Pesquisar este blog

domingo, 30 de janeiro de 2011

RENOVAÇÃO



Acordei com o mesmo pensamento que ao adormecer.
É bonito e bom.
Ainda fico imaginando essa distância que quero vencer,
sem que seja intempestivo.

Tudo parece fluir
e a distância ajuda a imaginação
a se superar.
A madrugada me acompanha em pensamentos,
os versos voam.

Ainda lembro e não me esqucerei
da emoção que te causaram outros versos.
todos de ida e volta,
sem precisar de perdão.

O acaso toma providências
para dar mais graça ao destino.
Dúvidas, poesias e saudades
são as coisas que um homem dispõe
para enfrentar sua vida.

Amanhã, uma nova vida, decerto.
Mas, um novo homem?
Talvez.

Cada vez mais acredito nas mãos e nas palavras
(que devem ser ditas mais do que escritas)
confiando no discernimento de Deus
no conduzir às suas criaturas.

Confio no dia de hoje,
no de amanhã e no depois,
no sentido de talhar a pessoa humana que desejo ser;
qualquer outro estado é transitório.

Te conhecer acrescentou novas surpresas
no caminho do meu rumo...

P/ BSF
[Adhemar - São Paulo, 02/08/1987]

Recordação

Escrito para alguém importante que, ao recusar o amor do poeta, o colocava realmente num caminho novo; que, afinal das contas, era o caminho certo!

Adhemar, 30/01/2011.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Horizonte

"Vai, meu irmão,
pega esse avião..." (*)
se você for capaz de carregá-lo.
Pegue suas malas,
avie seus pertences,
vá - e siga em frente -
nesse passeio de regalo.

Vai, meu irmão,
siga o seu roteiro,
doe-se inteiro
a esse mergulho na solidão;
na solidão do viajante,
viandante caminheiro.

Abale-se pois, na estrada,
debruce na amurada,
estenda a vista sobre a paisagem.
Anote cada passagem
mas preste muita atenção:
fotografe no coração...

[Adhemar - Montevideo, 06/01/2011]

(*) Primeiros versos do Samba de Orly (Chico Buarque/Toquinho/Vinicius)
Ciudad Vieja, Montevideo (foto: SM)


















Ciudad Vieja, Montevideo (foto: SM)


















Banco de la Republica del Uruguay, Montevideo (foto: SM)

domingo, 23 de janeiro de 2011

MONTEVIDEO

Paro um instante à janela; contemplo o Rio da Prata. A vista se perde longe, o Prata largo como o mar. Seu estuário é tranquilamente majestoso. Penso nas voltas que o mundo dá. Penso nas razões que nos trouxeram pra cá. Imaginava encontrar "una vieja ciudad". Encontramos uma cidade rejuvenescida, desde o Aeroporto Carrasco (reformado há um ano, modernizado - lindo) e pela margem do rio uma Montevideo moderna, de prédios, casas e pontes arrojadas, avenidas largas, arborizadas e bem iluminadas. Ao entrar na cidade nos afastando do rio é que encontramos a "ciudad vieja" - que é como eles a chamam aqui - com seus prédios antigos, sua face européia mais evidente. Mas as pesoas são igualmente educadas e receptivas, bem humoradas; talvez ligeiramente aborrecidas com a invasão dos "bárbaros" em seus recantos e domínios mas certamente orgulhosos e solícitos em vista de tanta gente querer conhecê-los.

Peço mil perdões pela invasão. Mas preciso dizer que sinto um enorme afeto por este recanto do mundo, encantador e civilizado, chamado Montevideo.

Um forte abraço, Uruguay.

[Adhemar - Montevideo, 06/01/2011]

Montevideo, República Oriental do Uruguay

Em respeito a esta admirável cidade e ao país, preferi manter as grafias originais dos seus nomes, como os escrevem aqui.

Adhemar - Montevideo, 06/01/2011.


Vista do Prata, Montevideo (foto: SM)




















Terraço à margem do Prata, Montevideo (foto: SM)



















Rambla Costanera, Montevideo (foto: SM)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Maturidade 16



Olhar por cima,
olhar de cima.
E ver mais longe.

Olhar de perto,
ver mais detalhes.
Apreender detalhes
ainda que ocultos.

Pensar pra frente,
evitar discursos.

Não admitir intrusos
na própria mente
e, propriamente,
juntar recursos.

Usar o intelecto atento
pra estar na frente,
pra estar adiante.

Liderar o grupo,
ainda que sutilmente.
Fotografar, tocar guitarra,
ser popular com sua gente.

Saber sorrir,
dosar as forças
mesmo que todo músculos.

Caráter inflexível,
princípios estabelecidos;
e metas ou limites
para viver grandiosamente.

Assim é hoje,
aos dezesseis anos
- e tomara sempre -
Marco Luiz.

P/ ML, a pedido de VS
[Adhemar - São Paulo, 20/01/2011]

Maturidade quase 11

Terminei o dia de ontem recebendo um repto do caçula, Vítor: "vai postar uma poesia pro Marco amanhã?" Surpreendido, a princípio disse que não, não tinha nada pronto na hora. Mas os rapazes daqui fazem por onde merecer umas impressões do pai, ainda que de encomenda...

Parabéns, Marco Luiz!

Adhemar, 20/01/2011.

domingo, 16 de janeiro de 2011

PASSOS PRA FORA

Viajar outra vez.
Carregar as dores físicas para conhecer outros lugares.
Mas carregar muita alegria também,
na forma de companheiros de viagem;
de forma a procurar detalhes no mundo
e os registrar.
Registros para sempre,
na memória e na alma,
em outro lugar.

Viajar outra vez.
Muito bem acompanhado,
no meio da minha turma!

[Adhemar - Guarulhos, 05/01/2011]


















Marco, Vítor, Stella e Adh3 (Foto: Adh2)

De braços dados!

Pô, gente. Viajar com a patotinha, desde 2007 a gente não saía junto. Não assim pra mais longe, com eles crescidos, curtindo tudo com time completo... Foi massa, pra usar uma gíria dos anos 90. Sei lá, sou assim tipo século passado... Mas valeu a pena, vamos colocar aqui, esporadicamente, fatos e fotos dessa aventurazinha aqui pela América do Sul.

Feliz 2011 de novo!

Adhemar, 16/01/2011.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Avisos



"Cuidado com o degrau". E um dia alguém precisou me explicar que as portas marcadas com "EXIT" são para as pessoas que não têm nenhuma dúvida; nada a ver com "hesite", além de revelar a existência de um lado de fora para o ambiente onde está a tal porta.

O grande "E" vermelho pintado no chão das colunas dos estacionamentos não é pra indicar as coordenadas de onde está o carro. Achava burra aquela marcação por igual, algumas colunas de todos os setores identificados com esse grande "E" amarelo no meio de um quadrado vermelho, até esbarrar no extintor de incêndio e ver que havia outras letras e números com destaque menor pra localizar as vagas!

"Cão Bravo"... Heróico totó? Quem me dera. "Cerca Elétrica" não abre automaticamente, o que de certa forma é... Chocante.

"Vende-se". Não é um convite para fechar os olhos com pano; mas é bem o contrário, convoca-nos para abri-los mais e apreciar o objeto onde está afixado.

"Retorno" é uma cidade aonde não se chega nunca mas aonde se pode ir por todas as estradas; e custei a compreender que não existia nenhuma empreiteira estatal para consertá-las, só por que nos trechos em manutenção estava a placa "Em Obras" (EMOBRÁS?!).

Enfim, cuidado com o degrau...

[Adhemar - São Paulo, 26/09/2010]

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

PAUSA

Em meio ao tumulto,
um instante de paz.
Em meio ao torvelinho,
um segundo de contemplação.
Em meio ao desequilíbrio,
uma simetria fugaz.

Em volta dos livros,
uma estante de porte!
Em meio ao saber,
um suspeito de ignorância.
Em meio a tanta cultura,
uma fraqueza forte.

Em meio a desdita,
um momento de azar.
Em meio a tristeza,
uma alegria voraz.
Em meio ao destino,
uma mulher para amar!

P/ SM
[Adhemar - Santo André, 15/06/2007]

Uma viagem pra fazer

Em meio ao início (?) do novo ano, malas & filhos pra carregar e pé na estrada, metaforicamente falando, é claro. Estaremos fora até a semana que vem, abraço a todos, até a volta!

Adhemar, 05/01/2011.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Desilusórias

Ah! Horas tolas isolando a história;
ações cretinas
desonrando a memória
de bobagens repentinas!

Bobagens... Repetidas...
Tolices e fuligem
encobrindo sete vidas
de pesadelo e vertigem.

O tempo desempregado,
arraigado a futilidades,
esnobismo exacerbado
e malvadezas disfarçadas de bondades.

Ah! Horas insanas e mortais,
assassinando filosofias renascidas,
envenenando-as com poções fatais
em tramas muito mal resolvidas...

Idiotices e disparates normais
ante uma vida feita de momentos,
dedicada aos fatos mais banais
e aos tormentos.

Alma desregrada,
nunca aflita...
Face mascarada
e a fé desacredita...

Ah! Horas largadas e boçais,
vida dedicada ao inútil
e ao fastio de não querer mais
o impalpável, inconsútil...

Ah! Horas entregues e finais...
De um saber só de besteira
e baboseiras imorais
preenchendo de mancadas uma existência inteira...

[Adhemar - São Paulo, 21/01/2010]

domingo, 2 de janeiro de 2011

LÁ PRAS DEZ

Balança o pelo o cão,
são as pulgas,
são as dúvidas,
ossos enterrados no chão.

Sacodem as mãos os acenos,
saltam risos,
choro aos guizos,
em adeuses obscenos.

Chacoalham os galhos faceiros,
livram folhas,
estouram bolhas,
explodem frutos inteiros.

Agitam-se aperitivos,
misturas bizarras e frias
de umas tristes alegrias
com calmantes lenitivos.

E tremulam as bandeiras
nos seus mastros de aço,
nas gravatas de laço,
aos pedaços e inteiras.

São as dúvidas, os adeuses,
bolhas frias e bizarras
onde tremulam algazarras
incontáveis por vezes...

Faltam risos,
folhas livres,
movimentos incríveis
de pensamentos imprecisos...

[Adhemar - São Paulo, 29/04/2010]

sábado, 1 de janeiro de 2011

Cão-guarda

Por onde fores estarei atento
te precedendo ou te seguindo
advinhando ou intuindo
cada teu movimento.

Onde pousares serei o entorno
te hospedando ou protegendo
aclamando ou elegendo
teu sossego sem transtorno.

Ao teu trabalho diligente
serei os meios, o equipamento,
o seu tempo, o seu momento
e teu manual permanente.

Quando dormires serei teu sonho
te acalentando ou cobrindo
te beijando ou sorrindo
do teu rosto sereno e risonho.

Quando acordares serei o dia
resplandescente e luminoso
te recebendo glorioso
para teu bem e alegria.

Por onde fores, por onde eu for
te idolatrando ou adorando
te divertindo ou consolando
será uma vigília de amor.

P/SM
[Adhemar - São Paulo, 13/07/2008]