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domingo, 30 de outubro de 2011

Velho baú

Remexendo uns guardados me encontrei quase vinte anos atrás. Entre surpreso e divertido, reencontrei a mesma besta sentimentalóide e idealista que ainda mora em meu íntimo. Evidentemente no interior, não na capital.

Brilharam meus olhos ante a fina poeira levantada. Nenhum conceito esquecido, não evoluí nada. Na força crescente que existia nesse trecho de passado, a incapacidade absoluta de chutar, pisar ou cotovelar desafetos. A mesma honestidade irritante, a transparência angustiante e a fé inacabável.

Cartas de um aspirante, cartas de um enamorado, uma tese de graduação descrita como ecos de uma defecação... isto em meus próprios comentários de então. Outros registros acompanham o museu, cantinho da saudade de um tempo menos enfadonho, mais leve e inconseqüente, apesar do rigor ético e da seriedade angular.

Na fina poeira esvoaçante, alguns pensamentos que foram contrariados ao longo desse longo momento que nos separa: projetos no computador, projetos de apartamentos, cooperativa de arquitetos; patetices ideológicas que o cético – nascido bem depois – se encarregou de matar.

No reflexo dos grãos mais brilhantes do pó onde retornei, pequenas sementes do que virou ideal depois. Tais como família, obras, posições profissionais, posições políticas. Tudo parte da massa que moldou a figura de hoje. Mas como diz meu amigo, só autocrítica sincera não arruma nada. Um pedido de desculpas não cessa a conseqüência do erro. Então, sigo as novas tendências em busca de um patrocínio para minha biblioteca.

[Adhemar - São Paulo, 10/11/2000]

Era só "Baú"

Mas veio outro "BAÚ" depois, em versos, este ganhou o "Velho" por precedência... Este texto (ainda com o título original) faz parte de um opúsculo denominado "Extemporal", que foi distribuído em família no Natal de 2004.

Adhemar, 30/10/2011.


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