domingo, 19 de junho de 2011

Segredo

Rasguei meu papel em dois pedaços.
Poderia dizer mil, ou cem, menos ou mais.
Mas rasguei o meu papel em dois pedaços.
"Por que?" Pensei.
"Por que só dois?"
A resposta mais sincera é "não sei".
Rasgados estão,
cada um para o seu lado.
Estão em branco?
Algum segredo revelado?
E rasgar,
ao invés de ter amassado,
significa alguma coisa?
Também não sei.
O que sei é que está o papel rasgado;
não em mil e nem em cem.
São apenas dois pedaços,
nada em branco,
os quatro lados...

[Adhemar - São Paulo, 28/02/2011]

sábado, 18 de junho de 2011

FRATERNIDADES

Um momento que passa,
um pensamento que se perde.
Se perde entre as dúvidas,
entre perguntas que não deveriam ser feitas.
Um momento em que se busca
um acesso à própria filosofia.

Um momento que passa,
querendo ficar;
querendo entrar sem bater à porta.
E passa diante da porta fechada,
da mente fechada,
levando o pensamento que se perde.

Retornam as perguntas
cujas quais melhor não saber as respostas.
Porta fechada,
casa abandonada
aguardando o retorno do nunca mais.

[Adhemar - Montevideo, 07/01/2011]

domingo, 5 de junho de 2011

Desgarramento

Confusão.
Propositalmente, os novos profetas mentem.
Acenam com um tempo vão.
Os novos profetas mentem!
Inúmeros seguidores,
fanáticos sem razão!
Um futuro feito de promessas,
de palavras enfeitadas
sem conteúdo de ação.

Mobilização.
Propositalmente, os falsos profetas mobilizam
e emocionam a multidão.
As verdades dos falsos profetas,
as mentiras dos novos profetas
e a comoção.
A comoção dos seguidores,
que não questionam,
não rompem a bolha da ilusão;
que forjam seus falsos ídolos
sem ricas embalagens
dignas de adoração.

Primária opção.
Falsos e novos profetas
com suas hábeis palavras -
mentira e agitação.
Arrastando ouvintes fanatizados
que brigam sem saber por que,
mas com paixão.
Nas cúpulas, risos e falsidade;
nas ruas, festejos inglórios
enquanto durar essa prestidigitação.

[Adhemar - São Paulo, 28/09/2010]