domingo, 8 de maio de 2011

Arqueologia

Quando o futuro nos encontrar, já fósseis primitivos de nossa pré-história atual, fundidos em pedras, desenhados nas paredes de nossas modernas cavernas e também em cartões de memória ou em discos;

quando o futuro nos escavar, desenterrando assim nosso esqueleto e nossos esquisitos costumes, embalsamados nas substâncias exaladas ou inventadas por nossos pensamentos primitivos;

quando o futuro intrigado nos estudar estranhando os sinais de nossa pretensa civilização - e vai rir por vários motivos -

quando o futuro nos exibir como relíquias em seus espetaculares museus pra nova gente se admirar desse momento em que traços de humanidade - fracos, é verdade - se apresentam;

quando o futuro preferir nos ignorar achando que nada temos a ensinar, visto que estaremos extintos - incapazes de sobreviver no nosso próprio mundo que tornamos hostil -

quando o futuro chegar - esse futuro em que não estaremos mais aqui - seremos apenas uma pálida amostra de uma espécie simplesmente imbecil.

[Adhemar - São Paulo, 03/10/2010]

Um comentário:

Sueli Gallacci disse...

Adhemar!

Forte esse texto, que tem tudo pra ser realístico!... Mas nem por isso deixa de ser belo!

Adorei estar aqui novamente e ler coisas inteligentíssimas! Minha vida ainda está um pouco tumultuada, sinto falta de visitar os amigos com mais freqüência como antes... Devagar eu chego lá.

Um grande abraço.