Pesquisar este blog

sábado, 26 de março de 2011

CLAREZA CLARIVIDENTE

Do que dói por dentro,
o que corrói,
do que vai estampado na face;
na facílima postura do herói
que mora lá dentro,
com ternura, sem disfarce.

Na dor que dentro constrói,
essa dor fora de centro,
no movimento de fuga geral,
no desencontro em ondas, epicentro,
que foge do que destrói,
na miúda, na moral.

E do que não retorna
em forma de utopia,
do que vai estampado na face
um dia após outro dia
contando a dor que contorna
com ternura, sem disfarce.

Da escalada mais penosa
ou da praia ensolarada
essa dor fora de centro
é constante e magoada;
ambiguidade dolorosa
em passos de alma penada.

Do que dói por dentro,
só um sorriso por fora
disfarçando essa parada.

[Adhemar - São Paulo, 22/09/2010]

2 comentários:

Sonhadora disse...

Poeta

Profundo...quantas vezes num sorriso se enconde uma alma magoada...dorida, gostei muito e agradeço o seu comentário no RosaSolidão, volte sempre, será um prazer.

Deixo um beijinho
Sonhadora

Adh2bs disse...

Do outro blog:

Comment by josé cláudio - Cacá — Saturday, 26 de March de 2011 (19:41:28)
Essas cutucadas que ferem a alma só mesmo os poetas dão conta de descrevê-las de forma qe a gente ache razão (não em nós, mas nelas mesmas). Bonito demais, Adhemar!
Tem uns versos do Ednardo (o cantor) que de vez em quando são o meu hino:
“essa dor que eu sinto agora
é uma dor que não tem nome
que o meu peito devora
e come
e fere
e maltrata
sem matar.”
Abração. paz e bem.