segunda-feira, 31 de outubro de 2011

QUASE 2

Eu tento responder tantas perguntas
que chegam juntas, exigentes.
Tento dar conta de presentes,
coisas legítimas, fajutas...

Eu tento erigir os meus castelos,
muito belos, com mais que nuvens...
Tento dar conta de outros bens,
tão complicados e singelos...

Eu tento ver além das paisagens,
qual miragens num deserto sem fim.
Tento abraçar transmitindo parabéns,
ou coisa assim...

Eu tento erguer a voz a longo alcance,
não que me canse, mas grito “à vista!”.
Mas tento me fazer ouvir, ouvinte,
tão atrevido e tão artista.

Eu tento entregar uma complexa mensagem
em viagem comprida, é necessário.
Tento educadamente um “passe bem”
sendo um malcriado arbitrário.

Eu tento compreender e ir vivendo
mesmo sabendo que um dia vou morrer...

[Adhemar - São Paulo, 28/02/2011]

Quase quase

A poesia “Quase”, parodiando o “soneto da fidelidade”, de Vinícius, foi postada em 12/04/2008, como brincadeira, em Arq&Poe: Lit1 (blog original); qualquer hora o reapresento por aqui. Em assim sendo, este fica “Quase 2”.

Adhemar, 31/10/2011.

DISCURSO ENSAIADO

Pra dizer adeus eu treinei todos os dias,
imaginando cenários fictícios.
Pra dizer adeus eu sufoquei tantas alegrias
e demoli uma porção de edifícios.

Pra dizer adeus endureci o meu pescoço.
Segui em frente sem olhar pra trás.
Aos filés preferi roer o osso
e sequei lágrimas pra chorar não ser capaz.

Pra dizer adeus abandonei muitos ideais.
Endureci a alma, enganei até a razão.
Inventei mentiras muitas vezes reais,
multiplicadas feito poeira pelo chão.

Pra dizer adeus, calei um olá.
Sufoquei um oi, um como vai.
Pra dizer adeus deixei de falar,
deixei de pensar e já não sonho mais.

[Adhemar - São Paulo, 28/02/2011]

domingo, 30 de outubro de 2011

Velho baú

Remexendo uns guardados me encontrei quase vinte anos atrás. Entre surpreso e divertido, reencontrei a mesma besta sentimentalóide e idealista que ainda mora em meu íntimo. Evidentemente no interior, não na capital.

Brilharam meus olhos ante a fina poeira levantada. Nenhum conceito esquecido, não evoluí nada. Na força crescente que existia nesse trecho de passado, a incapacidade absoluta de chutar, pisar ou cotovelar desafetos. A mesma honestidade irritante, a transparência angustiante e a fé inacabável.

Cartas de um aspirante, cartas de um enamorado, uma tese de graduação descrita como ecos de uma defecação... isto em meus próprios comentários de então. Outros registros acompanham o museu, cantinho da saudade de um tempo menos enfadonho, mais leve e inconseqüente, apesar do rigor ético e da seriedade angular.

Na fina poeira esvoaçante, alguns pensamentos que foram contrariados ao longo desse longo momento que nos separa: projetos no computador, projetos de apartamentos, cooperativa de arquitetos; patetices ideológicas que o cético – nascido bem depois – se encarregou de matar.

No reflexo dos grãos mais brilhantes do pó onde retornei, pequenas sementes do que virou ideal depois. Tais como família, obras, posições profissionais, posições políticas. Tudo parte da massa que moldou a figura de hoje. Mas como diz meu amigo, só autocrítica sincera não arruma nada. Um pedido de desculpas não cessa a conseqüência do erro. Então, sigo as novas tendências em busca de um patrocínio para minha biblioteca.

[Adhemar - São Paulo, 10/11/2000]

Era só "Baú"

Mas veio outro "BAÚ" depois, em versos, este ganhou o "Velho" por precedência... Este texto (ainda com o título original) faz parte de um opúsculo denominado "Extemporal", que foi distribuído em família no Natal de 2004.

Adhemar, 30/10/2011.


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

COMPORTAMENTO ARTIFICIAL

Sapato social, terno e gravata,
uma elegância desconfortável
com seus ares de bravata;
longe do ideal mas aceitável.

Pose, uísque e coisa e tal;
falar bobagens com elegância,
manter a mística normal
de falsidade e arrogância.

Mais uísque, desinibição geral,
desconhecidos viram velhos amigos.
Mulheres descalças, risos do pessoal,
assuntos variados, casos antigos.

Festa clichê, comportamento previsível.
Gente que não entende o que a vida ensina.
Riso fácil, predeterminado como se incrível,
até que enfim, caírem todos na piscina...

[Adhemar - São Paulo, 16/10/2010]

domingo, 23 de outubro de 2011

Contato!


(Arquitetura e Poesia: Literatório - 08/06/2008)

- Alô, base, câmbio.

- …
- Alô, base, responda.
- …
- Alô, base!
- …
- Alô, base, responda!!!
- …
- Alô, base, se alguém estiver na escuta, responda.
- …
- Alô, base, vocês estão me gozando?
- …
- Alô, base, Q.O.S. 225, vão se catar, vou me virar sozinho!
- …
- Alô base, Q.O.S. 225 encerrando o contato.
- …
- Pô, base, qual é…
- …
- …
- …
- Oi, base, vou apelar: VÊ SE ALGUÉM ACORDA AÍ!!!
- …
- Putz, nem gritando?! Base, o negócio é o seguinte: se o rádio de vocês estiver quebrado, vocês perderam o sentido para nós cá fora; se estiverem nos ignorando, merecem um belo susto; se estiverem todos mortos, vão ser enterrados! Se for só gozação, se lascaram!!! Porque eu vou descer de qualquer jeito, e mais, vou entrar pela janela dessa m…, ok?
- …
- Lá vamos nós!
- …
- …
- …
- Viram?! Dessa vez foi só um rasante de advertência… Ô BASE, RESPONDA!
- …
- PQP! QBP! QF! MBP!!!
- …
- Ó, pessoal, agora é pra valer. Acabou o combustível desta joça. Vou descer e, se precisar, vou usar a torre aí como freio, entendido? Câmbio.
- …
- Ba-a-se (snif), se estive-e-rem me o-ouvindo (snif), mi-i-nha coleção de figurinhas fi-i-ca pro filho do Larry; a-alguém avi-i-se (snif) mamãe que e-eu não vou jantar em casa (snif). Câmbio e desligo.
- …
- … … …
- Alô, Bob! Base chamando.
- …
- Q.O.S. 225, na escuta?
- …
- Bob! Bob! O que você está fazendo?! Vira esse troço pra lá!!! Você acaba acertando a gente!!!
- …
- Bob!!! Faz tempo que você tá chegando?! Santa mãe, ONDE É QUE VOCÊ PENSA QUE VAI…
- …
CRASH!!! CATAPLAM! CRAC! BUM! BILT! POW! FLAGSH! TILILI! SKREKT! TRASH! TROW! TÓIM! PLAFT! PLIC! UOUOUOU! SBREGH! CREC! GOGH! RASG! BAT! ENTORT! PEST! TAG! STRIKE!!!
- …
- …
- Ô-ô-oi, B-Bob!
- A-a-ai, L-Lar-ry…
- O que foi que você fez…?
- Onde é que você estava?
- Ora, eu fui fazer um xixi…
- Ah, é?! Então eu fiz este cocô…

[Adh2bs - S. Paulo, junho/2004]

"Contchato"
Escrevi esta coisa já com mais de quarenta anos, não tinha seis, nem sete, nem oito! Digo isto sem querer subestimar a capacidade intelectual das crianças, pelo amor de Deus!!!

Adhemar, 08/06/2008.

sábado, 22 de outubro de 2011

BATE PRONTO

(Arquitetura e poesia: literatório - 26/04/2008)

Um Atrevimento: pensar que a gente faz a própria cabeça sozinho.

Uma Busca: o motivo de estar aqui, no "planetinha azul".

Uma Coordenada: quando descobrir o que estou buscando, inventar outra coisa!

Uma Dor: o mundo conter tantos males e não saber que fim isso vai ter.

Uma Experiência: tentar ser professor...

Uma Frustração: o que é a felicidade?!

Um Gosto: tipo um capricho? Ser escritor, ora!

Um Homem: podendo apontar só um, então é o meu pai.

Uma Idéia: a implantação da anarquia, no sentido grego da palavra; "sem governo". Acho que todo mundo deveria saber se comportar, fazer a obrigação sem precisar ser fiscalizado. Exagerei? Acho que deveria ter dito isto em "uma Utopia"...

Um Julgamento: ninguém, absolutamente ninguém está no "planetinha azul" a passeio.

Uma Lógica: Deus existe e manifesta continuamente a sua existência. A infelicidade e os horrores perpetrados pelos seres humanos passam por ignorar (ou por não interpretar) os sinais; por exemplo, Jesus foi o maior, o mais claro e o mais óbvio desses sinais.

Uma Mulher: neste item, sem fazer média com a mãe, com a esposa, irmã, primas ou tias; Maria, a mãe de Jesus. É fora de série.

Uma Necessidade: a de ter a família por perto, amigos... A solidão pode até ser legal de vez em quando, mas é assustadora quando você se dá conta.

Uma Opinião: acredito na continuidade da vida após este pedaço que estamos vivendo aqui; em outras palavras, nossa alma é imortal.

Uma Provação: ter que enfrentar, encarar ou frequentar órgãos públicos. Qualquer um, por qualquer motivo.

Uma Questão: pra quê tantas regras? A gente já está aqui mesmo, por quê complicar com normas de comportamento, leis, pecados, tabelas de infrações, nãos, nãos e não?!

Uma Resposta: nada é impossível, só que milagre demora um pouco mais.

Um Sonho: ver cada ser humano funcionando perfeitamente como uma pequena mas precisa engrenagem neste fabuloso mecanismo chamado mundo, ninguém infeliz (xiii, outra utopia aí...).

Uma Tradição: achar que ninguém é culpado até que se prove o contrário.

Um Ultimato: farei o que for preciso para ver os meus três filhos encaminhados. Entenda-se 'encaminhados' por 'andando pelas próprias pernas', trilhando seus próprios caminhos sem depender de ninguém, inclusive deste fã número 1 deles.

Uma Viagem: aquela que vai me levar para outros desafios depois de cumprir as tarefas desta etapa (no "planetinha azul"), se Deus achar que mereço... Ainda estou na fase de ter mais curiosidade do que medo em matéria deste assunto.

Um Xamã: minha mãe...

Uma Zebra: no sentido "lotérico" da palavra? Descobrir que não é nada disso, a vida era só pra se divertir, comer, beber, brincar, dormir...

[Adhemar - Santo André, 25/04/2008]

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Hiato

Quem quis seguir só já chamou.

O sol acompanha,
o céu observa,
a nuvem espera;
a água reflete,
refresca e segue.

Quem não quis seguir só já passou.
De tão longe voltar não voltou.

O silêncio pede silêncio,
eloquente pedido o seu.

Quem queria ouvir vai nos olhos,
quem quiser chorar diga adeus.

[Adhemar - Cuiabá, 21/07/1987]

domingo, 16 de outubro de 2011

GUARDA-CHUVA

Aonde o amor se desdobra,
onde se esconde?
Aonde o amor se importa
e suspira e abre a porta?

Aonde o amor se desespera
e se joga de qual ponte?
Aonde encontra amparo
ou consolo ou fonte...?

Aonde o amor é diferente,
aonde encontra o horizonte?
Aonde chega de repente
e se inspira e finge forte?

Aonde o amor se fantasia...?
Aonde ele rasga a roupa
e manifesta rebeldia?
Aonde o amor desfalece...?

Quando o amor merece
uma aposta ou confiança?
Aonde ele comparece
feito um fantasma da lembrança?

Aonde se prevalece
de ainda ser criança?
E quando o amor perece,
quem chora sua esperança?

Aonde o amor se abriga
das guerras e dos conflitos?
E quanto o amor intriga
os seus discípulos aflitos?

Aonde o amor se esconde
quando chove...?

[Adhemar - São Paulo, 21/02/2011]

sábado, 15 de outubro de 2011

Cantoria

Quase uma euforia.
Uma ansiedade tranquila,
uma expectativa meio fria.
Desejos e receios se misturam,
saudades e pressa na alegria.
Alguma dúvida?
Muita fé.

Pausa para um chocolate,
palmas pr'uma alquimia.
Agradecimento constante por tudo,
por mais que tudo
e tudo até.
Vim contente e vou feliz...!

[Adhemar - Aeroporto Charles de Gaulle - FR, 22/04/2011]

Vista externa do aeroporto CDG-FR (foto: Adh2bs)




Vista interna CDG-FR (foto: Adh2bs)


Vista interna CDG-FR (foto: Adh2bs)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

PRIMITIVOS

Movimento nas ruas,
contradições,
paralisação.
Mentes rotativas,
ativas desilusões.

Confusão.
Saltos no espaço em branco.
Alegrias a prestação.

Protestos.
Reivindicações por mais pão,
por mais circo
e mais proteção.
Mentes retroativas.

Cinismo.
Simplicidade e ação.
Tristezas em conta-gotas...

Maluquices, revolução.
Espada e pena cruzadas
por diferença e tradição.
A paz perturbada
e o futuro em nossas mãos.

[Adhemar - São Paulo, 03/10/2010]

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Natureza e independência

Até que a morte os separe,
ou os una.
Até que a vida enfim ensine,
ou ilumine,
saia de baixo,
caia por cima.

Quem souber responder
levante o braço,
adiante-se um passo.
Saúde!
Vamos a um brinde, um cumprimento,
um abraço.

Que o dono da bola
jogue em nosso time;
uma fé por acender
uma chama sublime,
um calor no espaço.

Até o amanhecer,
os olhos cheios de cansaço;
da espera,
de uma estrela a tremer.

Até que a vida, enfim,
agonizante,
a morrer no calor de um mormaço
possa plenamente convencer
que não passa de um fio,
tênue e calado.
E que viver seja segui-lo,
ou gritá-lo.

[Adhemar - São Paulo, 24/12/2009]

domingo, 9 de outubro de 2011

ÍNDICE

Acabei de tomar banho. Sensação boa de asseio e finalmente cheiroso depois de um dia de intenso trabalho. Meio vestido, sento na minha cama e me deparo com a pilha de livros que está sobre meu criado-mudo.

Antes de falar dos livros, vamos aos objetos que os acompanham: o movelzinho é quadrado, de madeira escura e os livros estão divididos em três montes. O quarto quadrante do tampo do criado-mudo é ocupado por um rádio-relógio-telefone que tem a idade do meu casamento (assim como o movelzinho). Logo atrás dele está o primeiro monte de livros (e o mais alto). No canto do fundo, onde as paredes do quarto fazem o "L", estão dois livros embaixo do abajur - na verdade uma luminária de mesa de escritório - de base quadrada e lâmpada dicróica que, apesar do pessoal pensar que é chique, dá choque e esquenta perigosamente quando está acesa. Na frente da luminária e ao lado do rádio relógio estão outros dois livros. No meio dos livros há um bloco velho com folhas em branco (melhor seria dizer em amarelo); afinal, nunca se sabe quando uma ideia vai nos acordar, por isso a caneta na gavetinha logo abaixo... Completando o conjunto, dois guias do convênio médico (*1) e um rádio de pilhas (*2) - sim, um desses que se leva ao futebol pra colar no ouvido - aninhado na base da luminária-abajur.

Eis o inventário desta mini-biblioteca (será que os livros mais próximos de um homem são capazes de revelá-lo? Desvendá-lo para além do mistério de ter os livros à mão ao invés de tê-los na estante junto com tantos outros títulos? Veremos!) ordenado de cima para baixo, por lugar ocupado na pilha, seguido por um breve comentário.

1) O Evangelho segundo Jesus Cristo (*3) - de José Saramago.
A ser lido ainda, sou fã do autor de quem já li "A caverna" e "Jangada de pedra". Leitura densa, difícil, mas adoro o jeito de escrever do autor português.

2) As mentiras que os homens contam (*4) - de Luís Fernando Veríssimo.
Simplesmente idolatro o autor, cronista de mão cheia. Os livros dele que li se contam à dezenas, inclusive este, preciso guardá-lo.

3) Uma breve história do mundo (*5) - de Geoffrey Blainey.
Este livro escrito pelo professor americano é sobre a evolução da humanidade, suas origens e seus movimentos na ocupação do planeta. Didático sem ser muito maçante, mas ainda estou no capítulo 2!

4) O Segredo (*6) - de Rhonda Byrne.
A autora australiana resolve "revelar" e transmitir um conhecimento ancestral capaz de transformar a vida da pessoa, se ela assim o desejar. Não é muito inédito, é? Lido até quase o fim, acho que eu devia terminar a leitura para ficar milionário.

5) Leite derramado - de Chico Buarque.
Sou fã do autor, já li "Estorvo" e "Budapeste" e duas biografias dele escritas por outras pessoas. Mas este é um livro chato, meu ídolo que me perdoe. Também não acabei de ler, estou antes da metade, e mais não digo!

6) O guia das curiosas (*7) - de Marcelo Duarte e Inês de Castro.
Opa! Este não é meu!!! Stella - que tem o criado-mudo mais congestionado que o meu - deve ter posto este livro aqui pra livrar espaço ou pra me testar. Mas eu juro pra vocês: só li a capa!!!!!

7) As confidências de Arsène Lupin (*8) - de Maurice Leblanc.
Ainda não tenho todos os livros sobre o famoso "Ladrão de Casaca", sem dúvida meu herói de infância, não superado nem pelo Tarzan de Burroughs. Acho que reli este livro umas cinquenta vezes; daqui uns dias estarei andando por um dos cenários de suas aventuras. Voilá!

8) Os caminhos de um pracinha (*9) - de Vicente Pedroso da Cruz.
Já li duas vezes, está aqui para ser relido outra vez. O Sr. Vicente é meu vizinho, esteve presente na IIª. guerra mundial com a FEB e conta a história de quem viu de dentro, de forma simples e objetiva, sem drama. Este é um dos meus heróis de carne e osso.

9) A literatura portuguesa através dos textos (*10) - de Massaud Moisés.
Livro dos meus tempos de escola, tem mais de trinta anos! Apanhei-o da estante para esclarecer umas dúvidas, tempos atrás. Apesar de capenga (capa soltando, folhas amareladas) é bonito, muito objetivo, dá uma ótima panorâmica sobre o assunto que trata.

10) O eu profundo e os outros eus (*10) - Fernando Pessoa (e seus heterônimos).
Tem a mesma idade de seu predecessor nesta lista, talvez seja um dos livros que me atraiu para a poesia. Sobre o poeta português e sua genialidade melancólica não há nada que eu possa dizer que já não se saiba...

11) Noções de literatura portuguesa (*10) - de Y. Fujiama.
Este livro foi de meu pai, está comigo por causa do meu interesse pelo assunto. Não o li mais que superficialmente e a maior curiosidade deste livro é que em nenhum lugar consta o prenome do autor de sobrenome japonês e cuja inicial é Y.

12) Antologia poética (*10) - de Vinícius de Moraes.
Ganhei de Stella quando a gente ainda namorava, em janeiro de 1989. Eu já conhecia o autor; vocês conhecem...?

13 e 14) Antologia da literatura brasileira, volumes I e II (*11) - de Antonio Medina Rodrigues, Dácio de Castro, Fernando dos Santos Costa e Ivan Teixeira.
Só um ano mais novo do que seu "colega" de literatura portuguesa. Fui aluno do primeiro dos autores citados quando fiz o cursinho, em 1981. Saíram da estante na conferência que me obriguei a fazer para ter certeza de que um soneto meu tinha sido escrito por mim! (À época, não resisti e "assaltei" a biblioteca de minha mãe e reli algus clássicos como Bilac, Castro Alves, Gonçalves Dias e companhia bela, além desses dois volumes didáticos). Virou, mexeu ainda os consulto por qualquer motivo.

15) Os Lusíadas - Luís de Camões.
Olha só, confesso: acho que inventei esta crônica só para falar desse livro! Primeiro, porque foi de meu pai; é uma edição antiga escrita em português original (?) - imagino que quase como o próprio Camões o redigiu... Se não foi em latim... Segundo, porque sobre ele meu pai estudou, a prova são inúmeras anotações feitas à lápis no próprio livro e outras tantas em papéis soltos dentro dele com a caligrafia miúda e elegante do meu velho. Um triste acidente sem data: a folha que contém as páginas 331 e 332 está rasgada, falta-lhes quase metade, cortando os versos do canto décimo - das estrofes 80 até 87.
A edição é repleta de notas explicativas e, apesar da idade do livro, está com bom aspecto. Ao entregá-lo a mim, minha mãe o pôs dentro de uma capa de couro marrom, menor do que o próprio o livro, mas que o protege bem. De quando em quando me pego a lê-lo, pequenos trechos que não consigo vencer porque me vejo examinando as anotações de meu pai; sobre figuras de linguagem, análise sintática, sinônimo dos vocábulos que não constam das notas, morfologia das palavras... E o meu pensamento transcende para aquele rapaz debruçado sobre o livro, talvez da mesma forma que eu esteja fazendo nos momentos em que o leio. Talvez - aquele rapaz d'antanho - divagando sobre a faculdade de direito que queria cursar e não o pode fazer por causa de dois décimos abaixo da nota mínima em latim. Talvez pensara que Camões o pudesse ajudar; quem sabe o ilustre português não tivesse escrito sua obra na língua-mãe...
Talvez estivesse pensando sobre se um dia tivesse um filho, esse indivíduo se debruçasse sobre o mesmo livro recordando o pai com um enorme carinho, cheio de saudade.
É ou não é uma edição muito rara?

Bem, meus amigos, é isso. Eis que uma lágrima pinga sobre esta folha como um ponto final neste inventário que se transformou numa recordação...

[Adhemar - São Paulo, 26/03/2010]

Índice revisado (*notas)

(*1) Atualmente esses guias médicos estão guardados em outro local.
(*2) Lamentavelmente, o radinho amarelo levou um tombo fatal e foi descartado, meses depois deste texto ser escrito.
(*3) Já lido e devidamente guardado, correspondeu a minha expectativa, mais do que deveria até.
(*4) Assertiva cumprida, guardei-o.
(*5) Continua na mesma, apesar que tirei o livro de lá e não sei onde está...
(*6) Continuo o mesmo pé-rapado de sempre, não terminei de ler e guardei assim mesmo, abrindo lugar.
(*7) Devolvido sem ler!
(*8) Guardei-o junto com os outros da coleção; não andei pelo cenário anunciado, não naquela época do texto, mas mais de um ano depois.
(*9) Relido e guardado, frequentemente encontro o autor em conversas sobre os tempos da grande guerra e outros, sobre o nosso Tricolor do Morumbi e sobre os filhos; ele tem duas filhas que criou praticamente sozinho, ao ficar viúvo quando elas eram pequenas.
(*10) Devidamente guardados. Embora ao Pessoa eu retorne amiúde.
(*11) Devidamente guardados, saíram de baixo da luminária.

Sobre esse texto escrito há mais de um ano e meio, cabe esta 2ª. edição revisada! Isto porque um surto de organização me fez guardar alguns dos livros elencados (conforme as notas numeradas). Sobre o movelzinho de canto - que eu deveria ter fotografado à época para mostrar o espanto dos quinze livros empilhados então - estão outros títulos. Além do velho bloco de folhas amareladas. Vejamos:

1) Florbela Espanca, poemas - de Maria Lúcia Dal Farra.
Biografia da poetisa portuguesa contendo seus poemas e célebres sonetos. Comprado num impulso do tipo oportunidade-preço-capricho, já estou além da metade. É... Fascinante!

2) Arcanjo Isabelito Salustiano e outras crônicas - de José Cláudio Adão.
Do meu amigo Cacá, do blog "Uai, mundo?", chegou ao topo da pilha: estou na iminência de começar a leitura.

3) Leite derramado - Chico Buarque.
Já cheguei na metade, continua chato, apesar de brilhantemente escrito.

4) Sabres e utopias - de Mario Vargas Llosa.
Ganhei de presente, a iniciar. Também sou fã do escritor peruano.

5) A cabana - de William P. Young.
Também ganhei, está na fila. Me disseram que a história é linda... A conferir.

6) A hospedeira - de Stephenie Meyer.
Não conheço a autora. Comprei no supermercado, tipo uma baciada. Ainda não li.

7) Os Lusíadas - Luís de Camões.
Cativo no lugar, livro de cabeceira...










Cabeceira (fotos: Adh2bs)

Adhemar, 09/10/2011.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

"SAU... DESDE"

Folhas fixas, base sólida.
Voz altissonante.
Comparações,
distrações.
Metáforas distantes,
figuras aleatórias.
Chegada, olhada e vitória.
Suspiros passos,
suspeitos fracos;
ecos de glória.

[Adhemar - São Paulo, 13/08/2011]

sábado, 1 de outubro de 2011

Encontro marcado para logo

Onde está você, que não encontro?
Quem será você, rosto bendito,
que procuro por todos os ondes
por onde passo?

Será que já te conheço?
Será que já compartilhas do meu espaço?

Estás oculta de propósito ou por acaso?
Será que mora em mim
o inabilitado "não te acho"?

Desta vez te escamoteaste muito mal,
vou te encontrar,
a modo próprio ou induzido.

E sendo a última das revelações que me restam,
por ora eu vou dormindo.

[Adhemar - São Paulo, 02/10/1988]

Encontro marcado para sempre

Texto escrito numa longínqua madrugada, dez dias antes de ir ao casamento de uma colega da faculdade (terminada quase dois anos antes). Portanto já não via o pessoal da nossa turma por todo esse tempo. O curioso é que a noiva, muito amiga de uma das madrinhas (que era outra colega), profetizou que esta encontraria o futuro marido durante o casamento! Não preciso dizer que a madrinha em questão é a senhora de meus dias, num feliz reencontro em um casamento em que eu nem ia. Mas já estava escrito no livrão do destino, e num de meus caderninhos...

Adhemar, 01/10/2011.