Pesquisar este blog

segunda-feira, 7 de março de 2011

NADA-DOR

Num lugar que existe,
onde quem sabe a gente se encontre,
o navio pirata afundou.
Foi a pique, lindamente,
e o espectro-pirata,
a silhueta elegante
sumiu na vaga que engoliu seu pavilhão.
A meio-pau,
até o fim refletindo o sol poente,
um lugar fundo
onde não se alcança mais a nau.

A trajetória em busca da glória acaba ali.
Será possível nadar em torno ao mundo?
Pois então há um ponto negro
que emergiu do naufrágio,
lentamente se movendo pro oriente,
aprendendo do seu amigo mar
o consolo de estar só
e nadar na dor.
Veio do fundo aonde chegou
e onde deixou a herança do seu tempo errante.

Veio à tona pois o sol parou,
tornou-se um poente permanente;
que mais do fundo desse mar
ao pirata, ou ex-pirata, resgatou.

E saber-se só, nesse mundo infinito
e ter apenas na lembrança
aquela força abençoada;
será suficiente pra seguir em frente,
sempre em frente, mesmo à nado?!

Ver o vento com o olhar tão desolado...
Mas enfim, a liberdade espera aflita o teu abraço.
Vai pirata, com braçadas ou à passo,
algum dia há de estar no teu caminho
o mapa de um tesouro encantado
que tanto melhor se esconde
quanto mais procurado.
Tem por nome felicidade;
e se o mereceres,
te será revelado.


P/ BSF
[Adhemar - São Paulo, 31/10/1987]

Um comentário:

Adh2bs disse...

Do outro blog:

Comentário por josé cláudio - Cacá — terça-feira, 8 de março de 2011 (06:29:57)
O caminho de uma glória, difícil, penoso, de tirar o fôlego, ainda assim valerá a pena. Bela a homenagem/incentivo, Adhemar! Meu abraço. Paz e bem.

Comentário por Selma Barcellos — terça-feira, 15 de março de 2011 (12:54:50)
“… o mapa de um tesouro encantado
que tanto melhor se esconde
quanto mais procurado.
Tem por nome felicidade;
e se o mereceres,
te será revelado.”
Amei, poeta. Assim é.
Selminha