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terça-feira, 27 de setembro de 2011

ESQUECIMENTO

Moldura vazia.
Profunda como um abismo.
Dor aguda, corrosiva,
surda e subversiva
controvertida no ostracismo,
fome que não se sacia.

Na cor excessivamente viva,
rascante como um assovio;
peça mexida no jogo,
chama de luz, um fogo,
cera quente num pavio,
dor de úlcera, abrasiva.

Arca posta de canto,
verso triste, chorado,
vertendo mágoa dorida;
quadro de tela colorida,
ainda que bem guardado
é lenço molhado de pranto.

Nas mãos, um adeus, um momento.
Nos lábios o beijo dourado,
sonhado, inatingível.
Nas mãos, o adeus impossível
tendo o ar movimentado
num sopro perdido de vento.

No vácuo, o som do bordado,
do céu inteiro em azul.
O manto - que não se estenda -
mais tudo que a memória não lembra;
da luz que vem lá do sul
e do céu, inteirinho estrelado.

[Adhemar - São Paulo, 03/5/2011]

3 comentários:

tiaselma.com disse...

Poeta, que bom que tudo se resolveu! Já atualizei o link! Gosto demais da cor e do "som de seu bordado"...

Beijocas!

Cacá - José Cláudio disse...

O abandono é uma fotografia da nada ao relento. E como dói. Que coisa bela, meu amigo! Bom tê-lo por aqui novamente. Abraços. Paz e bem.

Jéssy disse...

Olá, vim retribuir o comentário e dizer que fico muito feliz por ter gostado do meu blog. Quero dizer também, que (e não é reciprocidade fingida, eu juro!) adorei os seus textos, é incrível como me apeguei a um deles em particular "desgarramento". pois bem, espero que possamos manter as visitas mutuas.
abraços.