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domingo, 10 de abril de 2011

Velhas impressões

Olhar atentamente em volta - em qualquer lugar - para reforçar os próprios conceitos. Idéias arraigadas, princípios antigos a se confirmar por observações. Por exemplo, a passionalidade das paixões. Por exemplo, a repetição de comportamentos; diferentes culturas, mesmas atitudes... Homens e mulheres, pobres, remediados e ricos, executivos, tecnocratas, artistas; motoristas, garçons, profissionais liberais, ou ladrões... E, vagabundos de plantão.


Em qualquer lugar do mundo estarão sempre a confirmar nossas velhas impressões.


[Adhemar - Buenos Aires, 09/01/2011]



Museu de Arte Decorativa - entrada - Buenos Aires (foto: SM)










Museu de Arte Decorativa - (foto: SM)Arco-íris - Recoleta, Buenos Aires (foto: AB)




Impressões coloridas


Um dos maiores, mais belos e duradouros arco-íris que já vi na vida. Momento raro: visitamos o "Buenos Aires Art e Design", na saída nos deparamos com o belo espetáculo desse arco-íris incrível. Entramos no Centro Cultural Recoleta, logo ao lado e, ao sairmos, lá estava o imponente arco-íris nos aguardando. Sem cansar de contemplá-lo, entramos na Igreja Nossa Senhora del Pilar (todas essas edificações são contíguas); e não é que o show não havia acabado? Tiramos inúmeras fotos, sendo as primeiras mais de uma hora antes das últimas! Quando resolvemos ir embora, ele ainda estava esmaecendo no céu nublado de um final de tarde inesquecível. Talvez seja exagero tanto entusiasmo diante de um arco-íris; mas é uma manifestação tão bonita da natureza que não podia deixar de registrar quão marcante foi pra gente, em circusntâncias especiais que podem tê-lo feito parecer maior do que realmente foi...


Adhemar, 10 de abril, 2011

Ópera

Já perdi o rumo por distração.
Já tropecei na rua,
por um pedaço de mau caminho
e perdi a condução.

Já fiquei olhando o céu
e contando os passarinhos
enquanto o pessoal, desesperado,
fugia do fogaréu.

Já fui bombeiro, bom menino,
jogador e bacharel.
Até hoje ainda sonho
sorrindo devagarinho.

Já virei noites dançando,
já estendi o meu chapéu.
Já dei esmolas generosas
e vi o tempo passar voando.

Já abracei e fui andando,
olhando apenas pra frente;
me igualei pra ser diferente
e já fui, estou voltando...!

[Adhemar - São Paulo, 31/08/2010]

sexta-feira, 8 de abril de 2011

PRIMEIRO VERSO

Que atire o primeiro verso
aquele que não tiver amado;
de tão distante ou perto,
em rimas derramado
num choro perverso
de saudade e passado.

Que atire a primeira rima
o poeta desesperado;
à morte que vem de cima,
amor por quem tem chorado;
escrevendo ainda num clima
de saudade e passado.

Que atire a primeira folha
àquele que não tenha amado.
E mostre as mãos em bolha
de ser, já, tão calejado,
que não tenha mais escolha
entre saudade e passado.

Que atire a primeira palavra
o poeta inocente
dos versos de sua lavra;
do amor que deveras sente
e que o inspira e destrava,
passado e saudades entre...

E vieram assim, sem rascunho,
versos aleatórios,
feitos de próprio punho.
Uns garranchos inglórios
dando seu testemunho,
saudade e passado acessórios...

[Adhemar – São Paulo, 21/03/2011]