tempestade agora já não tem relâmpago.
Tem apenas o âmago-coração do amor vivido.
Descoberto e curtido
o sentimento mais profundo
abre os braços e chora;
chora pedindo o mínimo momento do desejo contido.
Chora rezando pela alma do beijo perdido…

P/ SM
[Adhemar - São Paulo, 20/12/1988]

Facho

Com este, fechamos a “trilogia” de textos escritos nalgum dezembro perdido (vejam os outros dois, abaixo), para ilustrar os sentimentos díspares - para não dizer antagônicos - que me acometem sempre nesta época do ano. E aproveitar o ensejo para desejar a todos um Feliz 2009, que traga em seu bojo as realizações mais profundas ansiadas por cada um de vocês. Grande abraço!

Adhemar, 31/12/2008.

Arquivado em: Poesia I Comentários (1)

TAREFA

O dom da vida nos foi dado
para o nosso aprimoramento;
buscar mais ajudar e participar
do que se beneficiar e assistir.

Acomodar a cabeça nos próprios braços
ou nos braços da amada;
acomodar os pensamentos no positivismo, na bondade
estar apto a receber metas para cumprir e viver.

Viver então de fato,
saber-se capaz de resolver, de assumir,
de liderar, de compreender.

Olhar para o adiante,
o azul, o infinito e o saber.
Concluir, além de toda a possibilidade
e… Viver!

[Adhemar - São Paulo, 23/12/2007]

Arquivado em: Poesia I Comentários (0)

Formatura

Há uma foto entremeada num álbum. Especialmente essa foto traz recordações e lembranças que melhor ficariam se ignoradas. Não propriamente esquecidas: simplesmente ignoradas.

A foto mostra a mão serena, dedos queimados, segurando tranqüilamente uma folha de papel qualquer. Além disso, figura num dos dedos mais distantes da cicatriz no dorso, uma aliança dourada, de noivado. A gravata, o paletó e a camisa estabelecem uma elegância suspeita. Mas o rosto está tranqüilo, os olhos serenos e os cabelos emolduram esse rosto da maneira exata como deve ser. Porém, atrás dos olhos é que há um mistério, saudoso que ficou do antes daquele momento. E o estado de espírito presente nessa foto retrata um momento específico, muito particular e discreto; e as recordações que evoca referem-se a planos de vida e lindos sonhos que estão soterrados por uma avalanche de indiferença e indisposição.

O fruto criador, que do seu cerne dá a semente, está sêco. Mas como a semente “tem que morrer pra germinar”, vivemos por esperar e ver. Enquanto isso, fica o álbum fechado enquanto o rosto da foto mantém um indecifrável sorriso.

[Adhemar - São Paulo, 31/12/1987]

Retrato

Texto sobre uma foto do álbum da minha formatura da faculdade, ocorrida pouco mais de um ano antes. Essa época (final de ano) alterna o meu humor entre a alegria das festas, a melancolia do ficou pra trás e a expectativa otimista pelo futuro. A citação entre aspas é um verso de Gilberto Gil numa de suas mais lindas canções, chamada “Drão”.

Adhemar, 31/12/2008.

Arquivado em: Prosa I Comentários (0)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

SAUDAÇÕES

Passa o vento, passa a tempestade.
Passa o sonho, morre a ilusão.
Morre o olhar, distante e tristonho,
volta a esperança, saudade e coração.

Afoga a lágrima, cidade dolorida.
Forma colorida, efêmero balão.
Bolha de sabão, disforme, esvoaçante,
estoura adiante de vida e confusão.

Estrela radiante de brilho e alegoria.
Efêmera alegria, cinza de paixão.
Distante a mocidade, ciência já perdida,
confusa e dolorida, um facho de razão.

Passa o esculacho, a deixa insensata,
nata da loucura, velha maldição.
Ação da criatura, orgulho e vaidade,
especialidade, desgraça e perdição.

Perdido para o inferno, perdido na amargura,
riacho cristalino, turva situação.
Funda sepultura, devaneio interno,
onda de maré, sábia solução.

Permanecer ereto, sorrindo forte e em pé.
Manter a própria fé, sair renovação.
Saltar, lutar, seguir até onde bem vindo,
portal do paraíso, aqui neste mundão...

[Adhemar - São Paulo, 01/09/2011]

domingo, 25 de dezembro de 2011

Natal da Vó Júlia

Bichos saídos da casca. Louvores.
Saber da chuva só de olhar o céu.
Saber das plantas e conversar com elas.
Saber das crianças e todas as suas fases.
Conhecer o marido, as filhas, todos os netos. Os bisnetos. A tataraneta.
Louvores.
Os panetones feitos à mão,
o macarrão com nozes.
O arranjo de frutas.
Saber fazer das dificuldades uma alegria determinada.
Ensinar e aprender.
Montar o presépio, a árvore,
esperar de presente a genuína alegria das crianças -
bichos saídos da casca.
Lapidar uma jóia chamada família e agregá-la em torno de si até o último momento,
até o último suspiro;
fazer todos nós passarmos o último natal em torno dela
- como em todos os outros até então.
Um símbolo que se despediu mesmo na véspera de sua festa predileta.
Vai encontrar outros entes queridos já perdidos nessa outra esfera indecifrável,
certamente no paraíso;
próxima ao Deus pai.
Mãe, Vó, Tia, Bisa...

P/ Júlia Iandoli de Oliveira Braga (02/11/1914 - 24/12/2011)
[Adhemar - São Paulo, 25/12/2011]

Vó Júlia e Vô Luiz - Reveillon 2000-2001


domingo, 18 de dezembro de 2011

RETURNO

Em até tantas vezes cansado
sentei e esperei.
Esperei o cansaço ir embora,
esperei um sinal pra seguir.
Às vezes espero deitado,
em outras aguardo em pé
na iminência de ir e rir.

Eu até reconheço palavras
antes mesmo de ouvi-las.
Esperei um sentido profundo,
esperei alguém proferi-las
em algum discurso enfeitado
ou numa manifestação de fé;
e é assim que eu tenho esperado.

Nas molduras das telas em branco
parei e esperei.
Esperei imagens, pra vê-las,
esperei palavras pra ler.
Fico ali contemplando, parado,
até a noite vir com estrelas
e a imaginação vir preenchê-las.

Em até tantas vezes cansado,
ofegante, oprimido, largado,
esperei ansioso o futuro
sem tirar os pés do passado.
Fecho os olhos, olhar fatigado,
tentando lembrar o espírito puro
que a vida levou sequestrado...

[Adhemar - São Paulo, 08/09/2010]

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

X-PINGOS

Batem gotas fortes
explodem moléculas
Ações químicas
reações desconexas

Descargas elétricas
faíscas, curtos-circuítos
câmaras herméticas
lonas de circo

Equações e suas variáveis
gráficos, cálculos
teoremas físicos
filosofia, álgebra, alquimia

Sub-gotas que se multiplicam
referências que desaparecem
um atraso após os tic-tacs
e começa o espetáculo

Batem palmas fortes
explode o fugaz sucesso
morre de novo a folha morta
orgânica atitude

Alimento e suas variáveis
sementes do amanhã
ciência e matemática
receita e mapas

Analíticos sentimentos
poesia robótica...

[Adhemar - São Paulo, 08/01/2010]

domingo, 11 de dezembro de 2011

GÔNDOLA

Falei com Deus.
Não como falo sempre,
mas mais compenetrado,
mais atento.
Educado, polido, suplicante.

Falei com Deus,
com a voz mais funda,
mais emocionado.
Voz da necessidade.
Reflexos de uma incapacidade
relutante e obstinada.

Falei com Deus.
Minhas verdades,
fraquezas,
intenções e fracassos.
Opções duvidosas,
opções endividadas.

Falei com Deus.
Fiz meus planos,
promessas,
renovei votos,
projetei esforços.

Falei com Deus.
Gaguejante, balbuciando,
humilde e recatado,
disfarçando um atrevimento
orgulhoso e esticado.

Falei com Deus
relatando defeitos.
Fiz um negócio,
tipo sociedade
sem contrato,
só consórcio.

Falei com Deus.
E ele me ouviu e me atendeu.

[Adhemar - Santo André, 28/11/2000]

Nau

Texto utilizado num cartão de Boas Festas de 2002 entregue em família.

Adhemar, 11/12/2011.

sábado, 10 de dezembro de 2011

BOATOS

"Ouvi falar de você, por aí, mania de ouvir!
Pare de dar bandeira, ou ninguém haverá de parar de falar.
Seu sonho de gás evolou-se na academia,
a sua grande mania: alugar, reformar, ampliar…"

"Tá cheio de gente querendo ver seu balão estourar,
parede sem casca, bolor a mofar.
Você pendurou toda a sua alegria no mercado central;
tanta mercadoria, tanto blá, coisa e tal.
Espalhou que era mestre e profissional,
sua fama correu, aumentou, carnaval!"

"Mas aí o caldo entornou,
caiu uma árvore bem na rua principal.
Você se escondeu, se amoitou,
foi parar no hospital.
Sua pose caiu, sua imagem ruiu,
despencou do pedestal."

"E agora você, que nem os cacos catou,
volta à tona, bacana, normal;
por cima do chão que pisa,
por baixo do céu do quintal.
Vem com a mesma pantomima,
gingado, balanço total;
não aprendeu nas quedas, nos ovos que pisa mal.
Dá panos aos fofoqueiros, faz a alegria geral.
Voltou pra boca do povo, sem glória e sem capital!"

"Ouvi falar de você, por aí, e é só pau…"


[Adhemar - S. Paulo, 20/11/2003]


Escrito no ônibus, na volta do trabalho, atrás de duas fofoqueiras referindo-se a alguém, pretensamente muito convencido. Lá pelo meio da conversa, o coletivo entrou numa rua onde, de fato, havia caído uma árvore; há outras referências no texto de elementos do trajeto, entremeados com eventuais elementos da conversa. Ops, desculpem; eu disse duas fofoqueiras? Esqueci de mencionar um mal-educado xereta que ficou ouvindo a conversa…

Adhemar, 28/03/2008.

domingo, 4 de dezembro de 2011

GUERRAS

Já nadei contra a corrente; já remei contra a maré. Mas isso foi no tempo em que era bacana, era "cult", e não como agora quando isso significa só desbunde.

Também já lutei no "front" de outros, alinhado com aqueles que gritavam mais. Se não cheguei a empunhar as armas, meio que cozinhava para os batalhões. Mas me recusei a hastear a bandeira virada.

Subi nos palcos. Gritei das arquibancadas. Teci grossas críticas sem entender do assunto. Bolei inúmeras teorias só pra justificar o que eu acho. Se subi em alguns muros, não joguei pedras nos gatos. E logo em seguida eu desci.

Já escrevi contando letras - e sílabas - atrás de um alexandrino perfeito. Mas - feito um Drummond - desisti. Me recusei a mudar de assunto antes de levar uma surra. E mesmo estropiado ainda insisti. O tempo se encarregou de me provar que estava errado.

Algures, tenho mais dúvidas do que consigo estudar. Tenho mais rugas, um óculos novo, mas um certo receio do que vou enxergar. Me propus outros desafios que farão me multiplicar. O conforto de não ceder aos caprichos dos outros e grandes intransigências pra me sustentar...

[Adhemar - São Paulo, 20/08/2011]

Batalhas

Amigos. Comecei a trabalhar em um novo emprego. E fazendo projetos numa área onde ainda não havia atuado, é desafiador e bacana (no momento do escrito acima, o desafio era outro, em outro lugar). O tempo para o blog ficou escasso, vou precisar de um período para me ajustar a nova rotina. Grande abraço,

Adhemar, 05/12/2011

sábado, 19 de novembro de 2011

PERMEIO

Fixam os olhos um ponto no horizonte.
Firma-se a mão no apoio imaginário.
Pé-ante-pé, um passo arbitrário,
gotas de suor inundando a fronte.

Folha por folha forram o chão de outono,
o tear entrelaça fios vermelhos de tapetes
numa festa de serpentinas e confetes,
eleito um rei que é só festa e trono.

Tremem os olhos, no horizonte um ponto.
Tremem as mãos do imaginário apoio.
Tremem as águas, sobressaltando o arroio...
Treme o rei, desalentado e tonto.

Voam as águias, atentas presa à presa
e escondem-se delas os pequenos animais.
Esconde-se o tempo, que não volta atrás
e morre o vento, de lágrimas e tristeza.

Bem a tempo, o herói ressucita e levanta.
Forma uma banda, ensaia, toca e canta.
Recupera a um só tempo alegria, ânimo e vida,
tempera as tintas na tela colorida.

Acena ao céu, salva as águias e os bichinhos,
salva a flora, a fauna, a forma e a glória;
faz a fama, faz fortuna e faz história,
dá exemplos a bandidos e mocinhos.

Na doçura da existência e da alegria
realiza o herói um belo sonho:
com linda princesa contrai um matrimônio
e é um feliz casal, Herói e Utopia.

[Adhemar - S. Paulo, 12/03/2007]

De permeio, um belo pôr do sol que me mandaram.

Adhemar, 31/03/2008.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Bolhas de champagne

Sonhos... Ah! Os sonhos!
Esses doces devaneios,
preguiçosos veraneios
de ilusões, olhos tristonhos.

Um idealismo utópico,
dúvidas impossíveis;
um pensamento ilógico
com resultados incríveis!!!

Sonhos? Hoje teleguiados,
seguem a moda, a tendência;
pra satisfazer os mercados
e sem nenhuma inocência.

Que realismo mágico?
Que nada, que nada.
O desfecho tem que ser trágico;
e a notícia? Ilustrada.

Sonhos... Alguém ainda sonha?
Acho que é só pesadelo.
Depende da marca da fronha,
depende do balde de gelo...

[Adhemar - São Paulo, 08/06/2010]

terça-feira, 15 de novembro de 2011

CÃO-GUARDA

Por onde fores estarei atento
te precedendo ou te seguindo
adivinhando ou intuindo
cada teu movimento.

Onde pousares serei o entorno
te hospedando ou protegendo
aclamando ou elegendo
teu sossego sem transtorno.

Ao teu trabalho diligente
serei os meios, o equipamento,
o seu tempo, o seu momento
e teu manual permanente.

Quando dormires serei teu sonho
te acalentando ou cobrindo
te beijando ou sorrindo
do teu rosto sereno e risonho.

Quando acordares serei o dia
resplandecente e luminoso
te recebendo glorioso
para teu bem e alegria.

Por onde fores, por onde eu for
te idolatrando ou adorando
te divertindo ou consolando
será uma vigília de amor.

P/SM
[Adhemar - São Paulo, 13/07/2008]

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Resgate tardio

Folheando rascunhos, anotações esparsas,
quantas palavras cabem numa linha?
Quantos desenhos e rabiscos são comparsas?

Espaço em branco esperando
ou compondo o entorno das ideias errantes
nesse espaço desimportante abandonando...

Alguns versos, algumas frases, muitos traços.
Registros aleatórios dos pensamentos dispersos.
Toda uma obra nesse amontoado de esboços.

Pouca coisa faz sentido,
poucas causam alvoroço;
e muito imemorável assumido...

Comprometimento com a arte ou co'a verdade?
Nada disso. Apenas o aleatório escapulido
e sem compromisso, sem vaidade.

Na inútil salvação desse registro
vem poemas, vão projetos...
É melhor então parar com isso...

[Adhemar - São Paulo, 26/09/2010]

Sequestro

É com certa estranheza que percebo o Google avisando de mansinho que vai acabar com os blogs... Espero não ter entendido direito. Quem sobreviver verá...

Adhemar, 14/11/2011.

domingo, 13 de novembro de 2011

EXISTÊNCIA

Ser poeta é pensar poeticamente em tudo que se vê.
Ouvir o barulho dos pratos estilhaçando
e o tilintar dos talheres
caindo no chão e se espalhando.

Ser poeta é ocupar o pensamento
com todos os apelos visuais e sonoros
para transformá-los em versos
impressos a sangue, suor e outros fluidos.
É dizer o que se espera quebrando o esquema,
mudando o desenlace e improvisando o desfecho.
É fingir tão completamente que, como dizia Pessoa,
"chega a fingir que é dor a dor que deveras sente".
É ser tão verdadeiro nas mentiras
que a própria verdade se envergonhe de sua nudez e crueza.
É expor-se tão inacreditavelmente
que ninguém se atreva a invadir a sua publicidade.
É não fazer marketing, nem propaganda,
mas espalhar-se como o amor, boca a boca.
É ser, mais do que estar; é partir mais do que ficar;
é sentir, mais do que existir.

Ser poeta é complicar o resumo da história,
tirar da pedra a sua essência
e gritar na praia, mais alto do que o mar.
É ter areia nos olhos e, mesmo assim, enxergar;
abrir os braços ao vento como se fosse voar.
É voar em pensamento e, ao cair, se estatelar.
Ser viajante no universo,
mas tripulante ao invés de passageiro.
É eternizar cada instante, seja falso ou verdadeiro.
É deflagrar revoluções, andar pra trás pra avançar.
É pegar uma cadeira e se sentar;
é ter tudo diante de si, sobre a mesa, em frente a um papel branco.
É ficar tonto ante as palavras revoluteando em sua mente e desmaiar,
inédito de espanto.

[Adhemar - S. Paulo, 28/11/2004]

Ser poeta...

Escrito para fechar um pequeno opúsculo de lavra própria, chamado "Extemporal", dado de presente a amigos e parentes no Natal de 2004. Continha uma pequena seleção de textos e poesias escolhidos meio aleatoriamente, como a sequência de escritos que preenche este "blog".

Adhemar, 21/05/2008.

sábado, 12 de novembro de 2011

Todos os dias e hoje

Me levanto todos os dias repetindo o mesmo ritual: agradeço a Deus o privilégio e a benção de estar mais um dia neste mundo. Poder ver o sol ou a chuva, sentir calor ou frio... Fazer minha pequena parte para contribuir com alguma coisa aqui, mesmo que ninguém perceba, mesmo que ninguém retribua. Tenho aprendido a reconhecer as recompensas desde o menor sorriso que por acaso alguém me dirija, até a maior ofensa que alguém me faça; injusta ou não, agradeço a oportunidade de aprender. Descubro que não há, de fato, nenhum inimigo por aí. A gente é que rotula aqueles que pensam diferente da gente, ou pensam (e agem) como a gente não gosta; esquecemos que é problema deles, mas quando me lembro, me perdôo por ser tão intransigente e deixo pra lá. Claro que o orgulho conta... Mas não pode nos dominar até nos deixar infelizes por causa daqueles que a gente acha que querem nos prejudicar.

Tenho aprendido que a gente não consegue tudo o que quer, que Deus aparentemente nos "tira" coisas ou pessoas; na verdade, Ele apenas está ensinando algo pra nós e aos outros, se o tempo da coisa ou pessoa acabou, ela sai de nossa vida e pronto. Tenho aprendido a chorar essas perdas sem que elas doam tanto, afinal Ele sabe o que faz. Como pode ver, tenho aprendido a seguir meu caminho tentando entender - e respeitar - a divina justiça, tentando merecer cada abençoado novo dia de vida e aperfeiçoar o que sou, por pouco que possa parecer.

Ao final dessa oração diária, feita logo ao acordar, invoco outro "mantra" que tem me ajudado a atravessar até os dias mais difíceis: "hoje, nada vai me aborrecer". E sigo esse firme propósito até ir dormir outra vez.

Grande abraço,

Adh

Carta p/ Gaby em
http://gabysp.wordpress.com/2010/01/11/desistir-jamais/#comments

[Adhemar – São Paulo, 14/01/2010]

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

OI

Bom dia, bons dias
apesar da chuva fria.

Boa tarde, boas tardes
apesar do sol que arde.

Boa noite, boas noites
apesar do vento, o açoite...

Releve esta introdução,
excêntrica ou pedante
que não tem a intenção
de parar ou ir adiante.

Observe que apresentamos
os problemas com tudo junto
para que tempo não percamos
indo direto ao assunto.

Respeitosamente pedimos
com muita consideração
que leve em conta que abrimos
o nosso coração.

Em versos idos e vindos
pela porta que adentramos
trazendo os momentos lindos
que passamos.

Se mudam tamanhos, a métrica,
se muda o assunto, disperso,
ligamos a corrente elétrica
que volta a organizar o verso.

Por que é que aqui viemos?
Para lhe dar o prazer
de estar onde estivermos
e nos dar a conhecer.

Analise o documentos, o currículo;
mesmo criterioso e exigente,
um folhetim em fascículo
é a história da gente.

E o aqui ora presente,
depois de tanta prosápia,
sutilmente pressente
que será corrido a tapa.

Espero, até constrangido,
não ter estes versos ao vento;
e que tendo se divertido
não tenhas perdido tempo...

[Adhemar - São Paulo, 11/11/2004]

Ui

Este troço só está aqui por que foi escrito num 11/11. Não gosto deste texto, não sei porque o escrevi, não sei porque não tentei melhorá-lo. Desculpem.

Adhemar - temperamental! Em 11/11/2011.



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

PASSATEMPO

A mensagem subentendida nos surpreende
semi-oculta na paisagem e na atitude.
A atitude, conforme nos transforma em gente,
mais manifesta sua própria plenitude.

Através do espaço a mensagem se espalha
atingindo plena um enorme contingente;
pena que a maioria receptora se atrapalha
e nem a entende, infelizmente.

Porém, um potencial adormecido
em cada destinatário humano
pode processá-la e dar sentido
não deixando margem a engano.

Esse potencial é muito poderoso
e começa por filtrá-la na razão.
Interpretada faz o homem corajoso
pois termina por chegar ao coração.

Entendida a mensagem a gente cresce
e, unidos num propósito, damos as mãos.
Vamos fazer o mundo melhor do que parece
pois estaremos todos juntos, como irmãos.

[Adhemar - Santo André, 04/09/2006]

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Outros rumos

Freqüentemente eu me pergunto em que ponto é que a gente perde as rédeas do próprio destino. Qual é esse momento mágico - ou trágico - quando a gente começa a agir no embalo, através de impulsos forçados pelas circunstâncias. Quando é que começa a reflexão sobre nossos "deveres" e isso acaba justificando pra nós mesmos as nossas decisões; e quase todas contrárias ou em desacordo com as nossas mais profundas convicções.
Será ao final da infância? Será que é por isso que os adolescentes são tão rebeldes? Por que percebem a camisa-de-força que a família em particular e a sociedade em geral quer enfiar neles? Alguém consegue viver plenamente a seu modo no mundo de hoje? E antigamente? Alguém conseguia?
Digo isso porque estou assistindo a dois filmes distintos: os meus filhos tentando assimilar seus papéis sem saber que são papéis falsos - ou forçados - e querendo mergulhar nesse redemoinho devorador de personalidades e modelador de autômatos; e a minha própria história em que a maioria das ações empreendidas, mesmo as melhores, não passaram de uma fantasia, uma máscara ou um cenário estudado e justificado para parecer independente e original. De tudo o que sonhei fazer na adolescência, ou seja, de minhas aspirações mais autênticas, só realizei a família. Pode não ser pouco; mas todo o resto foi - e tem sido - uma categórica encenação perante a "comunidade". Mal consigo viver do que sei fazer, não chego a ser de fato escritor - como profissão - não sou professor e ainda por cima estrago o arquiteto (aspiração que considero legítima, mas que surgiu num improviso) administrando a mesquinha miudeza de um dia-a-dia inexpressivo, por vezes chato, direcionado a trocar uma suposta competência por uns poucos dinheiros. E me desespero porque não quero este tipo de angústia pros meus filhos, quando chegarem à idade em que estou, fazendo este tipo de questionamento para se conformar com a vida que levaram, criando justificativas do tipo "jogo do contente" e formatarem seu futuro nessa mesma base porque será muito tarde ou muito difícil e radical mudar de postura; e assimilarem a consciência de que assim será enquanto durarem neste mundo. Ou pior, se carregarem de culpa porque comem enquanto há tantos famintos.
Não quero parecer ingrato porque, apesar de tudo, a vida – Deus – foi muito generosa comigo. Apesar de estar reclamando eu tive, sempre, muita sorte. E isso me deixa preocupado pois – pelos privilégios e pela trajetória sem sobressaltos até agora – me sinto em dívida com o mundo. Devia realizar algo além das "obrigações" porque alguém tão abençoado não pode passar pela vida sem algo mais. Tudo bem que estão aí três seres humanos extraordinários para nos suceder; mas a vida, neste momento, me cobra mais. Porque posso mais. Mas como, se me sinto refém da própria história criada por mim para esse obscuro protagonista que sou eu?!
[Adhemar - Santo André, 19/09/2008]

domingo, 6 de novembro de 2011

ZERO-Z

Contrariando as expectativas,
desafiando a lógica,
nadando contra a corrente.
Andando na contramão,
se rebelando.

Liderando o motim,
vivendo na contravenção.
Clandestino, marginal,
se divertindo no caos.
Invertendo valores,
combatendo a velha moral;
derrapando na ética,
desenquadrando,
desestabelecendo.

Ironizando a seriedade,
desestabilizando geral.
Pegando estradas erradas,
atalhando fora da principal.
Vivendo por sortilégio,
planejando só o acaso.
Voltando ao começo no fim,
zerando a contagem,
bebendo à coragem,
escrevendo bobagem...

[Adhemar - São Paulo, 08/01/2010]

terça-feira, 1 de novembro de 2011

APUROS

Aí, começou outra vez. Resmungos, suspiros, reclamos. Poucas idéias, pouca ação... Olhar perdido pro nada. Cabeça oca. Resmungos, suspiros, reclamos. A monótona repetição. E o nada cruzando o nada, numa leve depressão. Que, em todo caso, é uma boa desculpa. Um surfista se afogando numa onda de chavões. Resmungos, suspiros, reclamos. Uma emboscada da mente. Um sequestro: qual o resgate pra inteligência embotada? Avisar a polícia? Não.

Silêncio. Luz. Olhar perdido pro nada. Indefinida sensação. O amor, o orgulho, a paixão. Tudo em segundo plano, numa média depressão. O quê? Isto é outra piada?! Não. É a comida fora do ponto, é nenhum lugar pra apoiar as mãos.

A inteligência sequestrada vai sucumbir no cativeiro. A dor de cabeça não. O espaço se expandindo? Cabe mais nada, portanto. O nada cruzando o nada, cabeça oca, inteligência sequestrada... Profunda depressão. É uma ótima desculpa, talvez mais que isso, excelente! E a mente chama o elefante, pequeno diante do nada, diante da pouca ação. O surfista se levantando, os chavões o derrubando. Resmungos, suspiros, reclamos. Dores particulares. A monótona repetição... E o elefante se lembrando!

[Adhemar - São Paulo, 01/11/2011]

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

QUASE 2

Eu tento responder tantas perguntas
que chegam juntas, exigentes.
Tento dar conta de presentes,
coisas legítimas, fajutas...

Eu tento erigir os meus castelos,
muito belos, com mais que nuvens...
Tento dar conta de outros bens,
tão complicados e singelos...

Eu tento ver além das paisagens,
qual miragens num deserto sem fim.
Tento abraçar transmitindo parabéns,
ou coisa assim...

Eu tento erguer a voz a longo alcance,
não que me canse, mas grito “à vista!”.
Mas tento me fazer ouvir, ouvinte,
tão atrevido e tão artista.

Eu tento entregar uma complexa mensagem
em viagem comprida, é necessário.
Tento educadamente um “passe bem”
sendo um malcriado arbitrário.

Eu tento compreender e ir vivendo
mesmo sabendo que um dia vou morrer...

[Adhemar - São Paulo, 28/02/2011]

Quase quase

A poesia “Quase”, parodiando o “soneto da fidelidade”, de Vinícius, foi postada em 12/04/2008, como brincadeira, em Arq&Poe: Lit1 (blog original); qualquer hora o reapresento por aqui. Em assim sendo, este fica “Quase 2”.

Adhemar, 31/10/2011.

DISCURSO ENSAIADO

Pra dizer adeus eu treinei todos os dias,
imaginando cenários fictícios.
Pra dizer adeus eu sufoquei tantas alegrias
e demoli uma porção de edifícios.

Pra dizer adeus endureci o meu pescoço.
Segui em frente sem olhar pra trás.
Aos filés preferi roer o osso
e sequei lágrimas pra chorar não ser capaz.

Pra dizer adeus abandonei muitos ideais.
Endureci a alma, enganei até a razão.
Inventei mentiras muitas vezes reais,
multiplicadas feito poeira pelo chão.

Pra dizer adeus, calei um olá.
Sufoquei um oi, um como vai.
Pra dizer adeus deixei de falar,
deixei de pensar e já não sonho mais.

[Adhemar - São Paulo, 28/02/2011]

domingo, 30 de outubro de 2011

Velho baú

Remexendo uns guardados me encontrei quase vinte anos atrás. Entre surpreso e divertido, reencontrei a mesma besta sentimentalóide e idealista que ainda mora em meu íntimo. Evidentemente no interior, não na capital.

Brilharam meus olhos ante a fina poeira levantada. Nenhum conceito esquecido, não evoluí nada. Na força crescente que existia nesse trecho de passado, a incapacidade absoluta de chutar, pisar ou cotovelar desafetos. A mesma honestidade irritante, a transparência angustiante e a fé inacabável.

Cartas de um aspirante, cartas de um enamorado, uma tese de graduação descrita como ecos de uma defecação... isto em meus próprios comentários de então. Outros registros acompanham o museu, cantinho da saudade de um tempo menos enfadonho, mais leve e inconseqüente, apesar do rigor ético e da seriedade angular.

Na fina poeira esvoaçante, alguns pensamentos que foram contrariados ao longo desse longo momento que nos separa: projetos no computador, projetos de apartamentos, cooperativa de arquitetos; patetices ideológicas que o cético – nascido bem depois – se encarregou de matar.

No reflexo dos grãos mais brilhantes do pó onde retornei, pequenas sementes do que virou ideal depois. Tais como família, obras, posições profissionais, posições políticas. Tudo parte da massa que moldou a figura de hoje. Mas como diz meu amigo, só autocrítica sincera não arruma nada. Um pedido de desculpas não cessa a conseqüência do erro. Então, sigo as novas tendências em busca de um patrocínio para minha biblioteca.

[Adhemar - São Paulo, 10/11/2000]

Era só "Baú"

Mas veio outro "BAÚ" depois, em versos, este ganhou o "Velho" por precedência... Este texto (ainda com o título original) faz parte de um opúsculo denominado "Extemporal", que foi distribuído em família no Natal de 2004.

Adhemar, 30/10/2011.


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

COMPORTAMENTO ARTIFICIAL

Sapato social, terno e gravata,
uma elegância desconfortável
com seus ares de bravata;
longe do ideal mas aceitável.

Pose, uísque e coisa e tal;
falar bobagens com elegância,
manter a mística normal
de falsidade e arrogância.

Mais uísque, desinibição geral,
desconhecidos viram velhos amigos.
Mulheres descalças, risos do pessoal,
assuntos variados, casos antigos.

Festa clichê, comportamento previsível.
Gente que não entende o que a vida ensina.
Riso fácil, predeterminado como se incrível,
até que enfim, caírem todos na piscina...

[Adhemar - São Paulo, 16/10/2010]

domingo, 23 de outubro de 2011

Contato!


(Arquitetura e Poesia: Literatório - 08/06/2008)

- Alô, base, câmbio.

- …
- Alô, base, responda.
- …
- Alô, base!
- …
- Alô, base, responda!!!
- …
- Alô, base, se alguém estiver na escuta, responda.
- …
- Alô, base, vocês estão me gozando?
- …
- Alô, base, Q.O.S. 225, vão se catar, vou me virar sozinho!
- …
- Alô base, Q.O.S. 225 encerrando o contato.
- …
- Pô, base, qual é…
- …
- …
- …
- Oi, base, vou apelar: VÊ SE ALGUÉM ACORDA AÍ!!!
- …
- Putz, nem gritando?! Base, o negócio é o seguinte: se o rádio de vocês estiver quebrado, vocês perderam o sentido para nós cá fora; se estiverem nos ignorando, merecem um belo susto; se estiverem todos mortos, vão ser enterrados! Se for só gozação, se lascaram!!! Porque eu vou descer de qualquer jeito, e mais, vou entrar pela janela dessa m…, ok?
- …
- Lá vamos nós!
- …
- …
- …
- Viram?! Dessa vez foi só um rasante de advertência… Ô BASE, RESPONDA!
- …
- PQP! QBP! QF! MBP!!!
- …
- Ó, pessoal, agora é pra valer. Acabou o combustível desta joça. Vou descer e, se precisar, vou usar a torre aí como freio, entendido? Câmbio.
- …
- Ba-a-se (snif), se estive-e-rem me o-ouvindo (snif), mi-i-nha coleção de figurinhas fi-i-ca pro filho do Larry; a-alguém avi-i-se (snif) mamãe que e-eu não vou jantar em casa (snif). Câmbio e desligo.
- …
- … … …
- Alô, Bob! Base chamando.
- …
- Q.O.S. 225, na escuta?
- …
- Bob! Bob! O que você está fazendo?! Vira esse troço pra lá!!! Você acaba acertando a gente!!!
- …
- Bob!!! Faz tempo que você tá chegando?! Santa mãe, ONDE É QUE VOCÊ PENSA QUE VAI…
- …
CRASH!!! CATAPLAM! CRAC! BUM! BILT! POW! FLAGSH! TILILI! SKREKT! TRASH! TROW! TÓIM! PLAFT! PLIC! UOUOUOU! SBREGH! CREC! GOGH! RASG! BAT! ENTORT! PEST! TAG! STRIKE!!!
- …
- …
- Ô-ô-oi, B-Bob!
- A-a-ai, L-Lar-ry…
- O que foi que você fez…?
- Onde é que você estava?
- Ora, eu fui fazer um xixi…
- Ah, é?! Então eu fiz este cocô…

[Adh2bs - S. Paulo, junho/2004]

"Contchato"
Escrevi esta coisa já com mais de quarenta anos, não tinha seis, nem sete, nem oito! Digo isto sem querer subestimar a capacidade intelectual das crianças, pelo amor de Deus!!!

Adhemar, 08/06/2008.

sábado, 22 de outubro de 2011

BATE PRONTO

(Arquitetura e poesia: literatório - 26/04/2008)

Um Atrevimento: pensar que a gente faz a própria cabeça sozinho.

Uma Busca: o motivo de estar aqui, no "planetinha azul".

Uma Coordenada: quando descobrir o que estou buscando, inventar outra coisa!

Uma Dor: o mundo conter tantos males e não saber que fim isso vai ter.

Uma Experiência: tentar ser professor...

Uma Frustração: o que é a felicidade?!

Um Gosto: tipo um capricho? Ser escritor, ora!

Um Homem: podendo apontar só um, então é o meu pai.

Uma Idéia: a implantação da anarquia, no sentido grego da palavra; "sem governo". Acho que todo mundo deveria saber se comportar, fazer a obrigação sem precisar ser fiscalizado. Exagerei? Acho que deveria ter dito isto em "uma Utopia"...

Um Julgamento: ninguém, absolutamente ninguém está no "planetinha azul" a passeio.

Uma Lógica: Deus existe e manifesta continuamente a sua existência. A infelicidade e os horrores perpetrados pelos seres humanos passam por ignorar (ou por não interpretar) os sinais; por exemplo, Jesus foi o maior, o mais claro e o mais óbvio desses sinais.

Uma Mulher: neste item, sem fazer média com a mãe, com a esposa, irmã, primas ou tias; Maria, a mãe de Jesus. É fora de série.

Uma Necessidade: a de ter a família por perto, amigos... A solidão pode até ser legal de vez em quando, mas é assustadora quando você se dá conta.

Uma Opinião: acredito na continuidade da vida após este pedaço que estamos vivendo aqui; em outras palavras, nossa alma é imortal.

Uma Provação: ter que enfrentar, encarar ou frequentar órgãos públicos. Qualquer um, por qualquer motivo.

Uma Questão: pra quê tantas regras? A gente já está aqui mesmo, por quê complicar com normas de comportamento, leis, pecados, tabelas de infrações, nãos, nãos e não?!

Uma Resposta: nada é impossível, só que milagre demora um pouco mais.

Um Sonho: ver cada ser humano funcionando perfeitamente como uma pequena mas precisa engrenagem neste fabuloso mecanismo chamado mundo, ninguém infeliz (xiii, outra utopia aí...).

Uma Tradição: achar que ninguém é culpado até que se prove o contrário.

Um Ultimato: farei o que for preciso para ver os meus três filhos encaminhados. Entenda-se 'encaminhados' por 'andando pelas próprias pernas', trilhando seus próprios caminhos sem depender de ninguém, inclusive deste fã número 1 deles.

Uma Viagem: aquela que vai me levar para outros desafios depois de cumprir as tarefas desta etapa (no "planetinha azul"), se Deus achar que mereço... Ainda estou na fase de ter mais curiosidade do que medo em matéria deste assunto.

Um Xamã: minha mãe...

Uma Zebra: no sentido "lotérico" da palavra? Descobrir que não é nada disso, a vida era só pra se divertir, comer, beber, brincar, dormir...

[Adhemar - Santo André, 25/04/2008]

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Hiato

Quem quis seguir só já chamou.

O sol acompanha,
o céu observa,
a nuvem espera;
a água reflete,
refresca e segue.

Quem não quis seguir só já passou.
De tão longe voltar não voltou.

O silêncio pede silêncio,
eloquente pedido o seu.

Quem queria ouvir vai nos olhos,
quem quiser chorar diga adeus.

[Adhemar - Cuiabá, 21/07/1987]

domingo, 16 de outubro de 2011

GUARDA-CHUVA

Aonde o amor se desdobra,
onde se esconde?
Aonde o amor se importa
e suspira e abre a porta?

Aonde o amor se desespera
e se joga de qual ponte?
Aonde encontra amparo
ou consolo ou fonte...?

Aonde o amor é diferente,
aonde encontra o horizonte?
Aonde chega de repente
e se inspira e finge forte?

Aonde o amor se fantasia...?
Aonde ele rasga a roupa
e manifesta rebeldia?
Aonde o amor desfalece...?

Quando o amor merece
uma aposta ou confiança?
Aonde ele comparece
feito um fantasma da lembrança?

Aonde se prevalece
de ainda ser criança?
E quando o amor perece,
quem chora sua esperança?

Aonde o amor se abriga
das guerras e dos conflitos?
E quanto o amor intriga
os seus discípulos aflitos?

Aonde o amor se esconde
quando chove...?

[Adhemar - São Paulo, 21/02/2011]

sábado, 15 de outubro de 2011

Cantoria

Quase uma euforia.
Uma ansiedade tranquila,
uma expectativa meio fria.
Desejos e receios se misturam,
saudades e pressa na alegria.
Alguma dúvida?
Muita fé.

Pausa para um chocolate,
palmas pr'uma alquimia.
Agradecimento constante por tudo,
por mais que tudo
e tudo até.
Vim contente e vou feliz...!

[Adhemar - Aeroporto Charles de Gaulle - FR, 22/04/2011]

Vista externa do aeroporto CDG-FR (foto: Adh2bs)




Vista interna CDG-FR (foto: Adh2bs)


Vista interna CDG-FR (foto: Adh2bs)