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sábado, 28 de maio de 2011

Depois de amanhã



Já cortei muito papel,
já fiz margem em folha;
já desenhei cemitério,
usina de lixo
e com sabão já fiz bolha.

Já fui pra fora de mim mesmo,
já andei fora do Brasil.
Já fiz rima perigosa,
curvas em duas rodas
e acelerei até mil.

Nunca fumei um cigarro,
nunca fiquei de pileque;
nunca disse quase nunca
e tem coisas que não entendi.
Já fui maduro, menino,
e moço banquei o moleque.

Em rimas já me perdi,
botei verso a mais em estrofe.
Às moças que namorei
dediquei mais do que escrevi.
Caminhando fui além,
parado até viajei.

Não dei a volta no mundo,
também não fui a Paris.
Hoje escrevo pro futuro
o que de ontem pra hoje escrevi.

Amanhã não sei onde estarei,
os planos, algures, esqueci.
Posso voltar onde já estive,
acenar de longe, "may be",
lugares que lembrarei.

Faço a vida um dia por vez.
Então, até amanhã, talvez...

[Adhemar - São Paulo, 22/09/2010]

Antes de ontem

O destino, a boa sorte e a fé fizeram contrariar um dos versos; eu que tantas vezes voltei aonde já estive. Deve-se dizer que a fé e a boa sorte de Stella me levaram a Paris, em abril.

Adhemar, 28/05/2011.

Um comentário:

Adh2bs disse...

Do outro blog:

Comentário por Selma Barcellos — terça-feira, 31 de maio de 2011 (20:41:09)
Como é bom contrariar nossos versos por vezes… Feliz por vocês, poeta!
Beijocas!