domingo, 27 de março de 2011

Clarão

Uma reflexão atravessa repentinamente.
Corta o crânio como faísca ou relâmpago.
Acende e apaga como um "flash" instantâneo,
insinua uma idéia, incidentalmente.

Inicialmente um espanto, uma surpresa.
A seguir, um detonado pensamento.
Mais pra frente, a consolidação de uma certeza,
a prática que à teoria desmente.

Pelas mãos, forma-se a forma e a substância
que os olhos tão bem enxergam, mesmo à distância.
a imagem embaçada aparece,
o mecanismo funcionou, não envelhece.

Tanta gente daria a vida por essa luz intensa;
Tanta gente daria as mãos pela conquista.
Mas só o gênio do lampejo faz a festa
e separa o joio do que realmente interessa.

Olhar atento, as mãos firmes, pensamento.
A vaguidão habitual invade o templo;
o antes crânio iluminado é caverna,
voltam as trevas, vão-se os sonhos e as quimeras...

[Adhemar - Santo André, 01/06/2007]

"Claracas"...

Coincidência desencavar pra hoje o texto "clarão", seguindo "clareza clarividente"... Considerando-se que o critério de escolha sempre foi "quase" aleatório, isto é, raramente há uma razão específica para escolha do escrito, o parentesco dos títulos não deixa de ser interessante...

Adhemar, 27/03/2011.

2 comentários:

finityster disse...

Sem palavras, Adhemar!
Estávamos sentindo sua falta e a beleza das suas poesias.
Abraços e muito obrigada pelas suas visitas lá no blog.
Adir

Adh2bs disse...

Do Arq&Poe; Lit.1:

Comentário por Selma Barcellos — quinta-feira, 31 de março de 2011 (12:20:28)
Poeta querido, a sabedoria está em separar “o joio do que realmente interessa”. Como é difícil… Nossa precária condição humana…
Beijocas.

Comentário por josé cláudio - Cacá — sábado, 2 de abril de 2011 (04:56:58)
Pode até ser difícil separar o joio do trigo mas como disse o nosso saudoso João Nogueira, esse clarão “é uma luz que chega de repente, com a rapidez de uma estrela cadente e acende a mente e o coração.” Adorei, Adhemar. Meu abraço. Paz e bem.