domingo, 29 de maio de 2011

FINALMENTE EM PARIS

Tenho por hábito não me deixar entusiasmar por nada nem aplaudir antecipadamente sem saber se vale. Inclusive, tento desmistificar aquilo que é por demais badalado. Mas isso foi só até chegar em Paris. O impacto da cidade nas minhas retinas, depois o caminhar pelas suas ruas de perspectivas singulares me fizeram repensar se Paris não é, realmente, única no mundo. E, ao exclamar "Paris c'est unique" - uma besteira que francês nenhum entendeu - tive que exclamar de novo: "Paris é a mais bela cidade do mundo"; e aí o francês concordou.

Não há vista de nenhuma rua que não seja bonita; e as pontes sobre o rio Sena, então! A formidável Torre Eiffel, diante da qual, entre admirado e apequenado, não tive coragem de subir. Bem, estas foram só as impressões do primeiro dia, os tornozelos doendo por ter percorrido todas as alas do Louvre sem no entanto sequer ter fixado os olhos em 3 ou 4% de suas obras. Daí o riso maroto da Gioconda...

Paris é realmente especial e acolhe, democraticamente, os curiosos e fãs do mundo todo em suas ruas acolhedoras e o seu jeito parisiense de ser. Algo que é preciso ser visto para se entender.

[Adhemar - Paris, 18/04/2011]

Notre Dame vista por trás (foto: Adh2bs)







Rio Sena, Notre Dame ao fundo (foto: Adh2bs)















Rio Sena (foto: Adh2bs)













sábado, 28 de maio de 2011

Depois de amanhã



Já cortei muito papel,
já fiz margem em folha;
já desenhei cemitério,
usina de lixo
e com sabão já fiz bolha.

Já fui pra fora de mim mesmo,
já andei fora do Brasil.
Já fiz rima perigosa,
curvas em duas rodas
e acelerei até mil.

Nunca fumei um cigarro,
nunca fiquei de pileque;
nunca disse quase nunca
e tem coisas que não entendi.
Já fui maduro, menino,
e moço banquei o moleque.

Em rimas já me perdi,
botei verso a mais em estrofe.
Às moças que namorei
dediquei mais do que escrevi.
Caminhando fui além,
parado até viajei.

Não dei a volta no mundo,
também não fui a Paris.
Hoje escrevo pro futuro
o que de ontem pra hoje escrevi.

Amanhã não sei onde estarei,
os planos, algures, esqueci.
Posso voltar onde já estive,
acenar de longe, "may be",
lugares que lembrarei.

Faço a vida um dia por vez.
Então, até amanhã, talvez...

[Adhemar - São Paulo, 22/09/2010]

Antes de ontem

O destino, a boa sorte e a fé fizeram contrariar um dos versos; eu que tantas vezes voltei aonde já estive. Deve-se dizer que a fé e a boa sorte de Stella me levaram a Paris, em abril.

Adhemar, 28/05/2011.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

SUTILEZAS

O jeito de andar,
o jeito de olhar,
mãos postas nos joelhos ao sentar.
Balançar os cabelos,
se levantar,
o jeito de olhar,
o jeito de andar.
Mãos postas na cintura,
balançar os quadris,
levantar os braços;
ajeitar os cabelos,
revirar os olhos,
andar outra vez.
Andar e parar -
à toa e de repente.
Girar o corpo nos calcanhares,
quase saltar.
O jeito de olhar,
de ajeitar a roupa,
de voltar a andar;
olhar a vitrine,
enfim suspirar
e entrar na loja...

[Adhemar - Buenos Aires, 11/01/2011]

Galeria Pacífico - Recoleta, B.A. (foto: SM)






















Galeria Pacífico - Recoleta, B.A. (foto: SM)

















Galeria Pacífico - Recoleta, B.A. (foto: SM)










domingo, 8 de maio de 2011

Arqueologia

Quando o futuro nos encontrar, já fósseis primitivos de nossa pré-história atual, fundidos em pedras, desenhados nas paredes de nossas modernas cavernas e também em cartões de memória ou em discos;

quando o futuro nos escavar, desenterrando assim nosso esqueleto e nossos esquisitos costumes, embalsamados nas substâncias exaladas ou inventadas por nossos pensamentos primitivos;

quando o futuro intrigado nos estudar estranhando os sinais de nossa pretensa civilização - e vai rir por vários motivos -

quando o futuro nos exibir como relíquias em seus espetaculares museus pra nova gente se admirar desse momento em que traços de humanidade - fracos, é verdade - se apresentam;

quando o futuro preferir nos ignorar achando que nada temos a ensinar, visto que estaremos extintos - incapazes de sobreviver no nosso próprio mundo que tornamos hostil -

quando o futuro chegar - esse futuro em que não estaremos mais aqui - seremos apenas uma pálida amostra de uma espécie simplesmente imbecil.

[Adhemar - São Paulo, 03/10/2010]

domingo, 1 de maio de 2011

PAISAGEM ESTELAR

Estranhas estrelas,
essas que nos acompanham
acompanhadas de brumas que parecem mar;
e refletidas no mar parecendo nuvens.
A difusa linha do horizonte
parecendo balançar
ao vento que não se vê.

Estranhas palavras,
essas que não se consegue pronunciar,
acompanhadas de espuma
e frio e ar.
A confusa linha do entendimento,
subjetivo e particular,
parecendo querer dizer outra coisa,
infinita e espetacular.

Estranhas luzes,
essas agrupadas ao longe,
acompanhadas de aura e sombras,
parecendo querer falar;
falar de escuridão, de calor,
de andanças por aí
e de retorno ao lar...

[Adhemar - sobrevoando o Brasil de volta à São Paulo, 23/04/2011]


Torre Eiffel ao entardecer (foto: SM)






















Torre Eiffel ao anoitecer (foto: SM)