Relâmpago, cicatriz do céu.
De repente, iluminando uma existência
fútil e sem sentido.
De repente, tão importante.
Sentir falta do convívio
sem nunca ter convivido.
Nem alarmado, nem romântico.
Sentimental e sincero,
paixão repleta de ocultas dores.
Irresistível, porém,
só se sobrevive resistindo.
No maior dos sofrimentos,
continuar sorrindo.
E o desejo louco,
intuído pelo raio da tempestade,
lindo, louco e dolorido,
tanto mais aumenta quanto mais inibido.
Um irreprimível reprimido,
extenso então, sorrindo…
A tempestade agora já não tem relâmpago.
Tem apenas o âmago-coração do amor vivido.
Descoberto e curtido
o sentimento mais profundo
abre os braços e chora;
chora pedindo o mínimo momento do desejo contido.
Chora rezando pela alma do beijo perdido…
P/ SM
[Adhemar - São Paulo, 20/12/1988]
Facho
Com este, fechamos a “trilogia” de textos escritos nalgum dezembro perdido (vejam os outros dois, abaixo), para ilustrar os sentimentos díspares - para não dizer antagônicos - que me acometem sempre nesta época do ano. E aproveitar o ensejo para desejar a todos um Feliz 2009, que traga em seu bojo as realizações mais profundas ansiadas por cada um de vocês. Grande abraço!
Adhemar, 31/12/2008.
