Firma-se a mão no apoio imaginário.
Pé-ante-pé, um passo arbitrário,
gotas de suor inundando a fronte.
Folha por folha forram o chão de outono,
o tear entrelaça fios vermelhos de tapetes
numa festa de serpentinas e confetes,
eleito um rei que é só festa e trono.
Tremem os olhos, no horizonte um ponto.
Tremem as mãos do imaginário apoio.
Tremem as águas, sobressaltando o arroio...
Treme o rei, desalentado e tonto.
Voam as águias, atentas presa à presa
e escondem-se delas os pequenos animais.
Esconde-se o tempo, que não volta atrás
e morre o vento, de lágrimas e tristeza.
Bem a tempo, o herói ressucita e levanta.
Forma uma banda, ensaia, toca e canta.
Recupera a um só tempo alegria, ânimo e vida,
tempera as tintas na tela colorida.
Acena ao céu, salva as águias e os bichinhos,
salva a flora, a fauna, a forma e a glória;
faz a fama, faz fortuna e faz história,
dá exemplos a bandidos e mocinhos.
Na doçura da existência e da alegria
realiza o herói um belo sonho:
com linda princesa contrai um matrimônio
e é um feliz casal, Herói e Utopia.
[Adhemar - S. Paulo, 12/03/2007]

De permeio, um belo pôr do sol que me mandaram.
Adhemar, 31/03/2008.